BAGÉ WEATHER

Dilce Helena Alves

OUTONO E O TEMPO DE MUITAS COISAS

Não é verão há algum tempo. Ainda não é inverno. Algo de quieto no ar, no tempo, nas cores. Folhas por todo o chão, as plantas dão o tom a aquecer as cores enquanto o cinza da próxima estação ainda não chega para ficar por um longo período.  

Outono e primavera são estações de transição, ao mesmo tempo que mostram grandes transformações na paisagem refletem menos intensidade de temperatura, são fases de preparação. Emocionalmente podemos utilizar esses períodos como momento de recarregar as energias para o que vem pela frente, como se pudéssemos dar a permissão para que nossas folhas também se ressequem, amarelem e caiam, nelas vão embora o que não é mais necessário.  

Adotar uma atitude outonal, a exemplo da natureza, é liberar o que não é necessário, ficar com o mínimo para sobreviver aos extremos da próxima estação.  

Desfazer-se de maus hábitos, descartar pensamentos que fazem doer, doar as roupas que não usamos mais, dar um tempo para os relacionamentos que estressam, suprimir os argumentos que estão servindo apenas de justificativa para velhos costumes que não produzem frutos.  

O outono pode ser tempo de guardar energias, de cuidar das plantas, de começar uma nova rotina, de pedir perdão, de desculpar alguém mesmo que essa pessoa não saiba disso.  

Outono pode ser tempo de ficar em silêncio, em contemplação, em abstração, assim como toda a vegetação se prepara para os longos períodos de pouca luminosidade solar nossa alma pode aprofundar no aprendizado em contato com as sombras.  

O que nos assusta? O que não queremos ver? O que as críticas a nosso respeito teriam razão se pudéssemos admitir? São alguns exemplos de questionamentos que podemos fazer e refletir sobre as respostas que vão surgindo, proporcionando um pouco de autoconhecimento.  

O outono nos favorece a percepção do tempo, constantemente, implacavelmente avançando. Estações se sucedem, tudo passa, tudo tem começo meio e fim. Ciclos vem e vão e fazemos parte deste enorme circuito das coisas. Época de poupar energia, guardar-se para coisas mais importantes, ocasião de não se jogar demasiadamente em discussões, não insistir em ter razão, fase para colher, perceber o que temos plantado ultimamente, metafórica e concretamente.  

Onde tem andado nossa energia? Por onde temos depositado a grande parte de nossa atenção?  

O outono pode ser um bom período para longas caminhadas ao por do sol, também pode ser excelente momento para acordar antes do sol raiar, sentir os primeiros frios do ano, apreciar as primeiras luzes do dia que vão principiar cada vez mais tarde até o final do inverno. Se vestir de outono pode ser adotar atitudes que imitem a amenidade do clima, ou seja, não é mais verão, mas também ainda não é inverno. É como um lembrete da natureza sobre prestar atenção ao tempo presente, o que estamos vivendo agora mesmo? Que tempo é o agora? Quem não somos mais? Quem já deixamos de ser? Quem ainda não nos tornamos? O que queremos ser e o que estamos fazendo no sentido do que almejamos? 


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