Vergonha histórica
Publicado em 09/07/2014

Editorial

por Felipe Valduga
felipelvalduga@gmail.com

Não foi apenas uma derrota. Não foi somente uma goleada sofrida. Não foi o final do sonho de erguer uma taça em casa, algo almejado desde 1950, no triste “Maracanazo”, quando o Uruguai foi nosso algoz. Foi uma humilhação tão grande que será lembrada na história.
Os 7 a 1 aplicados pela Alemanha vão entrar para um ranking onde, certamente, o Brasil jamais imaginou ser o alvo. Sim, esse placar figura, agora, na lista das 10 maiores goleadas de todas as Copas do Mundo. Para ser mais exato, é igual ao resultado que a própria seleção canarinho, em 1950, aplicou na Suécia. A décima maior goleada nessa indigesta lista.
O elenco germânico, em nossa casa, fez somente uma coisa: jogou futebol. E não que fosse algo vistoso, reconhecido como o melhor estilo já visto nos gramados internacionais. Nada disso. Jogou simples, e de forma eficiente. Fechou sua defesa – bem resguardada por um goleiro que mais parece uma muralha que nunca será vazada –, dominou o meio de campo, mesmo que em grande parte do tempo a posse de bola fosse brasileira. Apertou a marcação no ataque e, desde o início da partida, aguardou os erros de nossos defensores. E eles vieram. Não uma, nem duas, inúmeras vezes. No ataque, por sua vez, ludibriou a zaga brasileira com toques simples e, quase sempre, concluíam ao gol quando ninguém mais estava à frente.
Quem disser que isso só ocorreu porque faltava Neymar, ou mesmo Thiago Silva, só pode mesmo conjecturar. O placar poderia não ser esse. Mas dificilmente a derrota não seria o resultado final. Faltou futebol ao país do futebol. Não faltou garra, não faltou empenho – ao menos não de todos. Oscar foi quase uma exceção. Não pelo gol de honra marcado no final do jogo, mas porque tentou jogar. É certo que não conseguiu, mas porque não pôde. Faltaram-lhe companheiros adequados. Ao final, chorou. Mas nem todos choraram. Ser goleado de forma humilhante, em casa, é tão triste que, às vezes, nem as lágrimas querem aparecer. Preferem se esconder, deixar o tempo passar, para que a memória possa guardar essa lembrança em um lugar quase nunca visitado por nossos pensamentos.
E não pensem que a Copa no Brasil, orgulhosamente chamada de a Copa das Copas, pode terminar somente com esse vexame. Imaginem a Argentina, nossa maior rival, sendo campeão, no nosso quintal? Ou até mesmo: que ela nos derrote no último jogo? Lógico, não sejamos pessimistas. Pelo contrário, vamos torcer para subirmos ao pódio, mesmo que seja apenas como terceiro colocado.
De todo modo, hoje o Brasil não sorri. Parabéns, Alemanha!

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