Valter José Pötter detalha metas de gestão na Associação Vinhos da Campanha
Publicado em 02/07/2020

Geral

Foto: Eduardo Rocha/Especial FS

Produtor defende parcerias com instituições

Na semana passada, em assembleia realizada de forma virtual, foi definido que o novo presidente da Associação Vinhos da Campanha, é o produtor de Dom Pedrito, Valter José Pötter, empresário do segmento rural e proprietário da Estância Guatambu. O dirigente da associação ressalta à reportagem do Folha do Sul, que a intenção é manter o que já era feito e estender parcerias com instituições como Sebrae, Senar, Embrapa, entre outros. “Isso porque nós temos três assuntos muito importantes que necessitam de parcerias: implementar a Indicação Geográfica, o que irá demandar apoio dessas entidades; promover o vinho brasileiro e Campanha, se trata de ações nesse sentido e incentivar e promover o turismo na região. Sabemos que o turismo é muito importante para a vitivinicultura, traz clientes, forma opinião, oportuniza mais conhecimentos sobre o trabalho que é realizado na região”, detalha Pötter.

Benefícios da Indicação Geográfica

Ele ressalta que a Indicação Geográfica trará uma vitrine de forte expressão, o que nas palavras do presidente da associação é uma honraria. “Hoje, estamos mundialmente conhecidos como a nova região vitivinícola do Brasil e do mundo. Então, sem dúvida alguma, teremos que trabalhar para aplicar as normativas e, da safra 2020, os vinhos que se credenciarem, com a qualidade suficiente a atenderem essa normativa, receberem o selo da Indicação Geográfica”, comenta. O dirigente informa, ainda, que outra meta é trabalhar para conquistar novos sócios e empreendimentos para a região. “Eu não tenho dúvida de que isso irá acontecer. Claro, que estamos num momento de apreensão e indecisão com a pandemia, mas passando isso, acredito que investidores direcionarão seus olhos para a região”, assegura.

Luta contra o 2,4-D

Outro tema que Pötter aponta como primordial para a gestão da entidade está no combate ao descaminho do vinho contrabandeado. “Não se trata do vinho importado, nem o vendido em free shop. É essa produção que é vendida com o mesmo volume do vinho nacional. Ou seja, de 18 a 20 milhões de litros de vinhos brasileiros, outro tanto é vendido proveniente de descaminho”, declara o produtor rural, que destaca ainda que outra meta da sua gestão é encontrar soluções para a deriva do agrotóxico 2,4-D. “Já se tem meio caminho andado, mas ainda faltam algumas normativas para que realmente não ocorra mais prejuízos para o setor”, enfatiza Pötter.

Vitivinicultura

Questionado sobre sua avaliação da vitivinicultura, o produtor rural frisa que o segmento está no bom caminho, precisando avançar ainda em infraestrutura e mais trabalho com enoturismo, conforme o dirigente. “Uma coisa puxa a outra, porque quando se tiver melhor infraestrutura, os aeroportos com os voos regionais mais consolidados, as vinícolas ampliando e modernizando suas estruturas e novas empresas do ramo se instalando na região, nós teremos um futuro excelente. Acredito que estamos no meio do caminho, resta arregaçar as mangas para trabalharmos e chegarmos ao momento semelhante às grandes regiões produtoras do mundo”, assevera Pötter.

Próximos passos

O proprietário da Estância Guatambu reforça ainda que a Indicação Geográfica concedida recentemente para a região confirma a qualidade de trabalho e do produto do que é feito em se tratando de produção de vinhos. “Falta mais volume, porém, hoje respondemos com 30% do vinho fino nacional, mas nós podemos chegar, facilmente, a 50% do vinho fino brasileiro. Isso porque nós temos clima, terroir, falta sementar as áreas de produção que estão freadas pela questão da deriva do 2,4-D, que prejudica muito as plantas. Por isso, uma das nossas metas é resolver a questão desse agrotóxico. Com isso solucionado, haverá uma produção muito forte de uva e de vinho da região e outras culturas alternativas, como as oliveiras, kiwi, entre outras. Ou seja, há tantas outras que podem ser produzidas na Campanha, mas que no momento estão travadas em virtude da propagação do 2,4-D”, detalha o novo titular da Associação Vinhos da Campanha.

Deixe sua opinião