Uma face do campeiro
Publicado em 01/05/2013

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Duarte garante que trabalhará até quando puder

por Felipe Valduga

Roberto Carlos Ferraz Duarte, de 47 anos, é cabanheiro e ginete. Profissões herdadas, simplesmente, pelo apreço ao meio rural. Natural de São Lourenço, não seguiu o exemplo dos pais – a mãe é professora e o pai caminhoneiro.
Hoje, ele é a personalidade escolhida pelo Jornal FOLHA do SUL para contar sua história, em um especial dedicado ao Dia do Trabalhador.

A lida diária
Há 25 anos Duarte iniciou sua atuação no ramo, dos quais nove já são dedicados ao trabalho na Cabanha Capanegra, localizada às margens da RSC-473, entre Bagé e Lavras do Sul. Ali, ele e mais três companheiros desempenham atividades diárias para garantir os cuidados necessários de 15 cavalos crioulos.
A rotina inicia cedo. “O primeiro trabalho é tratar os animais. Depois os escovamos. Isso ocorre de três a quatro vezes ao dia”, conta. Durante as atividades, lembra ele, um dos principais focos é o treino. “Temos que encilhar e levar os cavalos para o campo. Lá, treinamos o galope, o trote. É importante para que eles estejam preparados para as provas em competições”, argumenta.
Logo após os treinamentos, os cuidados exigem até mesmo banho. “Serve para limpar o suor dos animais”, comenta. Em paralelo, os cabanheiros se revezam na limpeza das cocheiras – ações presentes no cotidiano dos trabalhadores.
A alimentação também exige dedicação. “São três refeições por dia: com alfafa, pasto verde e ração concentrada. Isso além das pastagens que os animais fazem a campo”, salienta. A lida só termina à noite, por volta das 21h, com o trato de água. No dia seguinte, tudo se repete.

O resultado da competência
Tantos cuidados com os animais trazem resultados. Nos estábulos, por exemplo, um dos destaques é o Capanegra Jacarta. Aos 10 anos ele ainda compete. Em seu repertório, conquistas significativas. “Ele já foi quarto colocado no Bocal de Ouro e quinto no Freio de Ouro, isto há uns seis anos. Atualmente ele é o ‘pai’ da Cabanha”, diz o ginete.
Já entre os promissores, Duarte apresenta a fêmea Capanegra Oiaguinda, de cinco anos. Durante a entrevista, foi ela a escolhida para posar nas fotos que ilustram a reportagem. “Estamos preparando ela para a classificatória que vai ter em Rio Grande, para o Freio de Ouro”, relata.
Na função, detalha ele, o cavalo passa pelo processo de doma aos dois anos. “A partir dos quatro está pronto para competir”, garante.

Uma vida em meio ao campo
Duarte pode dizer que sua vida é um exemplo de dedicação contínua ao trabalho. Até porque reside na Cabanha. Na verdade, sua casa, com toda a estrutura adequada, fica anexa aos estábulos. Ali, ele vive com sua esposa e três filhos.
“Faça chuva ou sol, seja feriado ou não, estamos sempre focados no trabalho”, afirma ao explicar que trata-se de uma opção cultivada pela paixão ao meio rural.
Questionado sobre a possibilidade de atuar em outra área profissional, ele é direto: “eu pretendo trabalhar assim enquanto for possível. Não me vejo fazendo outra coisa”, finaliza.

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