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Um por todos, todos por um
Publicado em 17/08/2019

Política

A mensagem que a série do filme “os Três Mosqueteiros” nos deixou em nossa infância, com certeza, não foi entendida pela maioria dos políticos. Talvez porque ao invés de três, eram quatro mosqueteiros. O que estamos presenciando no dia a dia da política atual é exatamente o oposto ao que o autor do livro, Alexandre Dumas, que é a base da série cinematográfica, tentou nos ensinar. No Brasil de hoje, a versão é “Todos contra todos”. Força-tarefa da Lava Jato procura encrenca com o Supremo. Por sua vez, o Supremo quer tirar Dallangnol da coordenação da força-tarefa. O ministro Moro quer segurá-lo. A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, quer continuar com a investigação contra o procedimento da equipe de Moro, então juiz em Curitiba. Quer que seja aceito as denúncias do jornalista Gleen, mas, ao mesmo tempo, quer punição a quem invadiu a privacidade dos componentes da força-tarefa. O Congresso está mostrando ao presidente que a força na democracia está com o Legislativo. Bolsonaro já provocou uma discussão até com o Rodrigo Maia. As instituições estão em “pé de guerra”. A superintendência da Polícia Federal em Curitiba, solicitou a transferência de Lula para São Paulo, o Supremo não permitiu. A defesa de Lula quer a suspeição de Moro e sua equipe, baseado nas matérias divulgadas pela imprensa, de “cópias ilegais dos hackers”. O presidente do Supremo também quer. Raquel Dodge, procuradora da República, teria barrado a investigação de Bolsonaro, enquanto articulava para se manter no cargo. Ou seja, tudo estava parado esperando a decisão se ela seria ou não confirmada no cargo. Agora, o presidente Bolsonaro entra em choque com a polícia federal. Sua declaração de ontem pela manhã, na entrada do Palácio, colocou “lenha na fogueira”: “Todos os ministérios são passíveis de mudança. Vou mudar, por exemplo, o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Motivos? Gestão e produtividade”. Causou surpresa em geral e a reação veio a seguir. Segundo as nota emitida pela Polícia, a troca de comando estava programada para os próximos dias, “a partir de um acerto entre Valeixo, superintendente-geral da Polícia Federal (o mesmo que pediu a transferência de Lula para São Paulo) e Moro, ministro da Justiça. A substituição de Ricardo Saadi, atual chefe, por Carlos Henrique Oliveira, lotado em Pernambuco, era um pedido dos dois delegados. Enquanto Saadi pretendia atuar em Brasília, Oliveira queria a transferência para a superintendência fluminense”. A grita maior, que teria causado constrangimento, segundo a nota, “não há registro de um presidente se envolvendo diretamente na substituição de policiais, algo de atribuição exclusiva do diretor-geral da PF, ainda por cima criticando a “produtividade” de um delegado e expondo a categoria em público”. Aqui entro em campo, movido pela desconfiança e faço um pergunta: Quem disse que presidente da República não se mete na substituição de agentes públicos federais, não conhece os meandros da política. Pode não declarar publicamente, mas nada se faz sem o conhecimento do mandatário maior da república. A diferença é que, em outros governos, para manter a base política unida, fazia consulta a seus líderes antes de autorizar a nomeação de qualquer cargo federal. Bolsonaro é diferente.  Centraliza o jogo e mostra que quem manda é ele. Está errado? Para alguns está; para outros é uma coisa normal. A nota mais forte foi apresentada pelo Sindicato dos Delegados de Polícia Federal do Estado de São Paulo que foi fundo e manifestou seu repúdio às declarações de Bolsonaro porque, segundo eles: “A escolha de superintendentes compete ao diretor-geral da Polícia Federal, e a fala do presidente, mais que desrespeitosa, atenta contra a autonomia da Polícia Federal.” Continuo com a série da novela “morte da impunidade” (cada dia dou um nome à novela). Os leitores estão se apercebendo que as declarações do presidente Bolsonaro tem repercutido no mundo inteiro. Como sempre, tem quem aplauda e quem critique. Isso se chama democracia. O que acontece é que muita gente ainda está acostumada com a ditadura que não permitia que as “encrencas” internas no governo viessem a público. Hoje nada mais fica escondido embora muitos queiram abafar. Tudo o que relatamos na coluna de hoje, que propiciaram o título que encabeça a matéria (um por todos e todos por um), me faz lembrar de Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto), autor do “samba do Crioulo Doido”. Com tanta confusão política e pendengas oficiais, ele teria dificuldade em criar outro samba.      

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