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TRÊS TEMAS QUE ATINGEM O PRESIDENTE
Publicado em 25/11/2019

Política

O último final de semana não foi nada bom para o presidente da República. A Justiça de São Paulo, a ex-líder do PSL e a entrevista de Lula, de certa maneira atinge a autoridade maior do país. Vamos por etapa: “Justiça de São Paulo determina quebra de sigilos do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles”. Eles estão apurando há um bom tempo a possibilidade de enriquecimento ilícito do atual ministro, cujo patrimônio cresceu ‘demasiadamente’ nos últimos anos. Consta na matéria que, o Ministério Público paulista já havia solicitado os dados do ministro em duas ocasiões, mas havia sido negado pela Justiça. Agora veio a público. A promotoria Paulista levou em consideração a evolução patrimonial rápida, tendo como base “declarações de bens que ele mesmo prestou à Justiça Eleitoral”. Ricardo Salles nega qualquer irregularidade. Aliás, não ouvi nenhum (mas nenhum mesmo) denunciado por irregularidade, ‘confessar que é culpado’. A investigação começou em 2012 quando ele foi candidato a vereador por São Paulo. Ele declarou à Justiça Eleitoral patrimônio ao redor de um milhão e meio de reais. Seis anos após, 2018, quando candidato a deputado federal o patrimônio declarado foi de 8 milhões e meio de reais. Quando a notícia ‘vazou’ a imprensa foi atrás de outros detalhes. Um que chamou atenção foram os cargos que ocupou no governo Geraldo Alckmin. Entre março de 2013 e novembro de 2014, foi secretário particular do governador; entre 2016 e 2017, foi secretário do meio ambiente do governo paulista. O que me chamou atenção foi a nota do Ministério do Meio Ambiente: “Todos os rendimentos e bens do ministro foram declarados, não havendo nenhum receio acerca da análise de seus dados”. Contudo, é exatamente fundamentado nos dados de suas declarações que o MP pediu a quebra do sigilo. O crescimento patrimonial ‘elevado’ durante o período que exerceu funções públicas. Isso provocou a ‘desconfiança’ das autoridades. Tá?

Bolsonaro age como se fosse vereador

Joice Hasselmann defensora ferrenha da campanha de Bolsonaro, hoje está rompida com o presidente. Ex-líder do governo no Congresso concedeu uma entrevista onde analisa o governo atual. Do alto de sua expressiva votação (foi a deputada mais votada de São Paulo), ela contrariou o presidente quando ele arregimentou um movimento que derrubou o líder do PSL para colocar seu filho. E aqui ela confessa que Jair, contrariando o que sempre afirmou, entrou de cabeça na ‘velha política’. Leia: “Ele é o homem mais importante do país. Mas, às vezes, tem agido como se fosse um vereador. Quando pega o telefone para dizer ao deputado: ‘Vem aqui que vou te dar um carguinho para você votar no meu filho na lista de líderes’. Caramba! É para negociar o cargo de líder de um partido, uma coisa pequena quando se compara com um presidente da República eleito com 57 milhões de votos”. O filho do presidente conseguiu assumir o cargo de líder, pelo visto, com a participação do próprio pai que ofereceu um cargo para conquistar votos dos deputados do PSL. Conhecida no Brasil pela sua profissão, Joice é radialista, jornalista e Escritora, no momento, é a maior ‘pedra no sapato’ do presidente Bolsonaro. Ela continua no PSL, partido pelo qual pretende ser candidata à prefeitura de São Paulo, pelo PSL. Armada a encrenca. Certo?  

Lula e a entrevista ao The Guardian

O ex-presidente em entrevista ao Jornal Inglês afirmou que a crise na Bolívia o entristece profundamente. Por um lado, ele afirma que seu amigo Evo Morales, cometeu um erro ao tentar um quarto mandato como presidente. Só não disse qual o erro. Acontece, segundo informações da própria imprensa, que a Constituição da Bolívia, permite até duas reeleições. E isso ele já tinha cumprido. Tentou em plebiscito aprovação para mais um mandato e teria sido rejeitado pela população. Mesmo assim ele se candidatou. Ganhou a eleição ao ‘cometer fraude eleitoral’. E aí foi forçado a renunciar quando as instituições internacionais aconselharam uma nova eleição. Depois de relutar, com a ‘guerra civil’ se aproximando de seu país, caiu fora. Está exilado no México. Mas o país continua dividido. O Exército apoiou um governo provisório. A expectativa é a data de uma nova eleição.
São os fatos da semana que achei importante para a coluna de hoje, principalmente que estamos presenciando ‘revoltas’ do povo na Bolívia, Argentina e Chile. A única coisa que não queremos é um movimento semelhante no Brasil. Mas alguém tem que ‘dobrar’ a língua ao fazer declarações. O radicalismo aproxima os extremos, igual a uma ferradura. Concordam ou não?  

 

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