Uma nova análise será feita para confirmar o resultado
Teste negativo afasta suspeita de Covid–19 para óbito ocorrido em Bagé
Publicado em 06/04/2020

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Idoso foi internado com quadro de infecção pulmonar viral

Às 18h55min de sábado, 4 de abril, a coordenadoria de comunicação da Prefeitura de Bagé, emitiu nota informando o resultado do exame do óbito ocorrido na sexta-feira, dia 3 de abril, na Santa Casa de Caridade de Bagé. A amostra coletada de Carlos Mar Antunes Tomaz, 75 anos, foi enviada ao Laboratório Central de Saúde Pública do Rio Grande do Sul (Lacen/RS). A conclusão após os testes indicaram negativo para coronavírus.  A informação foi repassada ao município pela Secretaria Estadual de Saúde.

Conforme atesta a certidão de óbito de Tomaz, fornecida pela família, a causa da morte foi natural, provocada por infecção viral. No documento, consta ainda que contribuiu para o falecimento reação em cadeia polimerase coronavírus, tendo sido coletada  SWAB – PCR Covid-19 para análise clínica da possibilidade do contágio.

Segundo a viúva, Sandra Mara Costa Leite Tomaz, o marido havia internado na Santa Casa de Caridade de Bagé com quadro de pneumonia, os primeiros sintomas apareceram, cerca de uma semana antes da internação na ala de isolamento destinada aos casos suspeitos ou confirmados para coronavírus no hospital. “Ele (Carlos Mar) internou no sábado, dia 28 de março, com uma crise mais forte. Chegou ao Pronto-Atendimento e entrou pelo IPE. Já vinha sentindo mal-estar. Os médicos colocaram ele no isolamento, só tinha ele lá. Inclusive, deram Tamiflu. Na quarta-feira, teve muita tosse e realizaram outra tomografia”, contou Sandra.

A primeira tomografia pulmonar, documento fornecido pela família, datada de 29 de março, aponta que: “os achados são inespecíficos na determinação do agente etiológico, mas diante do contexto epidemiológico atual, a possibilidade do processo inflamatório infeccioso por agente viral pode ser considerada e valorizada conforme suspeita clínica”. O exame diz também não ser específico para pneumonia viral.

Na tomografia realizada no dia 1º de abril, o documento traz a seguinte interpretação: “foco de consolidação, com distribuição multifocal bilateral, com predomínio nos terços inferiores. Embora não sejam específicos, tais achados podem estar relacionados a suspeita clínica de pneumonia viral”.

Com a piora no quadro, Tomaz fora submetido a balão de oxigênio. “Na quarta (1º de abril), o Carlos começou com tosse e falta de ar, aí colocaram uma máscara de respiração nele. Mas ele ainda aparentava estar bem. Nos dias anteriores, ele levantava  e tomava banho. Na sexta-feira (3 de abril), ele disse que não ia tomar banho. Eu até brinquei, mas tu tá limpo toma banho todos os dias. A médica disse que ele não podia ficar se mexendo, tinha que ficar deitado. Deixei a bíblia para ele ler, ele era evangélico. Muito religioso”, lembrou Sandra.

Na sexta-feira, Sandra permaneceu 10 minutos na companhia de Carlos. As visitas à ala de isolamento não podiam passar de 15 minutos. A viúva recebia máscara e luvas para estar na presença do marido, com distanciamento. “Estive no hospital às 17h. Saí, peguei o ônibus das 18h, cheguei em casa e fui à igreja falar com o pastor para orar por ele. Às 19h, um pouquinho antes, me ligaram pedindo para eu ir até o hospital. Cheguei umas 19h10min, me vestiram da cabeça aos pés: touca, macacão, aqueles saquinhos para os pés, luva, máscara e me disseram que ele havia falecido”, relatou.

Carlos Mar Antunes Tomaz foi sepultado no Cemitério da Santa Casa de Bagé, às 2h. As pompas fúnebres respeitaram todos os protocolos sanitários para casos suspeitos de coronavírus.

Contato com o caso 01

Durante a entrevista, Sandra afirmou ter consultado no dia 12 de março, com o doutor Jorge Moussa. Alguns dias após a ida ao consultório, ela disse ter sentido sintomas gripais, como febre e dor no corpo. “Uma semana depois passou. E mais uns dias depois, acho que mais uma semana depois que me recuperei, o Carlos começou a sentir os sintomas. Mas como ele não tinha nenhum tipo de doença, era ativo e um pouco teimoso, demorou ir ao médico. Só foi quando piorou”, contou.

Teste passará por contraprova na FioCruz

Conforme a médica pneumologista, responsável pelo Centro de Operações de Emergência em Saúde da 7ª Coordenadoria Regional de Saúde (9CRS), Flávia Marzolla da Silveira, a amostra passará por contraprova no laboratório da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz) no Rio de Janeiro. O teste será refeito não só para coronavírus, mas também para suspeitas de infecção por Influenza A e B, sincicial respiratório, adenovírus, parainfluenza e outros tipos de patógenos similares.

“Esta amostra é dissecada na virologia. Ela ficando congelada, fica viável. Se daqui a uns três meses aparece um novo vírus, a amostra é utilizada para testar. A contraprova é feita para casos positivos e negativos, por isso demora”, salientou Flávia.

Ainda de acordo com Flávia, há 20% de chances de a contraprova indicar resultado positivo para coronavírus, sendo assim, outros 80% para a confirmação do primeiro resultado apontado negativo para o contágio.

“Todos os óbitos sem diagnóstico prévio bem definido e aqueles de origem respiratória, serão investigados para que sejam confirmadas ou afastadas as suspeitas para Covid–19, para que não tenhamos subnotificações”, elucidou.

Linha de contágio

Quanto ao contato dos familiares de Tomaz com o caso 01, e a possibilidade de contágio por esta linha de infecção, a pneumologista explicou que não teria correlação pelo tempo e o mais provável seria um contágio pela linha comunitária. “A consulta foi dia 12 de março, quando ela teve o contato. Ele (Carlos Tomaz) coletou com 20 dias de contato com o caso 01. Contudo, mesmo assim, foi feita coleta para não perdermos o caso. Sabíamos que epidemiologicamente era impossível o contágio, pois, se fosse, não é mais relação com o caso 01 porque tinha mais de 14 dias. Deveria ser contato com outro caso comunitário”, disse.

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