TEM QUEM SE META ONDE NÃO É CHAMADO
Publicado em 17/03/2020

Política

O coronavírus, para quem acompanha os noticiários, é a bola da vez na imprensa nacional e internacional. E ai está uma das funções da imprensa. Por isso muitos políticos aproveitam a oportunidade para ‘tirar sua ‘lasquinha’ e chamar atenção dos eleitores. Tenho lido muitos órgãos de imprensa (o faço todo o dia) onde se nota discussão totalmente sem fundamento. Algumas delas provocadas por quem tem poder. O presidente Bolsonaro é useiro e vezeiro em provocar discussões. Após ter incentivado as manifestações públicas contra o Congresso e a Justiça, na semana passada, ‘aconselhou’ seus seguidores a mudar a estratégia. Ou seja, que trocassem a manifestação por ‘panelaço”, para evitar aglomeração pública. Ao meu ver, o pedido teria dupla sentido. Mostrar que estava preocupado com a doença do momento, ou alguém lhe advertiu que o movimento poderia ser esvaziado pelo clima de terror que assola o país. Mas alguns correligionários foram às ruas em diversas capitais. Não na quantidade esperada, mas de qualquer maneira valia a pena. E o presidente foi ao encontro de manifestantes na volta do Palácio do Planalto. E aí o bicho pegou. O Legislativo, através dos presidente da Câmara e do Senado, fez muitas críticas ao presidente da República. Ora bolas, se as autoridades em saúde têm aconselhado a população só ‘sair’ para as ruas em caso de extrema necessidade, o exemplo dado pelo presidente não é dos melhores. A oposição criticou veementemente. É ano eleitoral onde o espaço midiático deve ser usado. O exemplo do presidente gerou pedidos que tiveram espaço na imprensa. Leiam:

Delmasso pede suspensão de voos em Brasília 
A colunista Ana Maria Campos, do CB, abriu seu comentário de ontem, segunda-feira, com a seguinte matéria: “O vice-presidente da Câmara Legislativa, Rodrigo Delmasso (Republicanos), quer fechar o Aeroporto Internacional de Brasília Juscelino Kubitschek para conter a disseminação do novo coronavírus”. O deputado distrital nada mais queria do que ‘aparecer’ na imprensa. Como se sabe, os aeroportos são concessões do governo Federal e só ele tem autoridade para tomar decisões desta envergadura. O deputado enviou ofício à administradora do aeroporto, Inframérica, com pedido de que sejam suspensos todos os pousos e decolagens de voos com precedência internacional. No ofício, ele pede que “todos os passageiros procedentes de cidades em que foram registrados mais casos de Covid-19 sejam submetidos à triagem da vigilância sanitária antes de desembarcarem”. A primeira coisa que me veio à mente foi: será que eu entendi? É muito simples, se ele pede a suspensão de todos os ‘pousos e decolagens’ para que a triagem da vigilância sanitária? Simplesmente estará proibido viajar a Brasília. Menos mal que o administrador do aeroporto enviou resposta à altura do pedido: “A Inframérica informa que ainda não recebeu o referido ofício e que, portanto, só irá se manifestar quando for oficialmente informada. Importante ressaltar que, a competência para legislar sobre a infraestrutura aeroportuária é da União, com quem temos um contrato de concessão. E não há nenhuma decisão dos órgãos federais neste sentido. A prestação do serviço aeroportuário e as operações aéreas continuam ocorrendo normalmente”. Os leitores notaram que o pedido chegou primeiro à imprensa. O que prova que o deputado estava mais interessado na divulgação do que na solução do problema. Politicagem pura. Ganhou o espaço que queria. Concordam? 
Fabricação e venda de derivados da Cannabis
A Anvisa (Agência Nacional de vigilância Sanitária) liberou os produtos derivados da Cannabis (maconha), para fins medicinais. A norma foi aprovada em dezembro do ano passado. O produto estará disponível somente em farmácias sem manipulação e em drogarias. Para a compra, a pessoa deverá ter uma receita fornecida exclusivamente por um médico. A entrada no mercado só poderá ocorrer mediante autorização da agência, que avaliará os pleitos de laboratórios e empresas com vistas à atuação nessa área e fornecerá uma autorização sanitária e não um registro, permitindo a oferta. Não preciso reafirmar que sou desconfiado por natureza. A dureza da vida e declarações oficiais me deixam alerta. Um dos médicos mais combativos contra qualquer coisa que seja derivada da maconha, Osmar Terra, não teria saído do ministério de Bolsonaro, exatamente contrariado com a decisão da Anvisa? O dia que puder entrevistar o deputado abordarei o tema. Ele foi um dos maiores críticos quando o Uruguai regulamentou o uso da maconha. Lembram?

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