Taxistas e mototaxistas relatam impactos a partir da expansão do coronavírus
Publicado em 28/03/2020

Geral

Foto: Thaís Nunes

Profissionais reclamam da pouca procura por corridas

A expansão do coronavírus mudou radicalmente as rotinas em todas as cidades do Brasil. Isso porque devido aos cuidados para que não ocorra exposição ao Covid-19, governos estaduais e municipais passaram a restringir o movimento de pessoas, abertura de comércios e demais serviços nas cidades. Em Bagé, com o decreto de calamidade pública, e uma série de medidas que passaram a valer desde a semana passada, a principal recomendação é de que só saiam às ruas àqueles que necessitam, principalmente em função das atividades profissionais serem consideradas essenciais. Com uma situação em que apenas estabelecimentos comerciais como supermercados, postos de combustível e farmácias, estão abertos para o público. Tudo isso acaba afetando algumas categorias de trabalhadores, como, por exemplo, os taxistas e mototaxistas. 
O mototaxista Daniel Simões Silva ressalta que a situação está preocupante, devido à queda no movimento de pessoas no centro da cidade. "Reconhecemos a gravidade da situação em função da doença e dos cuidados que precisam ser tomados, mas nossa categoria está muito impactada. Meu questionamento para as autoridades é como ficará a nossa situação, pois pagamos impostos, temos os gastos para manter as nossas famílias e como vamos tirar nossos sustentos enfrentando essa crise. Não há álcool em gel e nem máscaras, mas precisamos estar aqui na rua, na esperança de que alguém precise de uma corrida. É muito complicado isso", declara.
O representante da Comissão Provisória do Sindicato dos Taxistas de Bagé, Ronald Techera, aponta que a pandemia é mais um problema que surge para os profissionais. "Já vínhamos de uma grave recessão que nos afetava de 20 a 25%. Depois entraram os serviços de aplicativo, mais 30% em queda para os taxistas e agora o coronavírus. Fica muito difícil enfrentar tudo isso. Os trabalhadores que conseguiram ter uma reserva, esses podem ficar em casa, mas os que não podem têm que irem para a rua tentar alguma corrida. Sei de colegas que faziam uma média de 15 a 20 corridas e, hoje, vão para as praças, ficam de 15 a 18 horas, e voltam para casa sem nada. É uma condição que afeta a gente e todo o comércio, que da noite para o dia, tem que enfrentar", afirma. O dirigente reitera que espera que o panorama mude em breve para que os profissionais da área possam voltar a ter o ritmo tradicional de serviços. 

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