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Setembro Amarelo
Suicídio: Religiosos falam sobre uma das maiores "chagas " da humanidade
Publicado em 12/09/2019

Geral

Foto: Divulgação/FS

Bispo de Rio Grande e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB, dom Ricardo Hoepers

No mês de prevenção ao suicídio, conhecido como Setembro Amarelo, acontecem diversas atividades em todo o Brasil com o objetivo de alertar as pessoas sobre a importância do tema. Segundo o Centro de Valorização da Vida (CVV), a cada 45 minutos uma pessoa se suicida no país.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio já é a segunda causa de morte, entre jovens de 15 a 29 anos, no mundo. No Brasil, já é a quarta maior. Dados da OMS apontam que 32 brasileiros se suicidam diariamente.

O  bispo de Rio Grande e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Ricardo Hoepers, alerta sobre a importância de conversar sobre o suicídio. “Não podemos deixar de debater e aprofundar esse tema em nossas famílias, escolas, comunidades, entre os amigos, bem como na saúde pública. Todos temos a responsabilidade de ajudar a diminuir os índices de suicídio que temos visto crescer em todas as faixas etárias, principalmente entre os jovens”, pontua o prelado.

Importância da ajuda e o não julgamento

Na entrevista publicada pela CNBB, o religioso chama atenção para a importância da ajuda e o não julgamento. Hoepers acrescenta que uma vontade suicida pode ir crescendo envolta de uma série de sinais. Como exemplo, o bispo cita as síndromes depressivas, uso indevido e abusivo de psicotrópicos, constantes frustrações, isolamento radical, uso abusivo de drogas, atos constantes de violência contra si e contra os outros e falta de sentido da vida.

O jornal Folha do Sul conversou com lideranças religiosas sobre o assunto. O objetivo é saber como as religiões tratam sobre esse tema com os fiéis e como procura orientar a respeito do problema.

A reverenda da Igreja Anglicana do Brasil, Ana Maria Esvael Lopes, diz que nunca recebeu alguém com comportamento suicida. No entanto, segundo a religiosa, famílias procuraram a igreja depois de enfrentar casos de suicídio. A reverenda fala sobre a importância da oração e do conforto aos familiares. Mas também frisa que é sugerido o tratamento médico. “Não podemos esquecer que a depressão pode desencadear o atentado a própria vida, por isso encaminhamos as pessoas para um acompanhamento médico”, conta.

A religiosa cita a CVV que realiza apoio emocional e prevenção ao suicídio, que presta atendimento voluntário e de forma gratuita a todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail e chat 24 horas.

Fluidoterapia e redes sociais como auxílio

O sacerdote umbandista do Centro Universalista Nova Era, Veraldo Lima de Souza, enfatiza que o papel da religião é tratar o espírito. Porém, lembra que o tratamento físico de quem apresenta comportamento suicida deve ser por meio de médicos especializados. Há mais de 60 anos como umbandistas, o religioso declara já ter vivenciado diversas situações, como crianças que se mutilam e idosos que tentaram tirar a própria vida. Souza descreve que o método usado na Umbanda é de fluidoterapia – chamado também de passe ou energização-. “A prática ajuda as pessoas a se sentirem melhor”, garante. O sacerdote relata que palestras são realizadas no Centro Universalista Nova Era, com o objetivo de auxiliar as pessoas com uma palavra de conforto, além de uma conversa.

O pastor Tiago Ximendes conta que na igreja evangélica Aviva Sul Church, é feito um trabalho por meio das redes sociais. Ele comenta que há cerca de dois anos, quando o templo surgiu em Bagé, uma página em rede social foi criada para divulgar atividades da igreja. Além disso, são postadas mensagens motivacionais  todos os dias, como forma de disseminar “a palavra de Deus”. De acordo com Ximendes, as pessoas começaram a enviar mensagens com relatos que essas mensagens ajudam em momentos de tristeza e de pensamentos “ruins”. “Na rede social, começamos a receber fotos de pessoas com armas e remédios para se suicidar. A partir dali, começamos a desenvolver por meio da conversa a palavra de conforto as pessoas no sentido de ter esperança para viver”, detalha. De acordo com o pastor, além das redes sociais, todo o domingo, ele e os participantes da Aviva Sul estão na praça de Esportes para conversar com quem frequenta o local.

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