Sucesso de usinas a carvão depende de valor oferecido pelo governo em leilão
Publicado em 13/08/2014

Editorial

por Felipe Valduga
felipelvalduga@gmail.com

As audiências públicas realizadas na região pelo Ibama e pela empresa Tractebel, que buscam a liberação das licenças ambientais ao projeto da Usina Termelétrica Pampa Sul, reacenderam as expectativas de concretização de uma nova grande obra na Campanha gaúcha. Os eventos, iniciados na segunda-feira em Candiota, complementados ontem em Hulha Negra, serão encerrados hoje, em Bagé, às 18h30min, no auditório do centro cultural do Museu Dom Diogo de Souza.
Tal iniciativa, contudo, tem como objetivo a garantia de que o empreendimento possa “concorrer” nos famosos leilões de energia – chamados A -5 – que o governo federal realiza para comprar energia junto às empresas. O próximo está agendado para 30 de setembro. Será nesse momento que, de fato, a concretização da obra se tornará viável ou não.
E é preciso atenção. E sensibilidade do governo sobre o tema. Acontece que, no último pleito, ano passado, o preço-teto ofertado por megawatt (MW) foi de R$ 144: o mesmo valor pago pela última usina a carvão vitoriosa, ainda em 2008. Ou seja, não foram levados em consideração que, desde aquele ano, os custos subiram substancialmente, em especial os que tratam da mão de obra.
Representantes do setor carbonífero estimam que uma cifra satisfatória giraria em torno de R$ 180 por MW – não menos que isso. As empresas, por sua vez, não revelam suas necessidades, até mesmo porque concorrerão umas com as outras. E o menor preço vence. Assim, entende-se o silêncio.
Na prática, então, tudo depende do governo. E depende mesmo. Somando-se à Pampa Sul, prevista para Candiota, a Eneva (antiga MPX) mantém seu projeto da UTE Seival pronto, este já com as licenças concedidas. Além deles, a CTSul, para Cachoeira do Sul, deve entrar na disputa. Ou seja, não deve faltar concorrência.
Mas ainda será preciso preço pelo produto. O valor, aliás, deve ser anunciado entre o final de agosto e o início de setembro.
E se já de conhecimento notório que as termelétricas garantem segurança ao sistema energético, algo ainda não alcançado pelas usinas de fontes renováveis – como eólicas – é entendível que o governo ceda e pague um valor aceitável. Caso contrário, para evitar os temíveis apagões, precisará seguir comprando a energia oferecida no mercado à vista que, quando envolve as térmicas, faz com que o preço suba para até R$ 800 o megawatt/hora. Paga muito mais pelo mesmo serviço. Quem sabe esteja na hora de reavaliar a situação.

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