SOCIAL 7 DE JULHO
Publicado em 07/07/2020

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Foto: Divulgação/FS

Escritora Edy Lima – 96 anos - amiga até de Monteiro Lobato, uau!

ANIVERSÁRIO, hoje (7), da escritora Edy Maria Dutra da Costa Lima, ou simplesmente Edy Lima, “a voadora”. Nascida em Bagé, em 1924, autora de muitos livros, alguns traduzidos para o espanhol, italiano e catalão. Sua obra já lhe rendeu diversos prêmios, como o Jabuti, o da Associação Paulista dos Críticos de Arte e o do Serviço Nacional de Teatro, entre outros. É jornalista, trabalhou na imprensa, editou e produziu discos para crianças, escreveu novelas para TV e peças para teatro. Morou durante muito tempo no Rio; depois São Paulo onde reside até hoje.

ABRO parênteses para lhes contar este detalhezinho: entre todos os apreciadores da obra de Edy Lima, não conheci ninguém mais “devota” do que a professora Dora Garcia Simões. Nas conversas com os amigos ou em sala de aula com alunos, ela citava a escritora como a referência melhor para quem desejasse adquirir gosto pela leitura. Pena que a maioria não seguia os aconselhamentos da professora Dora.

EDY LIMA publicou, em 1972, seu livro mais traduzido “A vaca voadora”, que teve sequência: A vaca na selva, “A vaca deslumbrada”, “A vaca proibida”, “A vaca submarina”, “A vaca invisível”, “A vaca misteriosa”. Escreveu, ao todo, cerca de  50 livros, entre eles: Uma aventura pela história do Brasil, Minuano, Flutuando no ar, Mãe que faz e acontece, Mãe assim quero pra mim, Linha reta e linha curva (vários autores), A gente e as outras gentes, Bicho de todo jeito e feitio, Presente de amigo e inimigo, A escola nossa de cada dia, A quadratura do círculo. Aplausos!

JORNALISTA,  Edy Lima foi também editora de fascículos e produtora de discos para crianças – Clássicos Disney). Escreveu peças de teatro e fez parte do seminário do Teatro de Arena de São Paulo, onde estreou a peça “A Farsa da esposa perfeita”, com direção de Augusto Boal. Na televisão, Edy Lima destaque para novela “Como salvar meu casamento” na extinta TV Tupi.

COMENTÁRIO muito particular deste colunista: quando Edy Lima foi indicada ao Bravo (anos 90), pela escultura Graça Dolores (obra dela a estatueta do Bravo, lembram?), a escritora não pode comparecer, agenda profissional intensa a impossibilitou sair de São Paulo. Então, ela escreveu uma mensagem em forma de carta argumentativa que eu ainda guardo comigo. Precisam ver que luxo de texto; nele ela recorda a infância em Bagé e as férias vividas em Lavras do Sul onde tinha familiares. 

TODA a obra da escritora é posicionada em relação à situação da mulher em sociedade, o que foi ressaltado na tese de doutorado “O feminino na literatura infantil e juvenil brasileira: poder, desejo, memória” (UFRJ, 1995) da dra. Rosa Maria Cuba Riche. Nessa tese, algumas frases sobre as personagens de Edy Lima, tais como: "Essas mulheres (as personagens) são inteligentes, sábias, conscientes do seu potencial." "A coragem é outro atributo da personagem feminina edyliana, e é essa mesma coragem que marca a vida de Edy, desde sua entrada, em 1945, num mercado de trabalho masculino (na época) como o jornalismo. Muitas vezes, a autora, em sua obra, recorre a símbolos ligados ao universo feminino como a 'vaca', o 'ovo', a 'mãe', a 'onça' e a 'casa'. Através do resgate desses símbolos ancestrais, adormecidos no inconsciente do homem pós-moderno, Edy faz uma crítica aos meios de comunicação de massa que oferecem ao espectador uma visão simulada da realidade. Edy Lima faz parte do grupo de autores que coloca em sua obra a esperança de um mundo mais justo, onde papéis sociais se equilibrem, dialoguem na grande utopia dessa passagem de século.”

A ESCRITORA Edy Lima é a personagem homenageada nesta Semana de Bagé 2020 – de 10 a 17 de julho – pela prefeitura e secretaria de Cultura e Turismo. Inclusive, vai rolar, hoje, nas redes sociais: “Falando em Arte” com depoimentos sobre a obra da escritora; Sapiran Brito, entre outros, ele foi quem montou a peça “A Farsa da esposa perfeita”. Imagino que Heloísa Beckman deva pronunciar-se também, ela fez todos os contatos com Edy Lima em São Paulo.  Aplausos!

SERVIÇO: Outra atividade interessante nesta Semana de Bagé, de 10 a 17,  nas mídias sociais da prefeitura, da Secult e, em especial, nas da Biblioteca Otávio Santos, depoimentos de bageenses ilustres saudando os 209 anos da cidade: Tânia Carvalho, Luiz Coronel, Marcelo Caminha, Rodrigo Tavares, Marcos Machado, Eurico Salis, Silvia Martins, Chico Botelho, Wagner Brasil, Glória  Corbetta, Juca Giorgis, Rachid Karam, Isabela Fogaça, Ana Luísa Antunes, Rubens Oliveira, Antônio Nocchi Kalil, Ana Clara Garmêndia, Ricardo Lugris e Michel Godinho, que gravou poesia de Mercinha Nascimento. Aplausos!     

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