SOCIAL 14 DE MAIO
Publicado em 14/05/2020

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Foto: Divulgação/FS

Fábio Lucas e a coleção de Mary Gregory

"Colecionar artefatos belos ou simplesmente curiosos é uma atividade que acompanha o homem desde as  civilizações mais antigas".

COLECIONADOR de antiguidades e obras de  arte, Fábio Silveira Lucas cultiva, há 25 anos, essa paixão. Começou garimpando peças nas estâncias do interior e nos casarões de Bagé. Depois, em antiquários  de: Pelotas,  Porto Alegre, Rio de Janeiro, Montevidéu, Buenos Aires, Nova York, Orlando, Miami, Londres, Paris, Roma, Veneza e várias outras partes do mundo.  Hoje, ele adquire e comercializa  peças pela internet. Estudioso do assunto, Fábio já esteve nos quatro maiores e mais conceituados museus do mundo em termos de arte: Louvre, Paris; Museu de Britisch, Londres;  Metropolitam, Nova York; visitou até o museu do Vaticano, Itália.  "Entender uma arte ou um estilo nos moldes  que vivemos,  hoje, é incompreensível,  porém, se nos transportarmos no tempo e tentarmos enxergar com o olhar daquela época, nos fascinaremos com a compreensão desses legados", declara. Hoje, ele compartilha com nossos leitores um pouco de seu conhecimento sobre antiguidades.   

1- Quando tu começaste a acumular objetos antigos? Sempre gostaste deles?

Fábio - Desde criança;  meu pai e minha mãe viajavam e me traziam de presente  miniaturas de apontadores em metal. Então,  comecei a colecioná-los; essa  foi a primeira coleção que fiz. Sempre gostei de colecionar objetos, meu pai colecionava isqueiros,  canetas, relógios de pulso e rádios. Acho que herdei o gosto dele. Mais tarde, vieram as porcelanas e os cristais, isso há 25 anos.  As primeiras peças  que adquiri foram as xícaras isabelinas ou vitorianas, em seguida as xícaras japonesas, casca de ovo, que vi na casa de um amigo. Nunca mais parei de “juntar coisas”: biscuits, as Mary Gregory, pratos de parede, ambarinas ou Carnival Glass, bibelôs, muranos vermelhos, azuis  e verdes,  vidros venezianos, opalinas, manteigueiras, licoreiras,  biscoiteiras, bandejas de majólica, petits bronzes, faianças, miniaturas, santos em madeira, quadros e outros objetos decorativos que tenho espalhados pela casa toda.

2-  E quais os objetos que tu já tiveste e não tens mais? Sempre colecionaste de tudo?

Fábio - Dos objetos que coleciono, tenho todos que adquiri, nunca me desfiz de nenhum; vendo apenas os repetidos, ou os que compro para revender na loja. Tenho todos aqui desde o primeiro que adquiri até o último que  comprei há poucos dias.

Comecei com as porcelanas, mas de tanto conviver com objetos antigos meu gosto foi refinando e mudando, hoje gosto de todas  as peças antigas por conterem arte e história.

3 - Quando tu percebeste que poderias trabalhar com  comércio de antiguidades? 

Fábio - Há  cinco anos,  quando muitos amigos que me  visitavam queriam comprar as minhas peças, daí começaram a me fazer encomendas, virou um comércio. Também pensei no lado bom, quando me oferecerem peças já as compro para minha coleção também. Esses foram os fatores que mais pesaram na hora de iniciar minha loja. 

4- Ser empreendedor em uma loja física é muito diferente de ter uma loja virtual. Tu tens as duas modalidades de loja, quais os desafios?

Fábio – Sim, é bem diferente. Na loja física tenho que estar disponível no horário comercial diariamente. E na virtual o objeto se vende sozinho. O único trabalho é o de embalar as peças e enviá-las pelo sedex. Sem falar que a probabilidade de venda pela internet é muito maior, as peças ficam expostas para os compradores de  todo o Brasil.

5- Quais  peças mais atraem a atenção dos teus clientes?

Fábio – Acho que porcelanas, cristais Baccarat, bronzes, opalinas, estatuetas e vidros caramelados. Tenho alguns  clientes colecionadores, então, já adquiro peças que sei que eles vão comprar de mim.

6- Por que objetos antigos são tão fascinantes? 

Fábio - Por vários motivos, as  peças eram manufaturadas à mão, pintadas à mão, esculpidas à mão, sendo que a maioria dos objetos levavam vários dias para ficar prontos. Assim, peças antigas são dotadas de arte, isso é o que realmente mais fascina em cada uma; elas atravessaram várias gerações, carregam histórias. Pela riqueza dos detalhes que apresentam são consideradas verdadeiras obras de arte. 

7- Está cada vez mais difícil encontrar peças boas no Brasil e no mundo. Como tu ainda as consegues?

Fábio -  Essa é uma atividade  incessante. Estou sempre as procurando em casas particulares, briques, antiquários, feiras de antiguidades, leilões virtuais em Porto Alegre, Florianópolis, Rio e São Paulo. Sempre há alguém vendendo e se desfazendo de objetos antigos;  então estou sempre garimpando.

8- Além de comerciante  de antiguidades, tu és  colecionador. Se fosses iniciar outra coleção que tipo de objeto escolherias?

Fábio - São tantos, difícil decidir: estátuas criselefantinas (aquelas com placas finas esculpidas em marfim), paliteiros, facas de prata, tinteiros com figuras, porcelana de Meissen (a primeira porcelana de pasta dura da Europa, desenvolvida a partir de 1708),  relógios de mesa, escarradeiras, jogos de lavatório, objetos em mármore e alabastro, esculturas em marfim. 

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