Vereador analisa trajetória política, não revela planos para futuro e trata de questões como diárias, trocas de partido, nepotismo e relacionamento com vereadores
Sílvio Machado solta o verbo
Publicado em 24/10/2012

Política

Foto: Emanuel Müller/EspecialFS

Machado não revela suas metas após encerramento do mandato

Na manhã de ontem, o presidente do Legislativo, Sílvio Machado (PT), recebeu a reportagem dos jornais da cidade, dentre eles a FOLHA do SUL para um bate-papo. Aos 62 anos, tendo os últimos 12 dedicados à política partidária, Machado despede-se da Câmara no fim de 2012. Passou três dos últimos quatro anos na presidência da Casa – aliás, mesma função ocupada nas outras duas legislaturas. Na entrevista, abordou o fato de que talvez a experiência política e administrativa tenha sido essencial para estar ocupando o cargo. Machado alerta que, muitas vezes, o Legislativo não recebe a devida atenção. “O órgão mais importante da comunidade é a Câmara de Vereadores”, sustenta.

Início
O primeiro mandato de Machado foi em 2001. Elegeu-se pelo PFL (hoje DEM,) mas ficou por pouco tempo, indo para o PT. Considera como essência de seu trabalho tratar a todos da mesma maneira. Mesmo assim, o começo na vida política após atuar no tradicionalismo, não foi fácil. “Quando assumi a Câmara, em 2001, paguei dívidas e coloquei o salário dos funcionários em dia, já que não haviam recebido o mês de dezembro de 2000”, recorda. Outra dificuldade era o relacionamento com o Executivo. Até que de um problema começou uma mudança de comportamento. “Aceguá, recém-emancipada, precisava de máquinas do município mãe, no caso Bagé. Que ficou com um equipamento sucateado. Conseguimos economizar, para em dois meses, devolvermos dinheiro ao Executivo para a compra de uma retroescavadeira e uma patrola. A Prefeitura fez o mesmo. Assim teve execução o parque de máquinas iniciado por (Luiz Fernando) Mainardi e que Dudu (Colombo) deu continuidade”, salienta Machado.

TV Câmara
O presidente assegura que a comunidade entendeu e aceitou a proposta da TV Câmara, de mostrar à população um trabalho que não era conhecido. O resultado é que tanto a abrangência, com possibilidade de transmissão em sinal aberto a partir de 2013, como a estrutura devem ser melhoradas. A previsão orçamentária para o funcionamento da emissora em 2012 é de R$ 235 mil – mas até 23 de outubro o investimento foi de cerca de R$ 125 mil. Para aumentar o valor é necessário elaborar uma lei específica no Plano Plurianual. “Já cogitamos de terceirizar a TV Câmara porque não é necessário apenas ter repórteres, mas uma programação. Mas isso não é para agora”, acrescenta Machado.

Concurso público
Com a aposentadoria de assessores legislativos e ampliação da TV Câmara, a dúvida é se haverá concurso público para preenchimento de vagas. O presidente diz que não vê necessidade em alguns setores. “Temos é que aperfeiçoar as pessoas que estão aqui. Não acho necessário fazer concurso, com exceção de alguns setores. No caso da TV Câmara eu vejo essa necessidade”, ratifica.

Prédio
Machado considera que o atual imóvel onde está o Legislativo não comporta mais as condições para atenção aos vereadores e à própria comunidade. Destaca a necessidade de um elevador para o acesso de pessoas com deficiência ou mesmo um gerador de energia elétrica. “Na situação atual não é possível. Não temos onde colocar”, argumenta. A Câmara dispunha de um orçamento de R$ 4 milhões para um prédio novo no começo da atual legislatura. Machado conta que tentou obter junto à Prefeitura uma área. O mais perto que se chegou foi em um prédio na rua Caetano Gonçalves, mas uma situação relativa a dívidas teria esfriado o negócio. Conforme o presidente, os proprietários estariam dispostos a conversar sobre o aproveitamento do imóvel, mas a conversa não teve encaminhamentos. “Nos ofereceram algumas áreas. Mas como o encerramento de mandato não há como fazer compromisso nenhum”, reitera.


Controle de ponto dos CCs  
Sobre as denúncias encaminhadas ao Ministério Público da presença de funcionários fantasmas no Legislativo, (o MP solicitou informações funcionais e não constatou anormalidade), Machado diz que cabe ao Judiciário realizar investigações. Os assessores denunciados passaram por sindicância e foram exonerados pela Presidência da Câmara. O presidente destaca que irá acatar a recomendação do MP para que os assessores parlamentares tenham o ponto controlado. “Temos dois meses para isso ocorrer, mas tenho que tomar uma atitude, já que o prazo vai até o fim do meu mandato”, confirma.

Nepotismo
Machado considera que nepotismo é quando há aumento da renda familiar de pessoas que aproveitam o serviço público para empregar parentes e vivem sob o mesmo teto. “O único crime que cometi em 12 anos foi empregar parentes, que trabalham muito”, manifesta. O presidente acredita que o resultado das eleições – onde seu genro Rafael Fuca foi eleito – demonstra que ele tem crédito junto à população. “Meu filho e meu genro são concursados. Da forma que a denúncia foi feita, não foi algo para moralizar, e sim por questões pessoais, porque havia voltado ao PT”, frisa.

Saída de partidos e cumprimento de acordo
“O partido estava implodindo. E assim o foi”, acentua Machado, ao recordar sua saída do PFL. Garante que foi para o PT para poder trabalhar melhor pela sociedade. O mesmo motivo que o levou ao PTB. O qual, admite, ter sido um dos seus maiores erros políticos. “Eu queria vôos maiores, fui para ser candidato a prefeito ou vice. Tenho consciência de que se fosse candidato a vereador me elegeria de novo”, pondera. O presidente conta que recebeu convites de outros partidos, como PDT, PP e PSB para ingressar nas fileiras. A decisão foi pelo PT. Embora questionado se foi convidado ou decidiu voltar por conta própria, o presidente desconversa. “As propostas de outros partidos não são iguais as do PT”, analisa.
Sobre o fato de não ter cumprido o acordo que garantiria a presidência da Câmara em 2012 para Jussara Carpes (PSD), Machado contesta o ocorrido. “Não me tirem para bobo. Eu cumpri minha palavra, fui para o PTB. Quando eu cheguei lá, nada do que fora combinado comigo aconteceu. Cadê o acordo? Fui eleito para um mandato de dois anos na presidência, é o que diz a lei”, desabafa. O presidente garante que apesar das cobranças, sempre teve o silêncio como melhor resposta. E alfineta os adversários. “Quem ganhou com isso? A Jussara nem eleita foi. Onde é que estão o Edegar Franco e a Adriana (Lara)?”, questiona.

Orçamento do Legislativo, reformas  e diárias
Atualmente a Câmara de Vereadores recebe da Prefeitura cerca de R$ 450 mil mensais, dentro do duodécimo. Uma ação política entre Executivo e Legislativo acaba destinando o valor das sobras para outras finalidades – como é o caso de R$ 20 mil mensais para o Pronto-Socorro. Para 2013 os números vão mudar. Mas deve-se esperar os valores oficiais por parte da Prefeitura sobre o orçamento para o próximo ano –  hoje existe uma estimativa com base até agosto de 2012. Deixar a Câmara pronta para uma legislatura com 17 vereadores será um desafio. “Com o orçamento atual será difícil manter a estrutura dos gabinetes com três assessores”, revela Machado. A partir do dia 15 de novembro começam as obras de reforma e mobiliário nos gabinetes para a chegada dos novos parlamentares. Tudo deve ficar pronto até 1º de dezembro.
A polêmica sobre o valor pago às diárias é contestado pelo presidente. Machado entende que o quadro funcional do Legislativo é um dos mais qualificados do estado – muito pela participação em cursos. Desde 2009 o valor orçado para as diárias é de R$ 200 mil por ano, mas pode ser implementado em caso de necessidade. “Nós temos que analisar o custo-benefício. Não estou fazendo nada ilegal ao conceder diárias”, adverte. Machado cita como exemplo o posto de saúde do bairro Floresta e aquisição de 40 novos leitos para a Santa Casa como diárias que resultaram em projetos para a comunidade.

Mudança no Regimento Interno
Já está nas comissões da Câmara a proposta de modificação no Regimento Interno do Legislativo. Entre os itens polêmicos estão a mudança do tempo de mandato da Presidência (baixaria para um ano), o tempo de manifestações para explicações pessoais na tribuna (atualmente de 10 minutos) que deve diminuir tendo em vista o aumento do número de vereadores e até o número de componentes nas comissões da Casa (que dos atuais três devem passar para cinco). Machado defende a revisão. “Muita coisa, tanto no Regimento Interno, quanto na Lei Orgânica precisa ser revista e atualizada”, assinala. E as alterações cabem ainda à atual legislatura. Outra mudança deverá ser o ingresso de mais uma vaga na Mesa Diretora do Legislativo, que além da Presidência, da Vice-Presidência do 1º Secretário voltaria a ter o 2º Secretário.

Futuro
O presidente não revela planos para quando terminar o mandato, em 31 de dezembro. Diz apenas que pode ir para Brasília, atuar no gabinete do deputado federal, Marco Maia, para Canoas (base eleitoral de Maia). Ou mesmo permanecer em Bagé. Questionado sobre se pode ocupar uma vaga no primeiro escalão de Dudu Colombo a partir de 2013, Machado apenas sorri. “Vamos com calma”, limitou-se a comentar. 

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