Setor primário enfrenta estiagem e impactos do coronavírus
Publicado em 25/03/2020

Rural

Foto: Divulgação/FS

Safra de soja afetada pela severa estiagem

Muito mais do que os impactos para a saúde, o novo coronavírus afeta, diretamente, a economia de todos os países do mundo. A produção de alimentos é um dos setores atingidos pela pandemia do Covid-19. Na região da Rainha da Fronteira, em que a produção agropecuária é sua principal vocação, a crise que emergiu com a disseminação do vírus, aliada à estiagem, que assola a Campanha há meses, tem trazido ainda mais preocupação aos produtores rurais. 
O presidente da Associação dos Agricultores da Região da Campanha (Agricampanha), Gesiel Porciuncula, frisa que a pandemia chegou em um momento delicado pelo início da colheita do arroz e da soja. "Além disso, já estamos enfrentando um momento muito ruim que é esse dessa seca e, ainda por cima, chega o coronavírus. Mas a gente tem que colher a lavoura, não pode deixar no campo. O que estamos tentando fazer é minimizar as idas para a cidade, passando isso para os colegas, conversando, para tentar nos mantermos o máximo na Campanha e também usando todos os materiais e indicações que os órgãos de saúde estão recomendando", relata.
Frustração irá superar 50%
O agricultor fala que, mesmo em frente a esses desafios, é necessário que se mantenha o foco na produção de alimentos. "Até para não virar um caos ainda maior na sociedade. Mas é difícil essa situação porque estamos enfrentando uma frustração de safra que é maior do que a gente pensava", enfatiza o agricultor. Conforme Porciuncula, os produtores tinham a expectativa de, ao colocar as máquinas nas lavouras, colher cerca de 40 a 30 sacas, estão conseguindo colher 10 sacas a menos.  "A quebra vai superar os 50% pela frustração na safra. Então, temos esse problema que atinge diretamente e outro ainda mais sério que é o coronavírus. Mesmo assim, não podemos parar. Não importa a adversidade, o povo brasileiro precisa se alimentar e precisa do produtor rural", declara o titular da Agricampanha.
Prazos
A entidade também destaca que, mesmo com a situação de restrições nas movimentações na cidade e região, devido à pandemia, não haverá alteração no calendário de colheita. Os trabalhos seguem conforme o planejado porque como são plantas altamente perecíveis não pode ser deixado nenhum dia de colheita. "Os cuidados com os funcionários, que estão trabalhando nas lavouras prosseguem. Estamos diminuindo a ida à cidade para buscar mantimentos e estamos trabalhando com força. Ou seja, todos os prazos precisam ser cumpridos, afinal para o setor primário não tem como cumprir quarentena no campo; pecuaristas e agricultores não podem parar na produção de alimentos", complementa a representante da Agricampanha, a engenheira agrônoma Raquel Taschetto. 

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