Servidores vão à Câmara protestar na tribuna
Publicado em 26/04/2013

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Municipários lotaram Casa Legislativa

por Emanuel Müller e Niela Bittencourt

Um novo episódio marcou a manifestação dos servidores municipais de Bagé. Ontem, por volta de 10h40min, os manifestantes foram até a Câmara de Vereadores mais uma vez. Ao contrário da confusão que ocorrera no último dia 23, dessa vez o clima foi bem mais calmo. Os servidores chegaram com o buzinaço de motos e, aos poucos, foram se acomodando na plateia enquanto a sessão ordinária do Legislativo ocorria. Após a manifestação do vereador Edimar Fagundes (PRB), o presidente da Câmara, Paulinho Parera (PT), sugeriu que os trabalhos fossem transformados em sessão especial para ouvir as categorias presentes.
Durante algum tempo houve indefinição quanto ao tempo e ao número de servidores que se manifestariam. Ficou definido que o espaço seria concedido ao presidente do Sindicato dos Professores Municipais (Sinprofem), Loi Lacerda, ao representante do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto do Rio Grande do Sul (Sindiágua), Clodoaldo Fagundes, ao representante do comando de greve do municipários, Rubilar Rodrigues, e à vice-presidente do Sindicato dos Municipários de Bagé (Simba), Carla Lacerda. Cada um teria cinco minutos para explanar sobre a mobilização.
O presidente do Sinprofem foi o primeiro a falar. Lacerda ressaltou que o sindicato entrou no movimento em apoio ao Simba. Relatou a reunião com o prefeito Dudu Colombo para a concessão de 7,97% de reajuste e a paralisação por três dias. Mas criticou a secretária de Educação, Janise Collares. "Estão alegando que a paralisação é ilegal, fazendo pressão nas direções e nos professores para que voltem às aulas imediatamente", enfatizou Lacerda. "Conclamamos aos funcionários que continuem com a paralisação, pois quem trabalha como merendeira ou como ronda também precisa do nosso apoio", registrou.
O representante do Sindiágua manifestou que o salário vem em processo de degeneração financeira. “O piso seria cômico se não fosse trágico", destacou Fagundes. Ele confirma que os servidores irão insistir na reposição de 12% e vale-alimentação de R$ 10. Nesse momento é insustentável fazer um debate sobre a questão do vale-alimentação. E rechaçou qualquer possibilidade de coação ao movimento grevista. "Se houver pressão sobre colegas, vamos denunciar publicamente e, se necessário, na Justiça", frisou Fagundes.
Rubilar Rodrigues, por sua vez, disse que os municipários respeitam cada um dos vereadores e pediu para que se juntem à categoria, “que caminhem conosco”. Opinou sobre a criação de novas secretarias, repudiando tal possibilidade e, enfatizou que “política séria é a política voltada para o povo”. O servidor falou sobre o salário, considerado baixo, e questionou aos legisladores: “se estivessem no nosso lugar, conseguiriam sustentar suas famílias?”. Ele finalizou: “queremos apenas dignidade, respeito. Nada mais do que isso. Por isso, não aceitamos nenhum tipo de retaliação, perseguição. Sabemos que muitos não estão aqui por medo”.
A vice-presidente do Simba, Carla Lacerda, falou sobre o movimento considerado histórico. Também destacou que o sindicato está ao lado do trabalhador e, agora, a mobilização busca adesão dos funcionários das escolas, que ainda temem paralisar. Paulinho Parera finalizou a sessão ao afirmar que nenhum vereador é contrário ao movimento grevista ou às manifestações dos servidores públicos municipais. Inclusive, reiterou que a presença da Brigada Militar, no dia 23, não foi de responsabilidade da casa. “Esse parlamento não convocou a Polícia. Estávamos prontos para receber a todos”, salientou.

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