Retrocessos e ignorância
Publicado em 01/06/2020

Editorial

Há vinte anos ainda tínhamos a expectativa de que o terceiro milênio traria avanços científicos, menor desigualdade social e econômica entre povos e que a intolerância seria uma página praticamente virada em livros de história. O Brasil, enfim, deixaria de receber o clichê de “país do futuro” para tornar-se uma nação do presente. Hoje, percebe-se que pouco daqueles sonhos viraram realidade. O mundo continua desigual. Nesse cenário cruel, a imprensa cumpre seu papel. Atacada e demonizada como mero instrumento de dominação, que urge golpes e cria “mentiras” para derrubar governos, tornou-se mais do que vital para o que se espera de uma democracia.

Quem a ataca, tem medo do que ela mostra. No Brasil, por exemplo, muitos líderes preferem apenas enaltecer os veículos de mídia que batam palmas para seus discursos. Monólogos para uma turba que reproduz, muitas vezes, cada “tese” como verdade científica. É como se a política fosse praticada como a torcida por um clube de futebol. Apenas paixão cega, sem reflexão ao contraditório.

OLHO - "...a pluralidade de vozes é que constituí a verdadeira democracia".

Assim é o que temos com a covid-19. Mais de 26 mil brasileiros já morreram e muitos argumentam que a doença é uma “arma comunista”; uma “gripe qualquer” ou um sensacionalismo criado pela imprensa. Na verdade, o Brasil tornou-se o epicentro da doença. Encarar isso, com todos os desafios que se apresentam: sanitários e econômicos é doloroso para aqueles que precisam bode expiatório para culpar. Logo, a imprensa é culpada. E isso fica evidente a cada ataque do governo federal sobre o papel dela. No entanto, é preferível, no ponto de vista, do Executivo federal, que se divulgue apenas o que a chamada “mídia independente” publica. Ora, a pluralidade de vozes é que constituí a verdadeira democracia. Afinal, manter o país nessa dualidade de “mocinhos e bandidos” já causou inúmeros prejuízos. Dessa forma, o jornalismo sério continuará a apresentar aspectos importantes das cidades, do país e do mundo. Não se pode querer oficializar apenas uma verdade escrita e falada, como há algumas décadas tivemos no país. Por mais que muitos, que não viveram tal momento, possam glorificá-lo, talvez por ignorância, não podemos avançar para o futuro, idealizando retrocessos.

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