Respostas: esperada e antecipada
Publicado em 10/02/2015

Editorial

por Felipe Valduga
felipelvalduga@gmail.com

A possibilidade de que os protestos do ano passado viessem a se repetir em 2015 era latente. Talvez não uma certeza, mas uma perspectiva.
E mal o ano chegou e o povo brasileiro começou a ter motivos para se manifestar. Escândalos, novos e antigos, sendo denunciados, preocupações com a falta de água e de energia surgindo e, pior, medidas administrativas sendo tomadas atingindo, de forma direta, a população.
Era de ser esperar que, mais cedo ou mais tarde, o povo – não aquele grupo vinculado a partidos políticos que mais defende seus candidatos do que busca melhorias – voltasse a ir às ruas e se manifestar.
Em Bagé, como relata reportagem da edição de hoje, o primeiro alvo de protestos – fora o que repudiou o assassinato da menina Mirella – foi o preço do combustível. Até que demorou. Acostumados com uma das gasolinas mais caras do Rio Grande do Sul, a comunidade viu o estopim após o último aumento, na semana passada.
Como manifestação, percorreram alguns postos da cidade e abasteceram apenas 50 centavos. O que, na prática, traz mais prejuízo ao proprietário do estabelecimento que lucro. O gesto foi singelo, objetivo e merece atenção. Por outro lado, o “dono do posto” é um empresário que objetiva lucro. Se o preço subiu, teve justificativa. Talvez não suficiente para uma elevação tão grande – há quem diga que em alguns locais o valor da gasolina comum aumentou cerca de 60 centavos. A reportagem da FOLHA, até agora, somente identificou uma suba de 30 centavos, no maior dos casos.
Não bastasse esse ato, alguns grupos já vislumbram um novo alvo para protestos na cidade: a tarifa de ônibus. Ano passado, em outubro, o município passou o valor para R$ 2,50. Apresentou suas justificativas e até aguardou uma posição da Justiça, caso fosse orientada a voltar atrás. Pois bem, a Justiça não se pronunciou até que a passagem fincou raízes. Agora, os organizadores dessa “possível” manifestação articulam não apenas uma tentativa para baixar as cifras atuais, mas também para evitar que ocorra um novo reajuste – algo normal em um início de ano, ainda mais quando a elevação do custo do diesel afeta o caixa das empresas responsáveis pelo serviço.
É aguardar para ver. Lógico que os governos terão – e devem ter – atenção mais que redobrada quando falarem em tarifa. Até porque foi desse seio que eclodiram os protestos históricos de 2014. E, em tese, ninguém quer que aquilo se repita. Ou quase.

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