Responsabilidade feminina e destaques profissionais
Publicado em 11/03/2020

Segurança

Foto: Carla Molins/Especial FS

Anelise Menezes Gimenes é escrivã da Polícia Civil

É crescente a participação da mulher no mercado de trabalho. É progressiva também a responsabilidade feminina no sustento da família e destaque profissional em diversos setores. Assim, damos continuidade às homenagens e trazemos casos de mulheres atuantes na Rainha da Fronteira. Essa é uma forma de reconhecimento do papel que elas desempenham em todos os aspectos e uma luta que vem sendo travada há anos. As mulheres já são mais da metade da população nacional. 

Anelise Menezes Gimenes, 38 anos, é formada em Administração de Empresas pela Urcamp. Há sete anos e meio, ela atua como escrivã da Polícia Civil. Ao ingressar na polícia, teve a oportunidade de trabalhar durante três anos em Porto Alegre, no setor de inteligência da Polícia Civil; após, trabalhou na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Bagé e no segundo distrito policial, mais especificamente no setor de investigações de homicídios roubos e furtos. 
Atualmente, lotada na Delegacia de Polícia Regional de Bagé, onde são desenvolvidas as atividades administrativas da regional da Rainha da Fronteira, que engloba 11 cidades. Sobre ser mulher e policial, a escrivã relata que “a busca de valorização profissional e de vencer preconceitos, em uma atividade que durante muito tempo foi desempenhada quase que exclusivamente por homens. Atualmente, a realidade está bem diferente, inclusive, o número de mulheres policiais iguala-se ao de homens. Também destaco a dupla jornada que todas as mulheres dessa área enfrentam, dividindo-se entre a atividade profissional, a qual consome bastante tempo, uma vez que cumprimos horários extras e plantões, além da dedicação para com a família, cuidando do lar e atendendo aos filhos”, salienta.
“Penso que as mudanças estão acontecendo no sentido de quebrar paradigmas, uma vez que a sociedade como um todo está compreendendo melhor a participação das mulheres nas atividades profissionais ditas masculinas. Isso se verifica no número cada vez maior de mulheres na área da Segurança pública, bem como a qualidade do trabalho que se tem alcançado por meio da força feminina. Os desafios surgem nesse sentido, de passar cada vez mais credibilidade no desenvolvimento do trabalho policial, para que a sociedade se sinta mais segura e acolhida”, completa.

Jerusa Oliz Nunes Alves, de 42, está há quase 20 anos na Brigada Militar. Ela, que incluiu na instituição em 20 de novembro de 2000, é a profissional da ativa que está há mais tempo na Brigada Militar de Bagé. Jerusa avalia sua história na instituição como uma transformação. “Me formei em Pedagogia e comecei a prestar concurso público porque queria uma estabilidade; fiz mais de um ano de curso em Porto Alegre, na Academia de Polícia Militar. Hoje, tenho dois filhos, contudo, na época, deixei meu marido e um filho de 3 anos, em Bagé, para ir atrás de um objetivo”, frisa. Ela explica que trabalhou durante dois anos na rua; passou pelo Cartório de Termo Circunstanciado, sessão de Justiça e Comunicação Social do regimento. Depois, em 2008, foi para Santana do Livramento fazer curso de instrutor do Proerd. “Nesses anos de Brigada Militar sentimos o preconceito, porém é bem menor, pois as mulheres conseguem desenvolver seus trabalhos com mais facilidade. Na época do curso, de 60 combatentes, apenas 16 eram mulheres. Muitas pessoas perguntam se não temos medo. Concordo que somos um pouco mais frágeis, não temos a mesma força, mas temos a mesma técnica”, destaca.
Sobra a atuação, Jerusa diz: “Temos mulheres trabalhando em áreas de frente. A Brigada Militar tem lugar para todos. Eu, por exemplo, me encontrei no Proerd; acredito que o trabalho de prevenção que fazemos é para o futuro e tem grande importância. Mesmo dentro da dificuldade que passamos com a falta de efetivo, estamos atuando em todos os polos”, salienta.
A profissional enfatiza que já passou por diversas ocorrências difíceis. “Logo que cheguei a Bagé, atendi uma ocorrência em que uma pessoa se matou na minha frente. Isso faz a gente pensar no que poderíamos ter feito para evitar. Sempre que saio de casa, peço proteção e que Deus me ajude a voltar”, conta.

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