Rebuliço no ninho tucano de Bagé
Publicado em 22/02/2020

Política

Foto: João A. M. Filho

Machado tinha na direção do seu antigo partido um aliado

Por decisão da executiva estadual, o diretório municipal e a executiva do PSDB de Bagé foram dissolvidos em caráter liminar. A colunista apurou que uma série de fatores levaram a essa decisão que causou rebuliço no ninho tucano local. Entre as alegações, foi apontado que o presidente do partido, Fabio Laud estaria colaborando para obtenção de filiações não para o PSDB e sim para o PSL, devido a relação dele com o presidente dessa sigla, o vice-prefeito Manoel Machado.
Também foi dito que houve perseguição dentro do PSDB a uma filiada que acabou sendo exonerada de um cargo no governo municipal. Outro fator é que o então secretário municipal de Esporte, Juventude e Lazer, João Schardosim, corria o risco de ser exonerado do  cargo. Isso porque o seu próprio partido, o PSDB, estaria entregando essa pasta para o MDB, no período que o prefeito Divaldo Lara estava afastado do cargo e Machado estava no comando do governo.
O estopim mesmo teria sido o fato de o PSDB estar arregimentando filiados para o PSL, bem como ter incentivado e articulado a ida do vice-prefeito para esse partido.
A colunista fez contato com Fábio Laud. Ele disse que ficou sabendo da decisão da executiva estadual na quinta-feira passada, mas não estava a par dos fatos e, por isso, não tinha como comentar o assunto naquele momento.
Schardosim, que retornou à Câmara de Vereadores, na semana passada, e é vice-presidente do PSDB, falou sobre o ocorrido. Ele confirmou que houve uma articulação nos bastidores com o MDB para que o partido assumisse a pasta que ele comandava.
Também mencionou que houve perseguição a uma filiada e que ela foi exonerada do cargo,  e falou da não construção de uma nominata para eleição municipal de outubro.
Schardosim disse que membros da executiva estadual virão a Bagé entre quarta e quinta-feira. Segundo ele, a partir de agora será formada uma comissão provisória e que o prazo para formar a nominata para o pleito de outubro é de 30 dias.
Único vereador do PSDB com assento no Legislativo, ele lembrou que a sigla não tinha um representante na Casa há 16 anos. Schardosim defende que sejam construídas novas lideranças e não sempre os mesmos nomes que estejam na linha de frente. “O foco agora é construir o que foi destruído”, afirmou.
A colunista entrou em contato com o presidente do PSDB gaúcho, o deputado estadual Mateus Wesp. Como o parlamentar estava em reunião, a assessoria dele confirmou que a liminar com o pedido de dissolução do diretório municipal e da executiva foi deferido pela direção estadual.

O que está em jogo
O tabuleiro político de Bagé para eleição de outubro está embaralhado. Por enquanto ninguém arriscou dizer publicamente que vai disputar a prefeitura. O jogo das peças é feito de forma meticulosa e muito pensada. Qualquer passo em falso pode ser xeque-mate.
Depois de vários anos no PSDB , o qual foi presidente e concorreu a prefeito pelo partido, Manoel Machado, no ano passado, depois de uma tentativa frustrada de concorrer a deputado federal, se filiou ao PSL, que na época estava no auge por causa do presidente Jair Bolsonaro. Ocorre que logo depois da filiação do bageense, Bolsonaro quebrou os pratos com o PSL e saiu da sigla e junto com ele um séquito de filiados.
Mesmo no PSL, o PSDB seguiu sendo um forte aliado de Machado. Tanto que quando ele esteve no comando da prefeitura, um dos homens fortes de sua gestão foi Fábio Laud. Inclusive ambos fizeram uma dobradinha na eleição de 2012 para o paço municipal.
No dia do retorno de Divaldo Lara ao cargo, no seu discurso, Machado disse que, como qualquer político, não descartava a pretensão de vir a concorrer a prefeito. Aquele foi um dia amistoso. Passado algum tempo, o vice-prefeito, depois de conceder entrevista a Zero Hora, resolveu realizar uma coletiva de imprensa para os veículos de comunicação de Bagé para anunciar que havia rompido politicamente com a gestão do prefeito Divaldo Lara.
Agora, com a dissolução do diretório e da executiva,  as pretensões que vinham sendo alinhavadas tomam um rumo inesperado. E o tabuleiro politico continua embaralhado. As peças estão sendo jogadas nos bastidores.

Tucano fiel ao prefeito
Na contramão de todas essas costuras,  Schardosim se manteve fiel ao governo de Divaldo Lara, do qual ele fez parte como secretário desde o início da gestão. Com o retorno dele na semana passada para a Câmara, o PSDB passou a ter um assento na Casa, depois de 16 anos. No discurso na tribuna, o tucano deixou claro que se mantém alinhado com as propostas e projetos do governo municipal.
A colunista o questionou se existe a possibilidade de ele deixar o PSDB, já que vai concorrer a reeleição. Shardosim respondeu que o momento é de reconstruir o partido.


 

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