Reação à crise econômica
Publicado em 22/01/2019

Editorial

Em recente artigo publicado, Eduardo Leite (PSDB), o mais jovem governador do país, escreveu que 2019 deve ser o ano desenhado a partir dos obstáculos acumulados em 2018. O tucano lembrou que o Estado se debate na maior crise de sua história. “O 2019, no entanto, pode ser o ano em que o Rio Grande exorcizará a sina de território simbólico rachado, em que as rivalidades se tornam irreconciliáveis e o irracional prepondera sobre a razão simplesmente porque a solução não foi proposta por si, mas pelo outro”, afirmou.
O fato é que, nos últimos anos, o Rio Grande do Sul, terra pujante, com riquezas imensuráveis advindas da pecuária e da agricultura, mergulhou numa crise econômica sem precedentes na história. O caos foi se instalando e aumentando de forma gradativa a cada governo que ocupou o Palácio Piratini. A situação se agravou tanto, que o governo anterior teve que enfrentar uma das piores situações que pode se apresentar a um gestor eleito pelo povo, que foi o parcelamento do salário do funcionalismo público. Um dos setores mais nefrálgicos para a sociedade, que é a Saúde, foi duramente afetada pela falta de recursos. Hospitais fecharam as portas; outros deixaram de prestar serviços essenciais e as prefeituras lutam para receber repasses nessa área. A Segurança também foi abalada, inclusive, inúmeras vezes, os servidores cruzaram os braços em protesto. O fato é que, todos os setores sofreram com a situação, uns com mais intensidade. Em âmbito de país, a situação foi além, atravessou os limites da fronteira econômica. O Brasil foi abalado por uma onda de corrupção na política e no meio empresarial, com empreiteiras envolvidas em escândalos com governos que comandaram o país nos últimos anos. É dessa realidade negativa, que colocou o país nas manchetes obscuras do mundo, que o Brasil começa a sinalizar que se encaminha para sair desse calabouço. Nessa esteira, o Rio Grande do Sul começou com um governador, que já está dando sinais, que está aberto ao diálogo e quer romper com a divisão ideológica que só teve como resultado afundar mais o Estado. “Como governador, mais do que desejo, é meu dever propor o rompimento dessa cultura que muito já nos tirou e, ao fim, nos levou à situação em que nos encontramos hoje”, disse Eduardo Leite.
O tucano, antes mesmo de assumir o cargo, foi ao encontro de todas as bancadas na Assembleia Legislativa, independente de cor partidária. Depois que assumiu, um dos primeiros passos foi se reunir com os deputados eleitos para ouvi-los e também falar sobre as prioridades de sua gestão. Ou seja, o tucano não ficou só no discurso, mas partiu para a prática, no sentido de romper com o ranço ideológico que há tanto tempo se tornou um “câncer” no poder público. No domingo, o governador abriu as portas do Galpão Crioulo para receber a bancada gaúcha em Brasília e convidou o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM). O cardápio principal da reunião-almoço foi a crise que o Estado enfrenta e as demandas do Rio Grande do Sul em Brasília. Além do diálogo no âmbito político, o governo tucano anunciou uma série de medidas para estancar gastos. Ou seja, da parte do poder públicos, os primeiros acenos para tirar o Estado do atoleiro financeiro em que se encontra já foram dados, mas essa reformulação não pode ficar relegada somente ao Piratini. Os demais poderes, sobretudo a Assembleia Legislativa, precisam se somar a esse esforço, e assim como o governador, os da oposição devem deixar de lado o ranço ideológico e arregaçar as mangas de uma vez por todas em benefício da sociedade, pois para isso foram eleitos pelo povo. Mais do que nunca, um Legislativo que rompa com os grilhões dos privilégios e das cores partidárias.

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