Quinto domingo da quaresma
Publicado em 28/03/2020

Opinião

O Evangelho de João 11, 1-45 nos faz perceber toda a atmosfera da Páscoa apresentando-nos o episódio no qual Jesus se encontra diante da morte do amigo Lázaro: Ele é o Senhor da vida e da morte e o demonstra fazendo Lázaro ressurgir; porém, havendo antes chorado pela sua morte, enfrentando, dessa forma, a realidade não somente com poder divino, mas também com o coração humano.
Cristo é a própria vida que se comunica a nós, mas acreditar nele comporta acolher e colocar em prática a sua palavra e participar do seu próprio mistério de morte e ressurreição. É, portanto, necessário morrer ao pecado e viver para Deus na santidade, a qual pelo batismo todos somos chamados.
Hoje, Jesus se apresenta para nós como ressurreição, como força vital saída do seio do Pai na sua plenitude e na sua beleza para comunicar-se a nós em superabundância. Jesus está próximo de Jerusalém e, nos dias em que seu fim já está iminente, Ele liberta da morte o seu amigo Lázaro declarando abertamente ser a ressurreição e a vida para aqueles que creem nele. Lázaro é ressuscitado também fisicamente, mas igualmente importante é a fé suscitada nos corações de quem está presente e acredita que nele há a salvação, uma salvação que não é somente para o tempo a existência terrena, mas que é eterna.

 Se tiramos de Cristo, fonte da bondade e do amor, pensamentos e sentimentos de caridade, de perdão e de compaixão, então seremos continuamente regenerados na fé e poderemos nos tomar comunicadores de vida. A cada dia, devemos escolher amar sem necessidade de cumprir gestos extraordinários, e, sim, nas coisas mais comuns e ordinárias, fazer da nossa vida um serviço e comunicar bondade e alegria àqueles de que nos aproximamos, e de toda a humanidade, que pode receber também de nós força e sustento se aceitarmos morrer com Cristo por todos e ressurgir com Ele.
A liturgia de hoje nos exorta a fazer uma escolha de fé e de generosidade e nos convida a escolher aquele mesmo amor que impulsiona Jesus a dar a si mesmo por nós, e a sermos testemunhas vivas de Deus e do seu amor. Assim, participamos do mistério da semente que somente morrendo pode germinar, se tomar espiga e campo de trigo. Em vez disso, a vida fechada egoisticamente em si mesma não germina e não frutifica, mas morre para sempre; somente a vida oferecida se multiplica e se toma uma fonte que brota para vida eterna.

Toda vez que nos fechamos no sepulcro do nosso "eu" e permanecemos endurecidos no pecado, porque nas nossas artérias não se encontra mais amor e não circula mais a caridade; toda vez que nos encontramos afundados nas trevas do desencorajamento e da angústia, devemos invocar o Senhor da vida, que nos dá a luz.
Se caminharmos guiados por essa luz, poderemos sempre constatar que o Senhor não chega jamais atrasado e se, às vezes, a demora é somente para nos manifestar ainda mais o poder do seu amor salvífico. Que o Senhor vos abençoe! Paz e Bem!

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