Quem trabalha motivado com os salários atrasados e parcelados?
Publicado em 15/11/2019

Opinião

Caros leitores, a partir de hoje, em alguns dias vocês poderão acompanhar aqui, nesta coluna, um texto opinativo que trará alguns debates e temas referentes à Segurança, que estão em alta na cidade, na região, no Estado e no país. Sou Anderson Soares Ribeiro, jornalista, pós-graduado em Segurança Pública e atuo como repórter policial no jornal Folha do Sul. Hoje, começo falando sobre os servidores que estão com os salários parcelados e atrasados.

A Segurança Pública é um tema que, de forma praticamente diária, está em pauta. A sensação de insegurança, somada ao medo, está presente na vida de grande parte da sociedade, principalmente nos grandes centros urbanos. Assim como o acesso à saúde, à educação e à moradia, a garantia de ir e vir com segurança é um direito fundamental previsto pela Constituição Federal de 1988, sendo dever do Estado assegurá-la. 
Hoje, irei abordar parte do pacote de medidas do governo do Estado, também chamado pelos servidores como “pacote de maldades”. Isso porque reduz salários, acaba com a paridade e a  integralidade; na prática, termina com a aposentadoria policial. Pode também vedar a realização de promoções, vinculadas à data-base ou periodicidade fixa, passando a ocorrer somente por juízo de conveniência e oportunidade da administração pública. Ou seja, as promoções somente ocorrerão quando o governo bem entender, podendo o servidor se aposentar sem que o Estado tenha procedido com nenhuma promoção.
Que servidor trabalha motivado, vivendo uma situação desesperadora onde, além correr o risco de perder direitos conquistados, ainda tem os salários parcelados há aproximadamente 50 meses? E quando o servidor não consegue quitar suas dívidas mensais? O cerne da questão gravita em torno da ocorrência do dano moral, tendo em vista que o salário dos servidores estaduais é verba alimentar, pode-se entender que há ofensa direta aos direitos de personalidade. Ou seja, a honra e imagem, bem como ofensa ao princípio da dignidade da pessoa humana, mas há quem pense ao contrário. Respeito, porém não concordo!
Quem perde com tudo isso é a sociedade. Por muitos motivos, mas cito alguns: É sabido, que grande parte dos policiais, além do turno de trabalho, faz duas ou três horas a mais, muitas vezes por dia. Assim, conseguindo realizar um trabalho de excelência. E na Rainha da Fronteira temos vários exemplos de ações que evitaram tragédias por existir um amplo trabalho de investigação e integração. Porém, isso pode acabar, pode diminuir. A resposta rápida de uma investigação requer cuidados e atenção a detalhes. E por existir um trabalho sério, tanto da Polícia Judiciária quanto da ostensiva, muitos casos graves não chegam a se concretizar. Mas vamos lá: Os leitores se lembram de um sequestro que aconteceu em Bagé em 2018? Os agentes trabalharam mais de 72 horas direto e obtiveram êxito. Muitos casos não chegam nem ao conhecimento da comunidade, porque esses mesmos agentes que estão lutando por seus direitos e por receber os salários em dia conseguem frustrar as ações criminosas. Todo o apoio aos servidores público do RS. 

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