Transporte coletivo
Queda no número de usuários alcança média de 53% com pandemia
Publicado em 09/07/2020

Geral

Foto: João A. M. Filho

Solari indica que crise provocada pela doença ampliou perdas ao setor

Quase quatro meses após o início da pandemia por coronavírus, o número de usuários do transporte coletivo em Bagé caiu, em média, 53% nas 10 linhas operadas pela concessionária Stadtbus. Porém, mesmo com a redução nos horários, por causa das restrições impostas pelo horário do decreto municipal, o serviço não deve ser afetado devido à baixa movimentação de passageiros.

De acordo com o gerente da filial da Stadtbus, Alexandre Solari, mesmo com a adoção de práticas de distanciamento, higienização dos veículos e instalação de álcool-gel para os passageiros, a queda no fluxo nos meses de março (-40%), abril (-72%), maio (-50%) e junho (-50%) continua neste mês, especialmente nos horários noturnos. “Como não temos movimento expressivo de passageiros nesses horários, nos limitamos a cumprir a determinação do decreto. Ressalto que nenhum desses trabalhadores teve confirmação de diagnóstico por covid-19, o que mostra o cuidado que mantemos para a segurança dos nossos funcionários e passageiros. Contudo, cada centavo com os ônibus parados nas garagens conta”, comentou.

A queda ocasionada pela pandemia por covid-19 no município teve impacto significativo nas empresas do transporte coletivo. Conforme levantamento do jornal Folha do Sul, com base nas informações enviadas pelas empresas, em março, a Stadtbus tinha cerca de 150 trabalhadores ativos em Bagé. Hoje, este número caiu para 110. “A defasagem da tarifa e o aumento de custos não acompanharam as necessidades das empresas, que hoje lutam para manter insumos básicos e salários em dia”, acrescentou.

Atualmente, conforme decreto municipal, de segunda-feira a sábado, os ônibus devem voltar às garagens até as 21h30min, enquanto aos domingos, as linhas encerram as atividades às 19h. A reportagem entrou em contato com a empresária Maria da Graça Anversa, mas não obteve retorno.

Desequilíbrio

Recentemente, a Prefeitura de Bagé contratou empresa para realizar a análise da planilha de custos e se necessário, indicar um novo preço para a tarifa, o que tem sido uma demanda recorrente das empresas junto ao município.

De acordo com a reportagem publicada na edição do dia 28 de maio, a crise no setor apontada antes da pandemia aprofundou o desequilíbrio financeiro das empresas, o que, segundo os gestores, poderia acarretar na paralisação do transporte coletivo no município. “Temos um processo tarifário protocolado desde dezembro de 2019 e nossa demanda é de que a política de reajuste tarifário possa auxiliar na recuperação das empresas, sem prejudicar os usuários”, explicou.

Atualmente, a tarifa do transporte coletivo em Bagé, sem descontos, é de R$ 3,65.

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