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Déficit mensal do hospital é de R$ 1,2 milhão mensal
Provedor: “Sem ajuda da comunidade, dos vereadores e dos deputados a Santa Casa não sobrevive”
Publicado em 26/11/2019

Política

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Gestores fizeram um relato para os vereadores

A sessão ordinária da Câmara de Vereadores, ontem, foi transformada em especial para ouvir o provedor da Santa Casa de Caridade de Bagé, Jorge Mousa. O acompanharam o administrador hospitalar, Raul Vallandro, e o gerente administrativo, AIres Prado. Os gestores foram ao Legislativo fazer um relato da situação financeira do maior hospital da região da Campanha, a convite da bancada do PTB.
Moussa lembrou aos vereadores que atualmente todas as santas casas se encontram mal financeiramente por falta de recursos. Segundo ele, a de Bagé depende 80% de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS). O provedor contou que o hospital tem um contrato de contratualização com o governo, sem nenhum reajuste desde 2017 e que o repasse vai ser o mesmo para o próximo ano. 
Nesse contexto, o provedor acentuou que sobem salários, medicamentos, energia e outras despesas, mas os recursos oriundos desse contrato continuam os mesmos. O gestor informou que os salários dos funcionários estão em dia e com 50% do décimo terceiro pago. “Pretendemos arrumar alguma verba para terminar o décimo, sem ajuda da comunidade, dos vereadores e dos deputados a Santa Casa não sobrevive”, asseverou o provedor.
Moussa comentou que a instituição de saúde atende um raio de 150 quilômetros e que é o único hospital que atende urgência e emergência dos sete municípios da região. 
O gestor conclamou políticos e a sociedade no sentido de apoiar a instituição que, segundo ele, precisa investir em novos serviços, porque os médicos estão envelhecendo e muitos estão parando de trabalhar. “Nós vamos ter um déficit de médico, de material humano; temos que produzir e proporcionar que a Santa Casa melhore e invista, para que novos serviços sejam abertos e novos profissionais venham a Bagé”, pontuou.
Atraso com os médicos
O provedor afirmou que recebendo ou não, a porta de emergência do Pronto-Socorro sempre vai estar aberta para atender qualquer emergência, porque essa é a função da Santa Casa.
Na ocasião, Mousa detalhou que os médicos estão com os pagamentos atrasados há sete meses e que nenhum dos profissionais manifestou interesse em fazer greve, em razão dessa situação.
O gestor pediu aos vereadores para que eles solicitem apoio dos deputados em favor da Santa Casa.
Receita x despesa
Vallandro apresentou os números referentes à situação financeira do hospital. Segundo ele, a receita com o SUS é de R$ 2,950 milhões mensais; de convênios é em torno de R$ 500 mil; atendimentos particulares R$ 150 mil – o que totalizam R$ 3,6 milhões por mês. 
O administrador disse que a receita com o estacionamento particular do hospital e com o cemitério é de R$ 4 milhões mensais. Ele lembrou que os recursos do estacionamento são repassados para a Fundação José e Auta Gomes. Em relação à receita do cemitério, o administrador disse que isso representa um fôlego no caixa da Santa Casa.
Conforme Vallandro, a despesa com a folha de pagamento de médicos, funcionários, tributos, dívidas bancárias e Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) totaliza R$ 5,3 milhões de dívidas. O gestor relatou que a dívida maior é com os bancos.
De acordo com o administrador, o déficit mensal é de R$ 1,2 milhão por mês. E acrescentou que a direção do hospital trabalha para cobrir esse déficit com outras fontes de receita e aqui citou as emendas parlamentares indicada por deputados federais. Além disso, reconheceu que a sociedade apoia muito a Santa Casa.

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