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Letícia Friedrich ministra oficina Formatação de Projetos para TV
Profissionais e estudantes de comunicação terão oficina durante festival
Publicado em 16/11/2012

Cultura

Foto: ABPV/Especial FS

Cineasta e produtora será também jurada do festival

por Juliana Andina

Os jornalistas e estudantes de comunicação social serão o público-alvo da programação do segundo dia do IV Festival Internacional de Cinema da Fronteira. Na quarta-feira, 21, a oficina Formatação de Projetos para TV, da Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão (ABPITV), com a cineasta e produtora Letícia Friedrich acontece a partir das 14h no Da Maya Espaço Cultural.
A oficina tem o objetivo de preparar o produtor local para o desenvolvimento e formatação de projetos a serem apresentados para canais de televisão da rede aberta e paga. Serão abordados temas como o Panorama da indústria audiovisual brasileira, Oportunidades de negócios, Legislação e mecanismos de fomento, desenvolvimento e formatação de projetos, Desenvolvimento do projeto, Conhecendo os players, modelos de projeto e formatação o projeto.
A oficineira Letícia Friedrich é também o primeiro nome confirmado para compor o júri do IV Festival Internacional de Cinema da Fronteira. Cineasta e produtora, Letícia é formada em cinema, pós-graduada em Line Producing pela Escola Superior de Cinema y Audiovisuales de Catalunya – ESCAC/Espanha e em Gestão e Produção Cultural pela FGV.
A cineasta fala que sempre teve vontade de desbravar o mundo, e isso a influenciou a fazer cinema. “Eu sempre quis fazer cinema, desde criança, e com 14 anos ganhei do meu pai o meu primeiro livro sobre o tema: “Fazendo Filmes”, do Sidny Lumet. Foi através do cinema que busquei a válvula de escape para tentar desvendar o mundo, ir até o lado de lá e o caminho foi a estrada e a sétima arte. Hoje, produtora formada e atuante, reforço todo dia para mim mesma que fiz a escolha certa, sou apaixonada pelo que faço”, conta.
Quanto a ABPITV, Letícia explica que a entidade não tem fins lucrativos, e tem como principal objetivo fomentar o crescimento da indústria audiovisual no país. “Atualmente, a ABPITV possui mais de 240 associados em quatorze estados e no Distrito Federal. Atuante em todas as esferas, a ABPITV busca novas oportunidades de mercado no Brasil e no exterior, através da participação em eventos internacionais, com a venda de obras audiovisuais e a realização de coproduções com inúmeros países”, esclarece.
Letícia completa falando que o jurado de um festival como este é um desafio. “Na minha opinião, o papel do jurado é ser imparcial e sincero, sabendo avaliar o conjunto das obras através de uma análise técnica e criativa, levando em consideração o perfil do evento, mas fundamentalmente a qualidade e proposta dos filmes”, encerra a cineasta e produtora.

Entrevista

FESTIVAL DE CINEMA DA FRONTEIRA - O Que te levou a fazer cinema?
Letícia Friedrich - É uma pergunta difícil de responder, eu sempre quis fazer cinema, desde criança, e com 14 anos ganhei do meu pai o meu primeiro livro sobre o tema: “Fazendo Filmes”, do SidnyLumet. Mas acho importante neste processo o fato de ter crescido no interior. Sempre tive vontade de desbravar o mundo que se apresentava em minha volta, mas ao mesmo tempo isso me parecia tão distante.Foi através do cinema que busquei a válvula de escape para tentar desvendar esse universo, ir até o lado de lá e o caminho foi a estrada e a sétima arte. Hoje, produtora formada e atuante, reforço todo dia para mim mesma que fiz a escolha certa, sou apaixonada pelo que faço.

FCF - O Que significa ABPITV? Qual sua finalidade?
Letícia Friedrich - Fundada no Rio de Janeiro em agosto de 1999, a Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão (ABPITV) é uma entidade sem fins lucrativos que tem como principal objetivo fomentar o crescimento da indústria audiovisual no país. Atualmente, a ABPITV possui mais de 240 associados em quatorze estados e no Distrito Federal. A associação é gerida por um Conselho Federal composto por nove representantes. Atuante em todas as esferas, a ABPITV busca novas oportunidades de mercado no Brasil e no exterior, através da participação em eventos internacionais, com a venda de obras audiovisuais e a realização de coproduções com inúmeros países. A entidade analisa e estimula a utilização da legislação do setor, especialmente as leis de incentivo à cultura, mantendo participação ativa nos diversos órgãos de cultura, como a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), onde possui representação no comitê do Audiovisual. 
Além disso, a Associação atuou diretamente, em parceria com a Frente Parlamentar em Defesa do Audiovisual, na construção do novo cenário audiovisual no país, que surge com a sanção do novo marco regulatório do setor, a lei de Serviço de Acesso Condicionado (Lei 12.485). Atualmente a ABPI-TV tem realizado um trabalho de aproximação entre a nova legislação e os produtores independentes, realizando encontros, não só com empresas associadas, sobre o novo marco regulatório, seu funcionamento e regulamentação, promovendo um diálogo construtivo com enfoque nas mudanças para o setor e para o produtor que advirão com a implementação da lei.

FCF - Como está o mercado audiovisual hoje em relação à produção de conteúdo para a televisão?
Letícia Friedrich - O mercado mundial do audiovisual é avaliado em US$ 450 bilhões e a participação brasileira representa apenas 1%, mas a tendência é nossa representação aumentar a cada ano.  Antes era apenas o cinema. Hoje o audiovisual envolve bastante TV e Novas Mídias (internet, celular, games, aplicativos, etc.). Os mecanismos de fomento nos últimos anos ajudaram a qualificar o conteúdo nacional, em especial para TV, e assim canais nacionais e internacionais estabeleceram parcerias com empresas independentes. De lá pra cá, muita coisa mudou. Tivemos uma lei sancionada ano passado, a Lei 12.485/11, que está criando um novo mercado de TV por assinatura no Brasil.
Os produtores independentes de TV vêm se preparando há dez anos para este momento. Durante esses anos avançamos muito em quantidade e qualidade. A lei 12.485 marca o início de uma nova era do audiovisual brasileiro, a medida em que cria espaço real para os nossos conteúdos. Espera-se que com sua regulamentação surja um equilíbrio das possibilidades entre a produção de conteúdos e os canais por assinatura existente, e os que certamente serão criados a partir da Lei, além da maior visibilidade que as cotas propiciarão para difundir ainda mais a qualidade e criatividade que a produção brasileira vem demonstrando no cenário audiovisual. O segmento de animação é um dos mais bem sucedidos do audiovisual brasileiro. Hoje, temos personagens brasileiros em desenhos animados e em dramaturgia sendo vistos aqui em português e dublados mundo afora. Chegamos até a “exportar” profissionais no segmento, a exemplo do bageense Rodrigo Teixeira. 

FCF - Como inserir a produção regional nesse mercado?
Letícia Friedrich - Observa-se uma concentração da produção nas capitais, e mesmo nestas a desigualdade também é grande, uma vez que produtores de pequeno porte competem com produtores de grande porte. Esta concentração constitui-se num reflexo da dinâmica de funcionamento da indústria audiovisual, uma vez que se trata de uma atividade predominantemente econômica. Entendo que o crescimento do setor está diretamente ligado à profissionalização, pulverização e capacitação dos produtores de conteúdo audiovisual, de forma que mais empresas estejam preparadas para responder às novas demandas que estão surgindo no contexto da economia criativa, independente de onde elas estão localizadas, pois há um mercado ávido por novidades e diversificação de seus produtos e formatos, e tenho certeza que há espaço para todos, o importante é saber desenvolver bons projetos e ser participativo.

FCF - Qual a responsabilidade de um jurado?
Letícia Friedrich - As mostras competitivas são importantes para os realizadores e também para motivação do público, que sabe que estará assistindo o que de melhor está sendo produzindo atualmente. E esse é o grande desafio do jurado, pois estará julgando obras que já foram pré-julgadas durante o processo de seleção e estão sendo também avaliadas pelo público, que interage com cada filme durante sua projeção. Na minha opinião, o papel do jurado é ser imparcial e sincero, sabendo avaliar o conjunto das obras através de uma análise técnica e criativa, levando em consideração o perfil do evento, mas fundamentalmente a qualidade e proposta dos filmes.

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