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Presidente do PT provoca rombo milionário na CGTEE
Publicado em 23/09/2019

Política

Foto: Divulgação/FS

Petista atuou como assessor da presidência da estatal

Colaboração: Gladimir Aguzzi

O discurso do PT em defesa das estatais não passa de falácia. Em primeiro lugar porque quando está à frente do governo utiliza-se das estatais como aparelho partidário de poder. Basta observar o loteamento patrocinado na Petrobrás. Na verdade, enquanto esteve no comando do Brasil nenhuma empresa do Estado melhorou seus rendimentos sob a administração petista. Pelo contrário.  Nos governos de Lula e Dilma Rousseff as estatais se tornaram piores que estavam antes. No entanto, candidatos do PT usam a arma da desqualificação e desmoralização de um candidato adversário acusando-o de vender patrimônio público, tirando a “empresa do povo para entregar aos capitalistas exploradores”. Foi assim que Lula derrotou Geraldo Alckmin (PSDB) em 2006.  Empresas como Correios e Eletrobrás estão desmanteladas e enxovalhadas. Além de que o rombo na Petrobrás soma R$ 6 bilhões, segundo a Operação Lava-Jato. Para se ter uma ideia, quando a presidente Dilma assumiu o valor da ação da estatal do petróleo era R$ 29, antes ainda do impeachment caiu para R$ 15.
Não faltam provas de que o PT mente quando se diz defensor das estatais, porque na verdade precisa delas para se manter no poder. Um desses exemplos estapafúrdios de formas de desmantelamento da empresa pública aconteceu bem debaixo de nosso nariz, a 60 quilômetros de distância, tendo como protagonista o presidente do Partidos dos Trabalhadores de Bagé, Flavius “Dajúlia” Borba. O petista trabalhou na assessoria do prefeito Luiz Fernando Mainardi até 2008, em seguida foi indicado para um cargo político na CGTEE, como assessor da presidência, CC, cargo em comissão, com um salário de R$ 19 mil mensais. Não. Não há nenhum engano, R$ 19 mil mesmo (valor vigente quando saiu da empresa em 2016).
É muito difícil encontrar uma boa informação sobre seu trabalho na Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica, há quem diga que “passava andando de um lado para o outro” ou “nunca soube direito o que fazia”. Houve ainda servidor concursado que afirmasse “é difícil saber o que eles fazem, são muitos, em Porto Alegre têm vários”. Flavius Dajúlia foi contratado para a CGTEE tendo como mérito sua militância no PT. Nada mais. Residindo em Bagé utilizava o transporte coletivo da empresa para chegar em Candiota, onde está localizada a Unidade Termoelétrica (UTE) Presidente Médici, usina do Grupo Eletrobrás. 
Ao ser demitido em fevereiro de 2016, Flavius Dajúlia alegou na Justiça do Trabalho “dispensa arbitrária”, sem aviso prévio, além de incompatibilidade do horário do transporte com a entrada e saída do trabalho, requerendo hora in itinere, ou seja, exigiu o pagamento do tempo em que esteve dentro do ônibus para ir “trabalhar”; também solicitou adicional de periculosidade. Por incrível que pareça, Dajúlia reclamou que exercia funções em área de risco na usina e também requereu na Justiça o pagamento do adicional de insalubridade nos oito anos em que esteve na CGTEE, todos os cálculos tendo por base o salário de R$ 19 mil. A Justiça do Trabalho da 4ª Região, 2ª Vara do Trabalho de Bagé, em abril deste ano deu ganho de causa ao cidadão registrado em cartório civil com o nome de Flavius Vinicius Brignol Borba, que passa a receber em seis parcelas a quantia total de 891 mil, 506 reais e 76 centavos, com os devidos descontos legais.  É importante ressaltar, ainda, que não foi impugnado o laudo pericial de periculosidade por parte dos advogados da UTE Presidente Médici. 
Essa quantia milionária arrancada da estatal, sem dó nem piedade, por parte do assessor do deputado Mainardi, é um exemplo daquilo que um dia Luiz Inácio Lula da Silva falou: “Pode ser legal, mas não é moral”. Sempre lembrando que o presidente municipal do PT trabalhou em cargo político, indicado e nomeado para a assessoria da presidência como agente de confiança, cargo em comissão.  
O jornal Folha do Sul entrou em contato com Dajulia e não obteve êxito na ligação. A informação é que ele se encontra na Argentina. Também foi feito contado com o advogado da causa, Pedro Jerre Greca Mesquita, que optou por não se manifestar sobre o assunto.

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