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Prefeitos declaram manter ações em contrariedade a discurso presidencial sobre Covid-19
Publicado em 26/03/2020

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Foto: Reprodução/FS

Martens descreveu medidas adotadas na Princesa da Fronteira

Acusados de cometer “um crime contra o país” pelo presidente da República em entrevista coletiva concedida à imprensa na manhã de ontem; prefeitos de cidades em todo país reafirmaram a justificativa para as ações de fechar escolas, restrição ao comércio e outras atividades não essenciais à população durante o período crítico de contaminação pelo vírus Sars-CoV-2. Entre esses líderes, a reportagem do jornal Folha do Sul conversou com os prefeitos de Aceguá, Bagé, Candiota e Lavras do Sul, que em resposta ao teor do discurso presidencial feito na noite de terça-feira e na entrevista de ontem, não vão mudar os protocolos adotados para conter a pandemia causada pelo coronavírus.

Bagé

Divaldo Lara, do PTB, prefeito do maior centro populacional da região da Campanha, disse que enquanto não estiver diante de uma situação que dê segurança à sociedade de Bagé no que se refere à saúde pública e o contágio indiscriminado de pessoas, vai manter o mesmo rigor com o qual está tratando o assunto. "Porque essa é a decisão não só do governo de Bagé, mas da sociedade representada pelo comitê de crise em combate ao Covid-19", justificou. Atualmente, Bagé está em vigor o decreto de Toque de Recolher a partir das 21h, que se estende às 6h, além de restringir horários de atendimento no comércio e outras medidas para evitar a concentração de pessoas, especialmente em locais públicos. Ouvido pela repórter do jornal Folha do Sul, Niela Bittencourt, logo após a divulgação do discurso presidencial, na terça-feira, Divaldo garantiu que vai manter em vigor todas as ações decididas em conjunto pelo comitê de crise: "Nós vamos seguir as orientações das autoridades em Saúde, vamos seguir a orientação da Organização Mundial da Saúde, do governador, e do próprio ministério".

Até a manhã de ontem, Bagé tinha 60 casos suspeitos de contaminação por Covid-19, sete casos confirmados e outros 18 descartados.

Aceguá

Ouvido pela reportagem, o chefe do Executivo de Aceguá, Gehrard Martens, do PSDB, não discordou da fala presidencial em relação à necessidade de retomada da atividade econômica, porém, ressaltou que é necessário que sejam mantidas medidas de contenção. Mesmo concordando com parte do discurso, Martens disse que as escolas vão permanecer fechadas enquanto o decreto de calamidade pública estiver em vigor. “Achei o discurso um pouco polêmico, porém, também acho que não pode parar tudo, porque senão, não teremos como sobreviver. Não podemos parar, mas temos que nos cuidar. A situação está sob controle em Aceguá, pois todas as medidas necessárias foram tomadas. Cerca de 60% dos idosos já foram vacinados e pretendemos completar a meta nos próximos dois ou três dias. O que pedimos é que quem puder, fique em casa até esta situação passar”, declarou.

Até ontem, Aceguá não tinha casos suspeitos ou confirmados de infecção por coronavírus.

Candiota

Oposto a Martens, o prefeito de Candiota, Adriano dos Santos, do PT, foi contundente em questionar a fala presidencial de “voltar à normalidade”, no momento mais crítico de enfrentamento ao coronavírus. “Presenciamos um conflito entre os poderes e falta consenso do presidente com o próprio Ministério da Saúde, que indicou as medidas que adotamos. Inclusive, o que considero mais grave é que a fala do presidente colocou o trabalho das prefeituras e estados em xeque. Aqui mesmo, em Candiota, o discurso motivou a abertura de lojas, em desobediência ao decreto em vigor. É um risco deliberado contra a saúde pública”, afirmou.

Além disso, Santos disse ver com muita preocupação o pronunciamento, pois minimiza a crise e desdenha das medidas adotadas em todo país para contenção da pandemia por Covid-19: “De forma irresponsável sem base técnica, critica ação de governadores e prefeitos para conter a pandemia. Falando em clima, o presidente esquece que os estados do Sul do país entram em um período de clima favorável à proliferação do vírus. Não esquecendo ainda que o sistema de saúde está caótico e num surto de superlotação de postos e hospitais, nossos profissionais da saúde assim como na Itália podem ter que escolher quem vive ou morre”, asseverou.

Em dados atualizados da manhã de ontem, a Capital do Carvão não possui registros de casos suspeitos ou confirmados de contágio pelo vírus Sars-CoV-2.

Lavras do Sul

Na Terra do Ouro, o discurso do líder do Executivo, Sávio Johnston Prestes, do PDT, é de consonância com os prefeitos de Bagé e Candiota, em relação às medidas de contenção ao coronavírus. À reportagem, ele disse que nas próximas horas, vai emitir um decreto de toque de recolher válido para todo município de Lavras do Sul, a exemplo de Bagé, para evitar a contaminação em massa. “Falta bom senso de alguns líderes que parecem não entender o problema. Aqui, ainda enfrentamos o problema de idosos que continuam a circular pela cidade e não existe possibilidade de concordar com o discurso do presidente, mesmo respeitando a figura institucional. Estamos quase tolhendo os direitos de nossos cidadãos para evitar justamente o que foi proposto, se as pessoas forem incentivadas a retomar a vida normal neste momento, haverá um risco da pandemia se alastrar”, alertou.

Em Lavras do Sul, até a tarde de ontem, havia dois casos suspeitos de infecção que aguardavam os resultados e nenhum diagnóstico positivo por Covid-19. Prestes também fez um apelo à comunidade, para que respeite as recomendações da OMS e fique em casa. “Ainda não sabemos se as medidas vão dar resultado, porém, o período de isolamento poderá se estender por até seis semanas, talvez mais. Por isso, é importante que as ações sejam feitas agora”, sustentou.

Sem contato

A reportagem do Folha do Sul tentou contato com os prefeitos de Dom Pedrito, Mario Augusto de Freire Gonçalves, do PP; e também o chefe do Executivo de Hulha Negra, Carlos Renato Teixeira Machado, do PDT. Contudo, após várias tentativas, as chamadas não foram atendidas.

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