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Prefeito ressalta criação de hospital de campanha para enfrentamento à crise
Publicado em 25/03/2020

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Foto: Divulgação/FS

Divaldo justificou ações em defesa à saúde da população

Com a continuidade das ações para enfrentar a crise ocasionada pela pandemia causada pelo vírus Sars-CoV-2, o prefeito Divaldo Lara relatou em conferência com a imprensa, ontem, as ações e o balanço dos trabalhos do comitê de crise formado entre diversos níveis da sociedade. Entre eles, a criação de um hospital de campanha, para reforçar o atendimento aos casos com sintomas de gripe H1N1 e outras infecções respiratórias e, principalmente, coronavírus.

De acordo com o chefe do Executivo, serão 50 novos leitos para atendimento a pessoas com sintomas de gripe e com isso, Bagé terá 120 a 130 leitos para atender a comunidade. Caso a situação exija mais espaço, em último caso, os residenciais da avenida Espanha serão ocupados pelo Exército para que o local seja também utilizado para o tratamento de vítimas da doença. “É o nosso “plano B”. Se esses espaços nas unidades hospitalares e o hospital de campanha com 50 leitos não forem suficientes, nós vamos apelar para os residenciais”, declarou.

Bloqueio de recursos do Estado

Entre os temas abordados na entrevista, Divaldo ressaltou o atraso de recursos estaduais e federais neste momento crítico para a cidade. “Estamos cobrando fortemente dos governos ações que remetam recursos para fazer a gestão neste momento de crise. O governo do Estado está sendo omisso na assistência aos municípios. Inclusive, estamos entrando na Justiça para bloquear recursos do Estado para atender às necessidades. É importante porque não tem de onde tirar se não tivermos recursos”, argumentou.

Status da pandemia

Conforme Divaldo, dos sete casos de contágio confirmado por coronavírus em Bagé, somente um permanece hospitalizado e os demais estão em isolamento domiciliar. Ao todo, conforme informado pela prefeitura, Bagé contabiliza 60 suspeitas em investigação, 18 casos descartados e nenhum óbito vinculado ao Covid-19.

Toque de recolher

Quanto às primeiras 24 horas de toque de recolher, Divaldo destacou que a adesão à medida foi de 90%. “Não foi necessário reforço do Exército para o toque de recolher. O trabalho da Brigada Militar e Vigilância Sanitária está sendo o suficiente. Nosso primeiro dia foi excelente, pois a população está fazendo sua parte. Existem casos isolados, mas na grande maioria, existe a obediência ao toque de recolher”, comentou. O prefeito ainda asseverou que não teve aumento no número de infectados e que a estatística quanto às suspeitas descartadas foi positiva. Outra situação apontada pelo prefeito é que os resultados desta semana vão influir no prazo de continuidade do decreto que instituiu o toque de recolher. “Vamos renovar o decreto que expira nesta sexta-feira e o tempo depende dos resultados que obtivermos ao longo desta semana”, sustentou.

A multa para quem circular sem autorização, das 22h às 6h, é de R$ 900 a R$ 9 mil. Os recursos são revertidos aos serviços de saúde do município.

Vacinação somente para idosos

O prefeito orientou à comunidade que durante esta semana, a prioridade de atendimento nas unidades da saúde é a vacinação para idosos. “Quanto às crianças, vamos aguardar essa semana e priorizar os idosos, por se tratar de uma semana crítica para nós (a respeito ao enfrentamento da pandemia) e queremos alcançar bons resultados”, afirmou.

Assistência social

Em relação às famílias em grave situação de vulnerabilidade social, Divaldo pontuou que a Secretaria de Assistência Social, Habitação e Direitos do Idoso (Smasi) e Defesa Civil mapearam cerca de quatro a cinco mil famílias em Bagé e destas, já foram atendidas 450. “Calculamos que este número deve ser o mais atingido pelos problemas causados pelo isolamento”, disse.

Doações de alimentos, roupas, materiais de higiene pessoal podem ser entregues na sede da Defesa Civil, junto à prefeitura. Os materiais de saúde, luvas, álcool, máscaras e outros  podem ser destinados aos postos, hospitais e à Unidade de Pronto-Atendimento 24h.

Ação justificada

Em relação à dureza das medidas, o prefeito disse que se sente obrigado a manter as restrições para prevenir situações como a que acontece na Europa, onde morrem 500 pessoas em um dia. Em tom de desabafo, ele  frisou que mesmo que tenham descontentes com as medidas, o compromisso dele é com a saúde da população. “O que eu mais quero é voltar para a normalidade. Se você liga para autoridades do Estado, eles dizem que se você não fizer tudo que tem que ser feito, vai faltar caixão na sua cidade. É essa a situação. Vou manter essa linha dura até que se resolvam esses casos, até que se tenha uma vacina para que isso não chegue ao pobre e ao velho”, argumentou.

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