Prefeito descarta novo fechamento do comércio em Bagé
Publicado em 03/07/2020

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Foto: Niela Bittencourt

Autoridades reiteraram necessidade de respeito aos protocolos de segurança para evitar novas restrições

O Rio Grande do Sul completou 15 semanas em estado de calamidade pública ontem. O governador Eduardo Leite divulgou um vídeo, alertando a população de que as próximas duas semanas, segundo ele, serão o período mais crítico do enfrentamento à pandemia no Estado. Ele também fez um apelo para que nas próximas duas semanas, os gaúchos façam o máximo para ficar em casa e se proteger contra a covid-19. O chefe do Executivo não descartou ainda o lockdown – fechamento de todas as atividades não essenciais - devido ao aumento de internações em unidades de terapia intensiva por conta do coronavírus.

Em Bagé, a situação é de atenção, porém, as autoridades entrevistadas pelo jornal Folha do Sul não têm previsão de seguir um eventual fechamento proposto pelo governo estadual, por ora.

O prefeito Divaldo Lara, em entrevista à reportagem do jornal Folha do Sul, afirmou que a situação está controlada no município. Ele disse que não abre mão de manter as atividades em funcionamento, com respeito às medidas de prevenção – uso de máscaras, itens de proteção e higiene pessoal, para que novos setores da economia também sejam retomados. “Neste momento, não é o caso de seguir o Estado em relação a um possível lockdown. Bagé é a cidade referência no Rio Grande do Sul no combate ao vírus e pretendemos manter as ações que estão dando certo na contenção à covid-19. Somente se ocorresse uma mudança muito grande no cenário atual para nos fazer mudar nosso posicionamento”, asseverou.

A preocupação, segundo Divaldo, diz respeito, principalmente à manutenção dos empregos e da renda. “Fechar tudo significaria um prejuízo incalculável aos empregos. Não estamos em um momento de fechar, somente se a situação mudasse muito e a população de Bagé ficasse em risco”, sustentou.

Atenção

Para a secretária de Saúde e Atenção à Pessoa com Deficiência de Bagé, Deise Quadros, a afirmação do governador é sinal de que a população precisa retomar as medidas de distanciamento social e o apelo de Leite diz respeito à situação que se desenrola em Porto Alegre e região Metropolitana. “Nós estamos atentos quanto à situação, sobretudo, em Porto Alegre, que ultrapassou os 90% de taxa de ocupação em UTI. Por isso, precisamos que a comunidade entenda que é um momento importante de manter o máximo possível do respeito ao distanciamento para que a crise não chegue ao mesmo nível aqui”, enfatizou.

Situação atual

Segundo ela, o Comitê de Crise do município monitora diariamente o atendimento em postos de saúde, Unidade de Pronto-Atendimento 24h e hospitais. A situação atual é que nenhum dos 30 respiradores está em uso e somente um leito de UTI destinado a pacientes da covid-19 está em uso. “Temos um bageense internado na UTI da Santa Casa de Caridade e tem o quadro clínico estável; além de outros duas pessoas, oriundas de Caçapava do Sul e São José do Norte. Também temos dois casos suspeitos em leitos clínicos, aguardando confirmação. O de Bagé é um homem de 70 anos, que possivelmente contraiu a doença em sua festa de aniversário, quando recebeu parentes vindos de Rio Grande”, relatou. Com isso, até as 15h de ontem, eram cinco leitos ocupados na Santa Casa, com um panorama bem diferente da região Metropolitana.

Somente em último caso

Mesmo que a situação da doença esteja sob controle na visão das autoridades de saúde, Deise deixou claro que na eventualidade do aumento de internações e uso de respiradores, o comitê não descartaria adotar novamente medidas mais restritivas, inclusive, o lockdown, para evitar o colapso do sistema de saúde em Bagé, que também recebe pessoas de outros municípios da região e do Estado: “O prefeito Divaldo Lara deixou bastante claro que não vai hesitar em adotar as medidas recomendadas pelos profissionais da área, mesmo que signifique fechar serviços não essenciais, para proteger a saúde da população, mas isso será feito se for extremamente necessário”.

Ponto pacífico

Em um ponto, as autoridades locais concordaram com o governador, principalmente no que diz respeito à necessidade da população se proteger adequadamente contra o vírus e não promover ações que tragam risco à população. Deise reiterou que as autoridades seguem vigilantes na fiscalização das atividades diárias, além de coibir aglomerações e festas clandestinas. “Temos recebido muitas denúncias de desrespeito às medidas sanitárias e é preciso que a população entenda que, sim, este é um momento importante para manter todas as ações que reduzam os riscos de contaminação. Um  lockdown só aconteceria em Bagé se a população não tomar consciência que o distanciamento é necessário e essencial. Nós divulgamos todos os dados relativos à doença e a transparência é importante para que a população saiba que não temos nada a esconder em relação à doença”.

Justificativa

A chegada do frio, que pode sobrecarregar o sistema de saúde, coincide com quase metade do Rio Grande do Sul (46% da população) sob bandeira vermelha. Ou seja, com risco epidemiológico alto por estar com elevada a ocupação hospitalar e a propagação do vírus, conforme o modelo de distanciamento controlado.

Somente os municípios da Região 22 – Aceguá, Bagé, Candiota, Dom Pedrito Hulha Negra e Candiota; além da Região 6 – Cambará do Sul, Igrejinha, Parobé, Riozinho, Rolante, São Francisco de Paula, Taquara e Três Coroas, apresentam risco baixo de contaminação. O temor das autoridades estaduais é que as regiões que registram aumento progressivo nos índices de ocupação dos leitos hospitalares com a intensificação dos meses frios forcem o Estado a adotar o isolamento total.

“É fundamental que, nos próximos 15 dias, retomemos os níveis de isolamento intenso que observamos no início de abril. Vivíamos, naqueles dias, os primeiros movimentos de convivência com a doença. Agora, eu sei, estamos todos cansados, pois somos todos humanos, mas não é hora de desistir! Pelo contrário: diante do momento mais crítico, a nossa melhor resposta ainda é a persistência”, pontuou Eduardo Leite.

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