Precaução x bestialidade
Publicado em 17/04/2020

Editorial

O que se viu ontem na área central de Bagé foi de arrepiar os cabelos até dos mais incautos. Depois de longos dias de isolamento social em razão da pandemia que se alastra e não poupa ninguém, o comércio de Bagé reabriu as portas no período da tarde, conforme determina o decreto municipal. Bastou para o povo se jogar às ruas em massa, como se não houvesse amanhã. A questão mais importante do que sair para rua diz respeito ao comportamento errado das pessoas, pois não respeitam as orientações das autoridades sanitárias para evitar o contágio do vírus – esse é o maior problema. Cada um sabe da sua vida, desde que não coloque a vida do outro em risco e foi isso que se viu ontem em Bagé. Filas imensas e sem o devido distanciamento que se deve ter. A reportagem do jornal Folha do Sul flagrou e fotografou um grupo de jovens em uma dessas filas em altos papos e amontados, inclusive, ao lado deles, havia uma idosa. Diante do que vive a humanidade ameaçada pelo vírus invisível, atitude como essa é crime sim. De nada adianta se horrorizarem diante das notícias sombrias ou negá-las, como costumam fazer os comentários de redes sociais, se o comportamento é deplorável. Embora os estabelecimentos comerciais estejam adotando as medidas necessárias no interior das lojas, eles poderiam também orientar do lado de fora, pois são seus clientes que estão nas filas e estamos falando de preservação da vida. Equipes da prefeitura percorreram esses locais, em uma dessas filas, uma mulher disse um não bem 'redondo' para uma funcionária pública que oferecia álcool-gel para passar não mãos. Ontem, as imagens de Bagé deixaram moradores de outros municípios do Estado estarrecidos com o que viram. Uma emissora de rádio de Passo Fundo fez contato com a jornalista do Folha do Sul, Thaís Nunes, para saber informações sobre as imagens da Rainha da Fronteira, que já percorriam o mundo. Nenhum exagero está sendo dito em função do que foi visto ontem. Bagé já figurou  na 10ª posição do ranking do Ministério da Saúde como o município com a maior incidência de Covid-19 do país. Desde o início, medidas austeras foram tomadas pelo governo municipal no sentido de estancar o avanço da doença, mas se cada um não fizer sua parte, está colocando a própria vida em risco e a do outro também – isso é fato. É para ter medo, sim, do que representa essa ameaça tão constante, pois foi por falta desse medo que se vê o horror em países da Europa, como, por exemplo, na Itália, com filas de caminhões do Exército transportando mortos. Cada um tem que ter essa consciência para não prejudicar quem precisa trabalhar, bem como o comércio que precisa funcionar.

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