Por que acabar com o abigeato é fundamental?
Publicado em 06/05/2015

Editorial

por Felipe Valduga
felipelvalduga@gmail.com

A manifestação realizada por produtores no interior de Bagé, que teve início ontem, na localidade de Palmas, como forma de chamar a atenção das autoridades para a insegurança no campo, e em especial para os frequentes registros de abigeato na região, tem todo o sentido. Isso porque, independente das ações que vêm sendo desenvolvidas para combater o crime, algumas até com êxito significativo, a prática não é extinta.
É claro que alguns índices apresentados até o ano passado, pelo governo do Estado, mostravam resultados positivos. Houve, de fato, em alguns períodos, uma redução de casos. Mas eles, infelizmente, continuam.
Para quem produz, seja o pecuarista ou o ovinocultor, os prejuízos causados por esse delito são impactantes. E não importa o tamanho do negócio. Na região, conhecida por gerar carnes nobres e sempre buscadas pelo mercado, o reflexo mais imediato é a redução da oferta e, com isso, mais adiante, o aumento dos preços no varejo. Ou seja, afeta todos.
Não adianta argumentar que a comercialização dos produtos de origem irregular traz benefícios ao comprador, já que, geralmente, são vendidos abaixo do valor de mercado. Mais cedo ou mais tarde, todos terão que buscar no varejo regularizado os produtos, cujos preços sobem com frequência.
Neste cenário, cabe ressaltar que operações integradas das forças policiais trouxeram um pouco mais de calmaria para os produtores. Mas não o suficiente. Agora, com a possibilidade da aprovação de um projeto, em Brasília, que estabelecerá penas mais pesadas para os responsáveis pelo abigeato, um novo panorama poderá se estabelecer. A tese é de que haverá uma inibição mais contundente à prática. Mas, para que o efeito seja efetivo, é, como sempre, necessário e fundamental que investimentos sejam destinados aos órgãos de segurança. Nesses casos, muito em função das distâncias entre as propriedades e os centros urbanos: é inviável acreditar que, sem patrulhamento intensivo e periódico, haja êxito.
À região, é fundamental que o protesto realizado atraia a atenção dos governos estadual e federal, e resulte em medidas imediatas. E que, assim como em Saúde e Educação, não sejam poupados recursos – investidos com planejamento, é claro.

Deixe sua opinião