Efeito coronavírus
Pedidos de seguro-desemprego sobem 76,2% em maio
Publicado em 23/05/2020

Geral

Foto: Arquivo/FS

Estatística aponta 8,33% de desempregados no RS e 33% da massa ocupada via trabalho informal no Estado

Os pedidos de seguro-desemprego de trabalhadores com carteira assinada subiram 76,2% na primeira quinzena de maio em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo a Agência Brasil, o levantamento divulgado pela Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia e considera tanto os atendimentos presenciais – nas unidades do Sistema Nacional de Emprego (Sine) e das Superintendências Regionais do Trabalho – e os requerimentos virtuais, em todo Brasil.

Na primeira metade do mês, 504 313 benefícios de seguro-desemprego foram requeridos, contra 286 272 pedidos registrados no mesmo período do ano passado. Ao todo, 77,5% dos benefícios foram pedidos pela internet no mês passado, contra apenas 1,7% no mesmo período de 2019.

De acordo com o coordenador da agência da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social / Sistema Nacional de Emprego (FGTAS/Sine), Roberto Messias, somente no último mês, foram cerca de mil atendimentos – entre presenciais e por meio do uso de plataformas digitais. “O que percebemos é que o público tem se adaptado à realidade e ampliado o uso das plataformas digitais para acessar os serviços públicos oferecidos pela agência. No caso do seguro-desemprego, o atendimento é feito por agendamento prévio, pelo telefone: (53) 98428 1343, ou via e-mail”, explicou.

Número acumulado

Apesar da alta de maio, os pedidos de seguro-desemprego cresceram em ritmo menor no acumulado do ano, tendo somado 2 841 451 de 2 de janeiro a 15 de maio de 2020. O total representa aumento de 9,6% em relação ao acumulado no mesmo período do ano passado, 2 592 387.

A própria secretaria, no entanto, estima que os dados para o ano podem estar subestimados em até 250 mil pedidos. Isso porque diversos trabalhadores sem acesso à internet não estão conseguindo pedir o benefício nas unidades de atendimento presencial, que estão com o funcionamento suspenso por causa da pandemia da covid-19.

A estimativa foi elaborada com base na média dos pedidos de seguro-desemprego por meio do atendimento presencial. Segundo o Ministério da Economia, a pasta está divulgando as projeções de pedidos que deixaram de ser realizados para dar um quadro mais honesto do impacto da pandemia sobre o mercado de trabalho.

Nos cinco primeiros meses do ano, 46,1% dos requerimentos de seguro-desemprego (1 309 554) foram pedidos pela internet, pelo portal gov.br e pelo aplicativo da carteira de trabalho digital; 53,9% dos benefícios (1 531 897) foram pedidos presencialmente. No mesmo período do ano passado, 98,4% dos requerimentos (2 551 623) tinham sido pedidos nos postos do Sine e nas superintendências regionais e apenas 1,6% (40 764) tinha sido solicitado pela internet.

Embora os requerimentos possam ser feitos de forma 100% digital e sem espera para a concessão do benefício, o Ministério da Economia informou que os dados indicam que muitos trabalhadores continuam aguardando a reabertura dos postos do Sine, administrados pelos estados e pelos municípios, para darem entrada nos pedidos. O empregado demitido ou que pediu demissão tem até 120 dias depois da baixa na carteira de trabalho para dar entrada no seguro-desemprego.

Perfil

Em relação ao perfil dos requerentes do seguro-desemprego na primeira quinzena de maio, a maioria é masculina (58%). A faixa etária com maior número de solicitantes está entre 30 e 39 anos (32,5%) e, quanto à escolaridade, 61,9% têm Ensino Médio completo. Em relação aos setores econômicos, serviços representaram 42,1% dos requerimentos, seguido por comércio (26,2%), indústria (20,6%) e construção (7,8%).

Suspensão

Desde o início do ano, as estatísticas oficiais de emprego com carteira assinada estão suspensas. Os dados de 2020 do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) deixaram de ser divulgados por causa da mudança na forma de registro dos dados, que passou a ser feita no eSocial, sistema eletrônico de registro das informações de empregadores e de empregados.

Além de empresários que ainda estavam adaptando-se ao processo informatizado, a pandemia do novo coronavírus tem impedido as empresas de concluírem a transição para o novo sistema. Segundo o Ministério da Economia, a divulgação do Caged será retomada assim que as empresas puderem enviar as informações corretamente.

Oferta de empregos diminui

De janeiro a abril de 2020, as agências FGTAS/Sine disponibilizaram 21 096 vagas de trabalho no RS, o que representa uma queda de -25,13% em comparação ao primeiro quadrimestre de 2019. Já, se analisarmos somente o mês de abril, a redução no número de vagas oferecidas é ainda mais expressiva e chega a -84,57% no Estado. No mês passado, foram cadastradas 953 vagas de emprego, enquanto no mesmo período de 2019 esse índice era de 6 175 vagas.

Conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Ibge), a taxa de desocupação no primeiro trimestre do ano no RS era de 8,3%. O índice representava 504 mil trabalhadores desocupados. Por outro lado, no mesmo período, havia 5,579 milhões de trabalhadores ocupados. Desse total, 33% dos ocupados ou 1,843 milhão de trabalhadores atuavam no mercado informal.

Para o diretor-presidente da FGTAS, Rogério Grade: “Apesar do cenário atual de desemprego no Estado e no país, alguns segmentos econômicos já estão retomando suas atividades, tais como a indústria e o comércio, representado por supermercados e farmácias”.

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Vagas abertas

Ampla Concorrência

(1 vaga) casal – propriedade rural (trabalhador rural/cozinheira) – exige-se possuir experiência e referências;

(1 vaga) auxiliar contábil - com experiência comprovada na função na CTPS. Possuir curso técnico de contabilidade ou cursando ciências contábeis;

(1 vaga) Técnico de automação industrial em Candiota - com experiência comprovada, possuir o curso de Técnico em Automação;

(1 vaga) caseiro para campanha - com experiência na função comprovada.

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