Para manter a tradição
Publicado em 09/09/2015

Editorial

por Felipe Valduga
felipelvalduga@gmail.com

Não que seja uma regra, mas todo o gaúcho, desde o nascimento, costuma levar consigo uma certa afeição e quase que um fanatismo por este chão. E não é exagero. São raros os casos em que os habitantes de um estado brasileiro têm, na ponta da língua, a letra do seu hino regional. Isso, inclusive, já foi percebido e difundido país afora, como uma espécie de reconhecimento ao nosso povo. Mas não é apenas isso, existe uma certa paixão pelo chimarrão, pelo churrasco e por tantas outras manifestações culturais que fazem crer que somente um gaúcho sabe o que é, de fato, ser gaúcho.
É claro, para que cheguemos a momentos assim, é preciso recordar o passado. As lutas travadas neste chão – em especial contra povos estrangeiros – talvez tenham sido a principal válvula motivadora desse sentimento regionalista que, passados os anos, permanece. E se enraízam cada vez mais, mesmo nas novas gerações.
Mas esse tradicionalismo encravado na alma também é resultado de uma prática que não está atrelada unicamente ao cotidiano da casa, ou mesmo da escola. É, sim, também, fruto de um trabalho de culto aos costumes locais que nasceu, se assim pode-se dizer, através da criação dos Centros de Tradições Gaúchas, os CTGs.
Sim, afinal, foi através desses espaços que uma potente e ramificada difusão de incentivo à prática da nossa cultura ganhou força. E não somente por aqui, mas por outros pagos, distantes, até mesmo em outros países. Foi nesses locais que jovens puderam conhecer, e praticar, desde as tradicionais danças, músicas até outras manifestações oriundas do gaúcho.
E o que começou em 1948, com o CTG 35, de Porto Alegre, teve, na Rainha da Fronteira, um resultado exemplar: o CTG 93, criado em 9 de setembro de 1952, exatamente há 63 anos. E essa entidade local é, até hoje, um marco na história do município. Primeiro porque dali brotou a paixão pelo Rio Grande do Sul de muitos jovens e, segundo, porque seus administradores souberam, até então, mantê-lo vivo e atuante, sem esmorecer. Hoje é dia de homenagear quem, há décadas, luta para manter a tradição.

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