No Ar
Folha do Sul
Web Rádio

Papo de elevador - 7 de setembro
Publicado em 07/09/2019

Papo de Elevador

Foto: Arquivo/FS

Desfile do Centenário da Independência do Brasil

Janelas da 7
Um dia, quando ninguém estiver espiando, quando ninguém estiver atento, então vou me debruçar nas janelas das casas tantas da avenida 7 de Setembro de Bagé para colher histórias e contá-las, em livros, em filmes, em internet. Temos muito o que dizer sobre essas terras.

Vidas da 7
Quem sabe não encante as histórias de famílias, de clubes e lojas? Quem sabe não entusiasme as histórias de homens carrancudos, mulheres sábias, velhos cheios de segredos que jamais teriam como contar? Poucos sabem, mas a 7 é a rua que se impôs sobre tantas vias e lugares de Bagé. Nasce num cemitério e morre sabe-se lá onde, muito além da Tupy Silveira, por onde vai além. 

Portão da 7
Antigamente, bem antigamente, lá pelos anos 40 de 1800, uma via começou na rua que chamavam de Acampamento (ainda chamam) e foi delimitada até a rua do Conde, onde hoje de um lado é a Monsenhor Costábile Hipólito e do outro General Sampaio. Neste local, havia um portão, segundo consta em documentos e arquivos públicos. Era uma “entrada” para a cidade. Acredito que naqueles moldes dos fortes e castelos, porque por ali passavam cavaleiros, carroças e carretas. 
O povo chamou essa via de rua do Portão.

Antes da 7
Portanto, a 7 de Setembro antes de ser 7 de Setembro foi rua do Portão. O centro de Bagé ficava no entorno da capela de São Sebastião. O acampamento do exército de Dom Diogo de Souza, o fundador, abrangia desde a margem do arroio, onde se originou a rua do Acampamento, até o local da capela. Assim, nesta área da igreja se formou o “fervo”, ali as coisas acontecia, ali cavalos e carroças iam e vinham para cima e para baixo.   

Agora é 7
O ano de 1860 parece ter sido de sentimento patriótico. Várias ações para comemorar a Independência do Brasil ocorreram naquele ano. Um deles teve cenário a Câmara Municipal, que aprovou a mudança de rua do Portão para rua 7 de Setembro. Também houve a criação de uma associação para comemorar os festejos da independência, o que só se concretizou em 1861, era a Associação 7 de Setembro.   

Cemitérios da 7
Onde hoje está a praça de Esportes (Rio Branco), abrangendo a área da praça e à frente, da esquina da Carlos Mangabeira até o início da Tupy, foi cemitério. É bom lembrar que tudo era campo e o lugar alto, como convinha a um cemitério. 
Depois, em 1858, foi para um lugar baixo, sem que ventos e nem porquês afastem qualquer odor, onde continua até hoje, lá no início da Sete.

Calçamento da 7
O calçamento da rua 7 teve início em setembro de 1897. O edital previa 450 metros em primeiro momento, começando na praça Carlos Telles, da esquina da igreja, até a rua Dr. Penna. Essa primeira parte terminou em fevereiro de 1898. Em novembro, o calçamento chegou ao Mercado Público. Era feito de pedras. Acabava com o barro, a poeira e a sujeira da cidade. Isso deixou a população maravilhada. Então, começou uma onda de colaboração com a prefeitura para que continuasse a obra. 

Ônibus da 7
Em 1927, a empresa de Juvenil Bispo e José Arteche inaugura a primeira linha de ônibus de Bagé, entre a Vila Arejano (quartel do Mec) e o cemitério, com trajeto pela rua 7 de Setembro. 
Era o ônibus da Sete, que inicia com a pioneira empresa Bispo, esquecida da história de Bagé na década passada, de forma cruel e desumana. 
A sede Bispo ficava na General Osório, local em que se instalou o Banrisul. 

A Voz da 7
Em 1934, Vicente Gallo Sobrinho cria a Voz de Bagé, serviço de alto-falante, com uma central na rua Sete, na quadra do edifício Avenida, com alto-falantes instalados em pontos estratégicos da cidade como a esquina da 7 com rua Três de Fevereiro (Salgado Filho) e 7 com General Sampaio. Gallo idealizou um dos primeiros serviços de alto-falantes do Estado. Possuía piano no auditório de onde transmitiam uma programação variada, com notícias variadas, esportes e músicas ao vivo.

Avenida 7
Há muito o que dizer sobre essa rua que hoje é denominada avenida. Faz parte da história da cidade. Aliás, sobre essa história de ser rua ou avenida não há uma regra muito clara em nosso município. Para evitar confusões, a prefeitura de São Paulo baixou um decreto, em dezembro de 1988, estabelecendo critérios. As ruas têm largura entre 7,2 e 19,99 m e as avenidas mais de 20 m. Em Porto Alegre, é intuitivo. 
 

Deixe sua opinião