PAPO DE ELEVADOR - 3 de março
Publicado em 03/03/2020

Papo de Elevador

Foto: Márcia Sousa

Divaldo 2020

Até ontem, o discurso do prefeito Divaldo Lara era o de não ser candidato à reeleição. Vinha dizendo isso em rodas de amigos e em alguns eventos quando questionado. Mas, na segunda, durante a sessão ordinária de abertura da Câmara Municipal, ao responder algumas perguntas do vereador Lelinho Lopes, do PT, resolveu admitir sua pré-candidatura. Admitir ou anunciar, depende o real que habitava a mente do prefeito.

Oposição e reeleição

Segundo Divaldo Lara, foi o PT em sua oposição “desenfreada” e denuncista que motivou sua decisão. Embora não com essas palavras, para o prefeito, ainda há muito o que fazer pela cidade e existe um projeto para o desenvolvimento de Bagé. No entanto, essa desmedida petista, de uma oposição rasa, burra e de ódio, aliada à gana de voltar ao poder no Brasil, faz com que se alie aos que não querem o PT de novo no comando da nação.

 

O ócio irmão do ódio

Uma pausa aqui para registrar a frase da vereadora Sonia Leite, na sessão de ontem: “Não tenho ódio porque não tenho tempo para o ódio. Tenho muito o que fazer.”

Muitos poderiam seguir essa filosofia.

Vitrine de esquerda

Ainda na sessão legislativa, o vereador Chico, do PSB, deu sinais que estava disposto a mostrar para a esquerda bageense, que faz a sua claque, com quais armas lutará na eleição deste ano. Foi para cima do prefeito, de tacape, perguntando e discursando sobre ética e dignidade na política. Disse que se Divaldo viesse candidato seria através de uma liminar, porque o prefeito foi condenado por um colegiado.

Tudo para chocar

Entre cabeças e pontapés, tentando ser contundente, Chicou acusou o prefeito de ceder uma área pública da rodoviária ao Supermercado Nicolini e abusou, citando o “rouba, mas faz”, expressão cunhada para o ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros, de forma irresponsável, quando queria utilizar expressão mais direta.

 

Cobra mandada

Ao ouvir o vereador falando não tive dúvidas que lia uma cartilha eleitoral, agia como cobra mandada. A ordem era ser contundente, acusar, fazer mídia para o período eleitoral, mas não sofrer nenhum contraponto arrasador, nenhum processo ou algo que pudesse levá-lo à antipatia popular.

 

Paladino da justiça

O prefeito mostrou que conhece a administração, conhece sua gestão e sabe o que está fazendo, sem perder a noção das regras da política. Com calma ante as ofensas “encortinadas” do vereador Chico, começou carimbando-o como o paladino da justiça que atua em uma rádio pirata. Depois tratou de falar de quem o socialista pretende apoiar ou estar junto na eleição para prefeito.

O PT e a não ética

Para Divaldo, se Chico é um paladino da justiça não pode apoiar o PT, não pode apoiar quem roubou tanto do Brasil e citou Bagé, através dos 6,5 milhões de reais desviados da barragem da Arvorezinha que a prefeitura está pagando. Também citou um possível candidato que Chico apoiará e que responde a processos, inclusive, por porte ilegal de arma e contrabando.

Depois, o prefeito desafiou o vereador do PSB a concorrer a prefeito, porque, segundo o chefe do Executivo, assim poderá se vangloriar de ser o “paladino da justiça”.

“Efeito suspensivo”

Apesar desta coluna pinçar essa parte do todo na participação do prefeito Divaldo na Câmara de Vereadores, a verdade é que houve muito mais assunto interessante e menos “chulos” que perguntas e respostas provocativas. O que ainda pode ser abordado. Porém, ainda vou tentar esclarecer a questão do “concorrer por liminar” e “efeito suspensivo”, que pelo jeito o advogado vereador desconhece.

Não existe “liminar”

Como advogado, o doutor Luís Alberto Silva, neste caso vereador Chico, deveria saber que na Lei Eleitoral o efeito suspensivo é automático quando se recorre da sentença. Não há a liminar. E não há trânsito em julgado. Para esclarecer melhor: o tema se refere a abuso de poder no evento “Jantar no Betemps” na campanha eleitoral do deputado de Luís Augusto Lara. Houve uma condenação por 4 votos a 3. Os irmãos recorreram, a sentença foi suspensa, portanto, Divaldo Lara pode concorrer a prefeito em 2020. Não se trata de liminar.   

Ofensas e agressões

Trocando em miúdos, o prefeito refutou as acusações do vereador, discordou das questões relacionadas à falta de etica, duvidando que seu opositor tenha autoridade para discorrer sobre o tema, ressaltou que está tranquilo, não tem culpa, foi acusação da esquerda e pediu que a oposição fosse feita a ele, prefeito, e não à família dele, que deve ficar fora “de ofensas e agressões”.

O mecanismo

Tenho afirmado há algum tempo que todo o movimento petista, seja no ABC Paulista ou no bairro Camilo Gomes em Bagé, é realizado de forma meticulosa, pensando na volta ao poder em Brasília. O PT trama para chegar ao Planalto, com um pensamento de guerrilha, utiliza-se de todos os seus soldados em candidaturas viáveis, inviáveis ou coligadas, da Prefeitura da Hulha ao Rio de Janeiro.  Eis o golpe que tentarão. Eles precisam preencher espaços até 2022 e para esse mecanismo funcionar utilizar-se-ão do Chico na Câmara de Bagé e do Mainardi como candidato a prefeito. A ordem é: PT de volta ao poder.

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