PAPO DE ELEVADOR - 29 DE MAIO
Publicado em 29/05/2020

Papo de Elevador

Foto: Reprodução/FS

Carlos Crispim era sócio-proprietário da Meta Publicidade

O espírito de Bagé
Tenho da minha cidade as melhores recordações de um passado que parece de séculos. E não é de séculos, é recente. Lembro-me de pessoas, personagens folclóricos, lembro ruas, casas, lojas, bares e lembro algo mais forte e profundo, que toca retumbante em meu peito: os momentos. Momentos são construções de vida. O espírito do lugar faz essas coisas com a gente, basta deixar mente e coração vagar, livres, percorrendo o tempo em ares do lugar.

“Meninos, eu vi!”
Poderia fazer uma lista de momentos, como vi outro dia no Facebook, de uma Bagé que vivemos com esperança de futuro melhor. Escreveria que:
- Assisti Chocolate e Dalila cantando Ronda no Bartinho.
- Os vereadores Davi Pegas, Washington Bandeira e Valentim Casalli, debatendo na Câmara.
- Guarany 2 x Inter de Poa 2, numa quarta à noite, com gol de Quina do meio-campo.
- Mathias Nagelstein atuando no tribunal do júri.
-  Matiné no Cine Glória, com todo mundo vibrando e batendo os pés no piso.
- Caipirinha, na Esquina Bianchetti, à espera de uma paixão.
- Alaor, no sinal, Paulinho Vesgo, no Militão e Carlinho Gambá, no carnaval.
- Tertúlia em Semana Crioula, no Parque da Rural, com Maria Luíza Benites.
- Eu ouvi Fredolin, na Difusora; Prola, na Clube e Walter Fagundes, na Cultura. 
- Acompanhei o dia em que Bagé parou porque uma “moça” ia aparecer nua na propaganda da Jojô Jeans, coisas do Betto Coronel. 
- Vi King Kong, Diabolina, Ibajé, Cabrito, Cobra, Barão e tantos, tantos, fazer o povo feliz na avenida Sete de Setembro, quando usavam-se máscaras por inocência.
- E de bandeirinha do Brasil na mão, uniforme escolar branco e azul-marinho, aos 9 anos, fui esperar o presidente Médici chegar a Bagé. Nem sabia o que era tudo aquilo, mas a vida em comunhão, todos juntos, uníssonos, era muito boa.  
A lista é maior. Paremos por enquanto. Vivemos uma Bagé para poucos, formando a cultura de transição campo/cidade, com o compromisso de não perder suas raízes e ter esperança no que viria.  

A propaganda
Entre esses momentos de nostalgia gosto de pensar que estive na propaganda bageense quando havia interesse e compreensão sobre a propaganda. Aliás, o amigo Enilson Oliveira, Carioca, há 20 anos, me convida para escrevermos a história da propaganda bageense (antes que algum aventureiro o faça). Entrei nesse universo pelas mãos de três pessoas: Paulo Bazerque, João Batista Benfica e Aristides Kucera. Cada um de um jeito, todos importantes para mim. Tornei-me, então, redator publicitário. 

Nomes nos “reclames”
Os anos 70 e 80 foram excepcionais para a comunicação em Bagé. Havia Roberto Burns, Ernesto Lima, Betto Coronel, Walmore Not, Zélio La Rocca, Léo Duarte, Crispim Gonçalves, Sérgio Bervig, José Francisco Silva (o Bolão), Antônio Teixeira, Eduardo Costa, Gustavo Esteves... É melhor parar com os nomes porque vou esquecer muita gente, Osnei, Larronda, Rosane Mendes, Nice Ferreira, Arlete Porto, Carmen, Sonia, Jesus, Érico, Saionara, Mário, Dalmir, Carolina, Isabel, Mariângela, Abílio, Milton, Vera...


Era de ouro
Esse pessoal respirava comunicação, vivia a propaganda e havia um idealismo de contágio no seu dia a dia que motivava o ser criativo. Com irritações, contradições, erros e uma eterna vontade de acertar. 
A Probal, Propaganda Bagé Ltda., que chegou a estar no ranking das principais agências do Sul do Brasil, foi o símbolo de uma época em ousadia e criatividade. Quadra, Meta, Stratégia, Produção Independente, Criarte, Sigma, agências dos anos 80 na aldeia Bagé. 

Artesãos de anúncios
Reservei este espaço para a propaganda bageense por ser útil à memória e para enaltecer os que fizeram a história da publicidade em um tempo criativo, sem informática, um tempo artesanal, de muita dedicação. Os profissionais de Bagé fizeram campanhas publicitárias memoráveis que, com toda a certeza, é lembrada e influenciou muitas pessoas na trajetória de suas vidas. 

Melhores propagandas
Lembro de campanhas que marcaram. Coisas simples e objetivas ou criativas e ousadas. Teve o Bazar da Moda, “tomara que chova três dias sem parar”, com desconto em dia de chuva; Melinho Veículos em 1986, com o jogador Branco, aproveitando a Copa do Mundo; as campanhas dos guaranás Amazonas e Twin, quando participaram em torno de 50 crianças; a campanha Tintas Renner/Deiro com o personagem Carlitos (Charlie Chaplin), que tive o prazer de atuar para a Probal Propaganda. Veja foto.
Com a ajuda de amigos, estaremos sempre lembrando campanhas que marcaram a propaganda. 
   

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