PAPO DE ELEVADOR 24 DE MARÇO
Publicado em 24/03/2020

Papo de Elevador

Foto: Reprodução/FS

O vírus e a eleição
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, defendeu o adiamento das eleições municipais em outubro por causa do coronavírus. Embora o ministro tenha falado em uso eleitoral das ações em torno da campanha de proteção, na verdade, o que preocupa é o caos social e a falta de condições para cumprir os prazos do Tribunal Superior Eleitoral. 

Um plano emergencial
Sobre o caos social não podemos ignorar que ao fim dessa crise triplique ou quadriplique o número de desempregados no Brasil, empresas entrem em falência e pequenos negócios desapareçam. Isso exigirá um plano emergencial, algo como o que houve para os países europeus após a Segunda Guerra. Guilherme Benchimol, fundador da XP Investimentos, disse em transmissão ao vivo pela internet que o governo precisa elaborar um Plano Marshall.

Pós-guerra
Antes de entrar na probalidade de um adiamento das eleições municipais, é preciso que conte um pouco sobre o Plano Marshall para esclarecer quem não sabe e não deixar a coisa no ar. 
O general norte-americano George Catlett Marshall foi o idealizador do plano que aportou 18 bilhões de dólares aos europeus para a reconstrução dos países devastados na guerra, reconstruindo edificações e financiando a agricultura. 

Conter o comunismo
Outro objetivo do Plano Marshall foi realizar uma propaganda maciça contra a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), estabilizar a situação social na Alemanha e conter o avanço comunista na Europa. Durou de 1947 a 1951 e deu certo. 

Brasil em calamidade
Algumas propostas (voltando ao tema “adiando as eleições”) estão em discussão ou em fase de amadurecimento nas conversas de líderes políticos, como a mudança do calendário eleitoral deste ano para 2022, unindo as eleições no país. Afinal, não podemos esquecer que a Câmara Federal já aprovou o pedido do presidente da República Jair Bolsonaro, de reconhecimento de calamidade pública no Brasil até 31 de dezembro de 2020.

Fundo Eleitoral para a saúde
Em um quadro de calamidade pública é difícil que haja eleição com tais proporções, cobrindo todas as cidades do país. A pandemia e suas consequências não permitirão. As atividades de campanha e, principalmente, de pré-campanha já estão prejudicadas. 
Também está em debate outra proposta: transferir o Fundo Eleitoral para o combate ao vírus, o montante gira entre R$ 2 a 3 bilhões.

Julho ou setembro

Especialistas anunciam que as consequências da calamidade, com o pico do contágio e a inércia nas atividades econômicas e sociais durante 120 dias, o que deve chegar ao meio do mês de julho, inviabiliza o calendário eleitoral. Mas, também não podemos esquecer que o ministro Mandetta aponta o mês de setembro para as coisas começarem a acalmar. O que é pior.  

 

Uni-vos
Considero que entre todos esses pontos que justificam o adiamento da eleição, nenhum é mais significativo que a união necessária para recuperar o que estará perdido, empresas e empregos. Talvez, a dignidade, se chegarmos a um quadro grave de fome e de falências. 
Governos e poderes, grandes corporações e instituições, todos deverão estar juntos para responder aos anseios dos desesperados. 

Podemos propõe
O Podemos, partido político de personalidades como Álvaro Dias e Lasier Martins, tendo em vista o cenário atual solicitou ao TSE a revisão do calendário eleitoral. A liderança do Podemos propõe que o primeiro turno seja realizado no primeiro domingo de dezembro. E no terceiro domingo do mês, o segundo turno nos municípios onde houver a necessidade. 

 

Eleição ou não?
As propostas em discussão para a eleição 2020:
I.    Adiamento para que o pleito ocorra em início de dezembro. E encurtar o tempo de campanha no segundo turno.
II.    Não realização da eleição este ano, transferindo para 2022 e unindo todas as disputas em uma só: vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal, senador, governador do Estado e presidente da República. 
III.    Unificação das eleições em 2022, os prefeitos atuais teriam mais dois anos de mandato e não poderiam concorrer à reeleição.
IV.    O presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, diz que nada disso é preciso e que a eleição continua da forma que está estabelecida.

Divaldo mais dois anos
Todo esse Papo de elevador deve provocar uma reação negativa da esquerda local. Afinal, estou quase gritando aos quatro ventos que o prefeito Divaldo Lara, que, aliás, tem feito um bom trabalho nesse momento difícil, deve permanecer no cargo por mais dois anos. 
Lembrando que, a reação só é negativa porque não é o PT na prefeitura. Se fosse, a mudança da lei já estava até tramitando. 

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