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Papo de elevador - 24 DE JULHO
Publicado em 24/07/2019

Papo de Elevador

Foto: Reprodução/FS

Bolsonaro fala

Tenho observado o pavor e o escândalo de alguns setores da imprensa e da sociedade brasileira sobre determinadas falas do presidente Jair Bolsonaro. Desde suas declarações isoladas na Câmara Federal ou, mais recente, na campanha eleitoral quando em entrevista para o Jornal Nacional, já se sabia qual ritmo e medida do então futuro presidente.  Não há novidade em sua fala.

O homem médio

Bolsonaro é o cidadão brasileiro comum, médio, sabe o que sabe para o gasto, fez o ensino médio suficiente para se formar, não assistiu o filme da Bruna Surfistinha, mas deve ter assistido Rambo I, II e III; lê algum livro a muito custo, assim mesmo tem que ser a história de algum herói militar ou uma “verdade da bomba do Rio Centro”; aplaude a revista erótica nas mãos de um menino e ainda oferece um gole de cerveja pra ele aprender a ser homem. “Ecce homo.”                  

No entanto...

Bolsonaro é o homem médio e o Brasil deve ter 60 milhões de adultos, homens, assim. Ou mais. Bolsonaro é o presidente da República. Ele não é mau, seu conceito de bom é diferente dos humanistas politicamente corretos. A elite intelectual e a outra elite, a convencional do pertencimento, não aceita as coisas que ouve de Bolsonaro, são muito “tronchas”, sem filtro, grossas, chulas. E é verdade. No entanto, ele se move, autêntico e cafona para dezenas de milhões.

Mire-se nos exemplos

Entre os grandes heróis que Bolsonaro poderia ler, eventualmente, devem estar alguns exemplos para ajudar evitar sua queda por soberba, por forçar autenticidade (isso acontece muito) e por acreditar que a intuição é maior que o conhecimento. Afinal, “a soberba precede a ruína.” (Provérbios, 16:18)    

Lula e a mulher submissa

Porém, os escândalos da esquerda e dos politicamente “delicados” repercutindo as palavras do presidente são exagerados. Lembremos de Lula há nove anos: “Uma mulher não pode ser submissa ao homem por causa de um prato de comida. Tem que ser submissa porque gosta dele”. Declaração no lançamento da pedra fundamental para a construção de uma refinaria no Maranhão. Olha aí o Maranhão!

Dilma e o Nordeste

E as inúmeras gafes de Dilma Rosseff? São tantas. Vamos registrar aqui a da campanha eleitoral de 2010: "Em Vida Secas, tá retratado todo o problema da miséria, da pobreza, da saída das pessoas do Nordeste para o Brasil."

FHC e os vagabundos

Temos também o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1998, que declarou em alto e bom som: "Pessoas que se aposentam com menos de 50 anos são vagabundos, que se locupletam de um País de pobres e miseráveis."

Nem parece África

Tem uma do Lula que é a master do preconceito.

- Quem chega a Windhoek não parece que está em um país africano. Poucas cidades do mundo são tão limpas, tão bonitas arquitetonicamente e têm um povo tão extraordinário quanto tem esta cidade.

Lula da Silva, presidente do Brasil, em discurso de improviso na capital da Namíbia, em viagem pela África. Novembro de 2003.

A gafe e a imprensa

A imprensa adora uma gafe. Gafe é o erro, o escorregão, o deslize, uma declaração impensada. Também pode ser a demonstração da falta de sensibilidade ou de cultura.

Jânio Freitas, na Folha de S. Paulo, em 2001, escreveu uma crônica maravilhosa sobre a gafe e o que ela significa para a imprensa. Está nos anais do jornalismo.

Truman e Dutra

Tem uma que é hilária e até pode ser uma lenda, mas conta-se no Itamaraty. Ocorreu na visita do presidente norte-americano Harry Truman ao Brasil, em 1947. O Brasil era governado por Eurico Dutra, um monoglota. Na ocasião, o cerimonial do Itamaraty recomendou que ao ser cumprimentado respondesse da mesma forma. E assim teria acontecido, começando por Harry Truman:

- How do you do, Dutra?

E a resposta de Dutra teria sido:

- How tru you tru, Truman?

Do cavalo à mulher sapiens

O presidente João Batista Figueredo disse que “preferia o cheiro de cavalo ao cheiro de povo”; Jânio Quadro que bebia “porque era líquido, se fosse sólido comê-lo-ia”; José Sarney exaltou que “governo é como viola, pega-se com a esquerda, mas toca-se com a direita”; Fernando Collor tinha “aquilo roxo”, enquanto Lula fez o que fez porque é filho de uma mulher “que nasceu analfabeta”, assim como Dilma que é, afinal, uma “mulher sapiens”.

 

Histórias maravilhosas

de amigos sensacionais

Corria os anos 80, o artista plástico Edmundo Castilhos Rodrigues havia parado de beber. Gostava de vodka, mas se descobriu alcoolista (alcóolatra, lembram da palavra?) e parou de beber. Estava em processo de terapia de grupo, não tomar o primeiro gole, essas coisas próprias dos passos dos Alcóolicos Anônimos.

Um dia, ele soube que eu andava, também, querendo percorrer o mesmo caminho parar de beber, e até havia ido numa reunião de AAA. Confessei ao Edmundo que não gostava muito desses encontros de “bêbados” falando de suas besteiras públicas e particulares.

Ele ficou quieto. Só ouviu. Nada disse. Eu sabia que andava frequentando as reuniões do AAA.

Um dia, ele me parou e propôs:

- Meu amigo, vamos criar um AAA de elite pra nós? Um AAA de intelectuais? Vamos falar do que gostamos.

Esperou minha resposta. Silêncio. Nem sim nem não. Passou o tempo.

Nem tentamos. Não vingou, portanto.

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