PAPO DE ELEVADOR - 23 DE OUTUBRO
Publicado em 23/10/2019

Papo de Elevador

A manchete!
Segunda-feira criei a expectativa de qual a manchete do jornal Folha do Sul na terça. Não telefonei para perguntar para a editora Márcia Sousa. Imaginei algumas, mas esperei a realidade na manhã fria do dia 22 de outubro. Queria saber como o jornal abordaria a grande notícia da véspera, a cassação de mandato do deputado Luís Augusto Lara e a suspensão de direitos políticos dele e do prefeito Divaldo.

O interesse público
Por que minha curiosidade? Porque o jornal foi citado várias vezes durante o julgamento no Tribunal Regional Eleitoral. Porque o desembargador relator André Villarinho não viu nada de anormal nas reportagens publicadas pelo jornal, inclusive citou-as como de interesse público, “publicou coisas que a população precisa saber”, ou algo assim. 

As pragas que nos atingem
Minha curiosidade sobre a manchete de ontem remonta a um tempo em que não despertara para o mesquinho da vida. Quando ouvia coisas que não sabia serem cretinas. Hoje, as ouço e detecto. Como aquelas que praguejam contra Dallagnol e Moro por suas atuações na Lava Jato ou as que afirmam com seriedade que  jornal tem que ser isento, isso porque ainda não revelaram o que as atinge. Quando assim o jornal fizer, não importará mais a isenção. Pois, não quererão que publique. 

A verdade da informação
Por fim, na terça-feira, vi a manchete “TRE cassa mandato do presidente da Assembleia Legislativa” e a foto enorme de Luís Augusto Lara. No lead (o texto abaixo da manchete) está “o deputado e o prefeito Divaldo Lara foram considerados culpados pelo uso da máquina pública na eleição de 2018”. Era a grande notícia de ontem e está publicada na capa deste jornal. Nem por isso, o jornal se torna isento. A verdade da informação é o que define o jornalismo.

REPRODUÇÃO CAPA DESTA TERÇA DO JORNAL FOLHA DO SUL

A união e a implosão
A decisão do Tribunal Regional Eleitoral não é definitiva, a defesa recorrerá da decisão e deverá ser aguardado o julgamento do recurso. Portanto, enquanto não é sabido se o prefeito Divaldo poderá ou não concorrer nas próximas eleições, o grupo que faz a gestão da prefeitura terá de se manter unido. Forças externas deverão tentar implodir essas relações. O alvo principal é Manuel Machado, o prefeito, aquele que está no comando da máquina. 

A doença e a cura
O PT só pensa em se aproveitar do momento atual, que é frágil para os partidários que estão à frente do Executivo. Aliás, o partido de Lula em Bagé ganhou um motivo para viver. Estava sobrevivendo por aparelhos. E quem o colocou no centro de tratamento intensivo é o mesmo que o tirou: Divaldo Lara.

60%, hoje
O campo é minado. É preciso saber caminhar. Há de cuidar origens de elogios, fogo amigo, terrorismo de salão, frituras políticas e “conselhos bruxos”. O grupo que está na prefeitura não pode esquecer que há um legado de 45 948 eleitores que não aceitaram votar na esquerda na eleição de 2016. Mesmo que a maioria não tenha optado por partidos, mas em propostas de gestão e em uma pessoa no comando disso tudo, a verdade é que 60% desses eleitores continuarão não querendo a esquerda. 

Afinação
Não estou aqui buscando candidatos, mas refletindo sobre como será possível manter um grupo unido com suas vaidades, ânsias de poder e manutenção de espaços, se o discurso e a prática não estiverem afinados?

Motivos e metas
Os motivos de vida petistas resumem-se em tirar Divaldo do páreo, implodir a união dos partidos que estão na prefeitura, aparar as asas de Manuel Machado e impedir qualquer possibilidade de uma grande obra em Bagé, como a barragem da Arvorezinha. 

O caos
Por outra, os motivos de vida petistas é criar o caos, parar serviços, embargar obras, mobilizar uma greve, acionar o Ministério Público, incomodar, incomodar e incomodar até que surjam como a grande solução para fazer Bagé voltar à normalidade. E, nessas horas, qualquer alívio é a cura. 
Ou seja, crie o caos e diga que sabe como findar o caos. 

A visita da discórdia
Escrever essas coisas que escrevo aqui no Papo de Elevador vez por outra provocam reações, principalmente dos petistas. Porém, pense bem. 
Eu exagero? 
O PT não é nada disso, não quer o caos e nem o mal da gestão municipal? Ora, ora. 
Então, qual o motivo da oposição na Câmara, de repente, não mais que de repente, visitar o prefeito Manuel Machado? Ah, é pelo bem de Bagé! “Foi por solidariedade e reivindicação de mandatos, não foi uma motivação política e não houve intenção de semear a discórdia”. É o que dirão se perguntados. 

Envergonhados em missão
Outra. Sabe aquele panfleto mal diagramado e mal escrito da oposição? Aquele com críticas e notícias de um suposto caos em Bagé? Paulo Parera, Gilson Machado e Flavius Dajúlia, entre outros, estão distribuindo aqueles panfletos pelas ruas de Bagé. Sentem-se envergonhados, sem jeito, pois não é a praia deles distribuir coisas para o povo, mas lá estão. Porque é uma missão e a causa é maior. O foco é vencer em 2020. Exploda-se o resto. 

 

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