PAPO DE ELEVADOR -23 DE NOVEMBRO
Publicado em 23/11/2019

Papo de Elevador

Foto: Reprodução/FS

O Clube Comercial
O Clube Comercial de Bagé, fundado em 1886, está em seus últimos dias. A decisão ocorreu em assembleia. A diretoria e 10 sócios remanescentes acreditam evitar, assim, que o clube sofra com uma situação financeira insolúvel e perca todos os bens de forma abrupta. Não é bom para uma história tão bonita. Então, o melhor é sair de cena com dignidade. 
Prédio por R$ 8 milhões
Pois bem. O prédio histórico, construído entre 1934 e 1937, antes o clube funcionou em outros três locais, está à venda. O valor: R$ 8 milhões. Em torno de R$ 2 milhões pagam as dívidas. O restante, segundo informações extraoficiais, não consegui conversar ontem à tarde, com o presidente Roberto Bandeira, irá para o poder público municipal. Queria ler isso nos estatutos, um dos motivos que me fez procurar o presidente. 

Três propostas 
Segundo soube, existem duas propostas de compra e um projeto de aproveitamento, denominado Requalificação do Clube Comercial. As propostas de compra seriam da Igreja Universal e das Lojas Pernambucanas. Escrevo “seriam”, porque são fontes extraoficiais, não há confirmação oficial disso. No entanto, prefiro a proposta que surgiu das salas de aula da Urcamp. Que discorro a seguir.

Uma ideia acolhida
A “Requalificação do Clube Comercial” é um trabalho de conclusão de concurso da acadêmica de Arquitetura Gabriela Morales, sob orientação da professora Marília Barbosa, coordenadora do Curso de Arquitetura. O interessante nessa história que a ideia está sendo muito bem acolhida pelo Centro Universitário da Região da Campanha e pelos professores da Engenharia, como é o caso de Emílio Roberto Mansur. 

Manter a identidade 
Os principais objetivos da proposta são: manter a identidade e uso do clube, valorizar e melhorar as condições da edificação, adaptar o prédio para novas necessidades e criar um anexo para estimular o uso do local. 
A escolha do Clube Comercial para realizar esse trabalho tem raiz na sua importância histórica. 

Entrada, hall e salão
O prédio seria transformado em um centro de lazer, cultura, gastronomia e compras. 
Vamos, então, por partes. A entrada, o hall e o espaço à esquerda da entrada (biblioteca), manteriam seus padrões, bem como os banheiros térreos e o salão de festas. À direita de quem entra uma confeitaria, moderna, com muitas variedades, cozinha e salão amplos. 

Shopping intimista
O salão de festas servirá para locação de eventos de aniversário, palestra, formatura e solenidades especiais. Também existe a possibilidade de ampliar a área de lazer com empresas do segmento interessadas em estar no local. Porque será uma espécie de shopping com um viés mais intimista, de aproximação entre as pessoas. Não se trata de um shopping como se convenciona um shopping no Brasil. 

Segundo piso
No primeiro piso ainda haverá espaço para sala de jogos e restaurante. Já no segundo, terá um auditório com palco equipado, lojas, outro restaurante e sala colaborativa para novos investimentos. As opções de segmentos para ocupar o local dependerão de cada um, sua criatividade e capacidade de perceber que se trata de um bom espaço para um bom investimento.

De frente para a Floriano
Um anexo está previsto nos fundos do clube ou frente para a avenida Marechal Floriano. Com três pisos. Academia, spa, escritórios, sala multifuncional são algumas das opções do anexo. 
Embora constem academia, sala colaborativa, etc, nada impede que uma empresa de determinado setor tenha interesse e apresente uma proposta para estar no local. 

Quanto?
Quanto custa tudo isso? R$ 2,4 milhões. 
Como conseguir o dinheiro? Através de financiamento coletivo com cotas a partir de R$ 500. É o que se denomina de Equity Crowdfunding. Segundo analisa Emílio Mansur, trata-se de um bom investimento com retorno rápido. 
A ideia é viabilizar a arrecadação de R$ 100 mil por mês com o projeto Requalificação do Clube Comercial. 

Em troca de participação
O equity crowdfunding é um mecanismo que oferece oportunidade para que investidores financiem empresas em troca de participação nelas.
Aliás, o escritório de administração do “Comercial” já está projetado para ser no próprio prédio. 

A esperança e o espírito do lugar
É sempre importante repetir que o espírito do lugar, a memória do clube com suas histórias, será mantida, incluindo uma galeria de imagens. Se for vendido para uma igreja ou para uma loja é muito difícil que isso aconteça. 
Faz a tua parte, investe. Contato no e-mail salvandoclubecomercial@gmail.com.

Escola cívico-militar
Sobre a notícia de que Bagé não está entre as cidades contempladas no RS pelo programa das escolas cívico-militares, é sabido que o município entrou no programa como exceção. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, garantiu em reunião com a secretária Adriana Lara, inclusive, na presença de outro ministro, Onyx Lorenzoni, a inclusão de Bagé, pelo trabalho realizado, pelo projeto, agilidade e vontade. Tanto que a escola São Pedro já está funcionando nesse molde e secretários de Educação de outras cidades já vieram conhecer o modelo daqui.

Questão de ajuste
Uma agenda em Brasília. Um ajuste aqui e outro ali e pronto. As escolas já estarão regularizadas e com dinheiro. É o que acredita a secretária Adriana e o governo municipal. 
Enquanto isso, observei que algumas pessoas se mostraram felizes e satisfeitas com a possibilidade de Bagé “estar fora dessa”. São os mesmos do “Lula livre” que olham o horizonte, perguntam que cidade é esta e qual partido administra. Se a resposta for “não é o PT”, eles dizem: 
- Nossa! Que pôr do sol bem feio vocês têm aqui. Esse prefeito é muito ruim. Por que ele nada faz pra melhorar isso?

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