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Papo de elevador - 20 de setembro
Publicado em 20/09/2019

Papo de Elevador

Foto: Reprodução/FS

Revolução Farroupilha
Se a conquista de Porto Alegre no dia 20 de setembro de 1835 deu início a uma revolta que se transformou em revolução, uma batalha na região de Bagé um ano depois instituiu uma república em pleno Império do Brasil, a República Riograndense. Sobre esse evento, Papo de elevador se deparou na semana passada e prometeu voltar ao tema no Dia do Gaúcho. 

Tarcísio, sempre ele
Há 45 anos, o historiador Tarcísio Antônio da Costa Taborda escrevia no jornal Correio do Sul artigo institulado Bagé, Capital Farroupilha. Deste artigo e de outros do mesmo autor vou-me valer em alguns pontos, aproveitando informações curiosas e Bagé ao final da guerra. Aliás, quando começamos a nos tornar uma cidade. 
 
General Osório
Quando a Guerra dos Farrapos foi deflagrada em Bagé servia o tenente Manuel Luís Osório, mais tarde consagrado como general Osório. No início, ele foi simpático à causa farroupilha, o que durou até a decisão separatista, um ano depois. 
Aliás, no ano em que iniciou a revolução, Osório estava às vésperas do seu casamento com Francisca Fagundes, que ocorreu no dia 15 de novembro de 1835, na Igreja de São Sebastião. 

À causa republicana
Durante a revolução, proclamada a República Rio-Grandense, Bagé começou a organizar os serviços públicos e, através de seus cidadãos, contribuiu em muito para a causa republicana com doação de animais e pagamento pontual dos impostos. Em 1837, na festa de aniversário da revolução, as celebrações tiveram luminárias, fogos de artifícios e declamação de versos patrióticos. 

Duque de Caxias
Quando Duque de Caxias assumiu o comando do Exército Imperial veio para Bagé, de onde dirigiu as operações de guerra. Aqui rejeitou um Te Deum (o hino litúrgico tradicional), disse que ao invés de hino se rezasse missa aos defuntos. Isso logo após o combate de Porongos e o início das conversações de paz, que chegou à assinatura em Ponche Verde, Dom Pedrito. 

O menino Silveira Martins
Assinada a paz da Guerra dos Farrapos, Caxias, Silva Tavares e os chefes rebeldes vieram para Bagé fazer a festa. Contou Félix Contreiras Rodrigues que, no dia 1º de março de 1846, Gaspar Silveira Martins com 10 anos de idade fez seu primeiro discurso e estreou homenageando Caxias. Ele que se tornaria senador, ministro de Dom Pedro II e o maior tribuno do Império.

“Não se metam!”
De todos os fatos ocorridos na Rainha da Fronteira durante os 10 anos da revolução, um é de suma importância histórica e define o perfil político de um povo. David Canabarro e Bento Gonçalves se reuniram em Bagé para repudiar uma oferta de ajuda vinda de Rivera, Uruguai. O repúdio foi assim documentado: “O primeiro de vossos soldados que atravessar a fronteira fornecerá, com o seu sangue, a tinta com que imperiais e republicanos assinarão a paz.” Bárbaro!

Quase três mil habitantes
Terminada a guerra, Bagé contava 2 910 pessoas, 1 553 homens e 1 357 mulheres. Uma idosa com 110 anos de idade e outras quatro pessoas, sendo três homens e uma mulher com mais de 100 anos. Crianças até 10 anos eram 975; entre 11 e 20 anos chegavam a 584. 
Em dois anos, o nomeado presidente da Província do Rio Grande do Sul, Luís Alves de Lima e Silva (então Barão de Caxias), reorganizou o Estado. 

Município em 1846
Caxias estava em Bagé nas comemorações de paz, tornou-se uma espécie de prefeito, organizando os serviços públicos e assinando a Lei Provincial que instalou o município. De início muita coisa era difícil de fazer acontecer, como as aulas de “primeiras letras”, tão necessárias. Não havia prédio e a receita da Província em Bagé era muito baixa. Mesmo assim ocorreram as aulas, inicialmente, para 15 meninas e 20 meninos. 

Farrapólis
Até 1842, período em que toda a Campanha Gaúcha esteve em poder dos farrapos, a nossa cidade, que era uma vila, recebeu benefícios administrativos. Vivia-se normalmente, tanto quanto se podia em estado de guerra, mas, muito, graças à solidariedade. Na época, um jornal oficial republicano circulava por aqui, “O Povo”, editado em Piratini, sede do governo.

E assim começamos... 
A Câmara de Vereadores, instalada em 1947, funcionou em um prédio alugado de Antônio José da Silva Maia. Isso nos dois primeiros anos. Dois anos depois, o município adquiriu o prédio na esquina da Igreja de São Sebastião, com a rua Barão do Amazonas. O primeiro presidente da Câmara, que na época acumulava dois poderes, Executivo e Legislativo, foi Pedro Rodrigues de Borba, o tataravô de Paulo Brossard de Souza Pinto. 

Todos os poderes
Interessante destacar que o prédio onde funciona a Escola Estadual Monsenhor Costábile Hipólito tem uma enorme relevância histórica para Bagé. Ali foi câmara, prefeitura, justiça. Todos os poderes funcionaram ali por um período de 50 anos. De 1849 a 1899, quando ficou pronta a prefeitura, o prédio da General Osório. Aliás, a avenida é em homenagem aquele Osório que virou general e que casou na Igreja de São Sebastião lá no início da Revolução Farroupilha...  

Caráter e personalidade
Sendo a revolta dos estancieiros ou não, envolvendo todo a província ou não, a derrota do Rio Grande do Sul na Guerra dos Farrapos foi militar. Porque politicamente nossa vitória se revela no caráter adquirido, na personalidade do gaúcho que, até então, era tido como um marginal. A partir dessa guerra, o gaúcho começa a buscar seu respeito e dignidade, livrando-se da pecha de “ladrão de gado pelos dois lados da fronteira, homem sem religião nem moral, mestiço que os portugueses chamavam de garruchos ou gahuchos”. 

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