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Papo de elevador - 18 de setembro
Publicado em 18/09/2019

Papo de Elevador

Foto: Reprodução/FS

S.O.S. PT
O PT está em uma situação desesperadora. Em todo o Brasil. Sem querer ceder à reflexão sobre seus atos, campanha “Lula Livre” e participação nas eleições de 2018, o partido busca uma solução urgente para manter suas bandeiras no momento em que suas bases de apoio esmorecem ante o fim dos financiamentos milionários. A fonte seca a olhos vistos. 

A sobrevida
Os gritos petistas no Congresso Nacional são sons no vácuo. Apesar dos discursos bolsonaristas oferecerem uma sobrevida ao combalido petismo, a verdade é que o partido de Lula sabe que perde a sustentação a curto prazo, o que em política representa a próxima eleição.
É preciso fazer alguma coisa. Artistas e entidades ricas como sindicato dos bancários e OAB ecoam discursos bumerangues. 

Mudar para ser o mesmo
Resta ao PT as bases municipais. Onde estamos com força? Em que lugar temos possibilidade de eleição municipal? Como revigorar a bancada de vereadores?
A ideia é recomeçar onde é possível recomeçar. Muda-se o discurso externo sem mudar a essência. Uma espécie de nova versão do “Lulinha Paz e Amor”, adaptado às regiões. 

Em ritmo eleitoral
Aí surge um Luiz Fernando Mainardi, que aproveita um mote de críticas do prefeito Divaldo sobre município endividado em dólar, para espraiar críticas à gestão atual e fazer terrorismo sobre a situação do Fundo de Aposentadoria dos Municipários. A um ano das eleições para vereador e prefeito, ele dá as caras, fala irritado, faz o autoelogio administrativo e insufla a militância. Tudo isso cabe na nova ordem petista.

Os náufragos e a tábua 
Eu entendo a situação do deputado Mainardi. Não deve ser fácil. Um bando de náufragos petistas descobrem que ele é sua única tábua de salvação. Ele que sofreu para se reeleger deputado. Ele que há 11 anos deixou a prefeitura para o seu sucessor petista Dudu Colombo. Ele que, depois da eleição de Dudu, observou de camarote o partido desmoronar em Bagé, ao ponto de não ter candidato em 2016... 
Fazer o quê, agora? Tentar voltar no ano que vem ou dizer não aos náufragos?

De olho em 2022
E se Mainardi resolver ser candidato no ano que vem? Obedecendo a cartilha petista de estender laços para se fortalecer de olho em 2022? Afinal, em caso de derrota volta à Assembleia, ele continua deputado. O problema é amargar uma derrota para Divaldo Lara a essa altura da trajetória. Mas, como ele mesmo disse que gosta de uma polêmica, talvez uma disputa eleitoral represente o mesmo. Ao fim e ao cabo parecerá o cantor de blues na encruzilhada. 
Explico. 

A lenda do blues
Reza a lenda que Roberto Johnson vendeu sua alma ao diabo numa encruzilhada de Clarksdale, no Mississipi, em troca de ser um exímio guitarrista e fazer sucesso. A canção Crossroads Blues reforça essa história. E o que tem a ver uma coisa com outra? Se Mainardi perder para Divaldo acaba sua trajetória. Se vencer, governará com Bolsonaro na presidência. 

Fracasso à vista
E Mainardi, sendo do PT, se for eleito perecerá mais que pereceu o prefeito Azambuja em seu segundo mandato sem o apoio do governo federal. A terceira via é dizer não à militância, cortar a esperança pela raiz e lançar a campanha: - Vamos arranjar outro candidato pro PT!

Se correr... 
A venda da alma ao diabo entra em todas as opções e os pedidos são esses:
1.    Se perder a eleição para Divaldo - não morrer politicamente.
2.    Se ganhar a eleição - conseguir fazer  um governo mediano sem apoio da União.
3.    Por fim, encontrar nesse escombro petista um bom candidato.    

Não vale arriscar
No frigir dos ovos, concluí-se que o melhor a fazer é deixar o petismo em quarentena. Não vale a pena arriscar. Já sabemos muito bem de tudo que essa gente é capaz de fazer. Como diria Dilma Rousseff (ou teria sido Luiz Inácio?), “fizemos o diabo se preciso for”. Sabe-se lá que diabo é esse? Aquele da encruzilhada de Robert Johnson? Não sei. Mas... é melhor não arriscar.

Mainardi e os jornalecos
Voltando às falas do ex-prefeito, ditas na rádio Difusora, sábado e terça-feira, uma delas se referiu ao Folha do Sul que, assim como o vereador Chico, Mainardi chamou de “jornaleco” e afirmou que tem lado, o do prefeito, e por isso atacou. 
Não, Mainardi. Não faça isso. Não seja assim. Olhe para o seu passado. Não coloque a mão num serpentário. Bagé sabe de sua relação com os jornais no período em que foi prefeito. 

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