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Papo de elevador - 14 DE SETEMBRO
Publicado em 14/09/2019

Papo de Elevador

Foto: Reprodução/FS

Os garruchos
Foi na segunda metade do Século XVIII, lá por volta de 1770 que se ouviu falar de um tal de “gaúcho, ladrão de gado pelos dois lados da fronteira, homem sem religião nem moral, mestiços que os portugueses chamavam de garruchos ou gahuchos”. E até 1820 se encontram escritos de Saint Hilaire assim se referindo ao gaúcho.

Os huagchus
Há muitas explicações quanto a origem da palavra gaúcho. Uma das mais interessantes é aquela que diz ser corruptela da palavra huagchu, de origem quêchua, que se diz gaúcho e que significa orfão, designando os filhos de índia com branco português ou espanhol, “registrado nos livros de batismo como filho de fulano com uma china das Missões”, como escreveu o escritor Augusto Meyer.

Cantilena minuana
Há também quem afirme vir gaúcho do Guarani. Significaria “homem que canta triste”. Talvez pela cantilena triste e arrastada dos minuanos. E ainda, guanches ou guanchos seria o getílico dos habitantes das Ilhas Canárias na povoação de Montevidéo. 
A verdade é que esse marginal acabou por sossegar indo para as estâncias, tratando dos afazeres do campo. Um processo que se deu aos poucos e mostrou resultados depois da metade do século XIX ou ao fim da Revolução Farroupilha.

O começo em 1821
A Revolução Farroupilha começou muito tempo antes de 1835. Desde um ano antes da Independência do Brasil, quando o governo imperial começou a aumentar as taxas sobre produtos exportados pela Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, como charque, couro, trigo, erva-mate, sebo, graxa, chifre. Em 1830, a situação se tornou mais grave com a manutenção dos impostos elevados sobre o charque e a redução das taxas do Uruguai e da Argentina. Aí não prestou. 

Motivos não faltavam
Olha, e essa gente do Rio Grande teve paciência, esperou, adiou e até teve esperança no novo governo que viria em 1834. Mas, não. Então, bueno! Se já não chegava a distância do Sul para o poder central, os abusos de impostos e os anos de experiência em guerra, a nomeação de um presidente de Província contra estancieiros e charqueadores foi a gota que faltava para guerra. 

Às margens do Seival
A República Riograndense foi proclamada em 12 de setembro de 1836, às margens do Arroio Seival, que pertencia a Bagé à época, hoje é Candiota. Trata-se da famosa Batalha do Seival. Depois é que os promotores da revolução se foram para Piratini e resolveram organizar o governo provisório. Bento Gonçalves já estava preso quando é escolhido presidente do Rio Grande do Sul, Gomes Jardim toma posse. 

Ter rei é ser escravo!
Tarcísio Taborda reproduziu no Jornal da Manhã, de 26 de junho de 1951, a narrativa da proclamação da república. Vou resumir:
A vitória sobre as forças de João da Silva Tavares ainda trazia transidos de glória os bravos do General Netto. Seival fora uma grande vitória. Jamais esquecido será aquele 10 de setembro de 1836. 
A vitória que os enlevava teve o poder de acordar a ideia de republicanizar a Pátria. “Ter rei é ser escravo.”

Viva a República Riograndense!
Desde a véspera tudo ficara combinado. 
Far-se-ia a República!
Netto seria o general em chefe.
Bento Gonçalves, em maus lençóis naquela hora (...) mas haveria de aprovar aquela medida. Bento salvaria a Pátria! 
Mal raiava a aurora na manhã de 12 de setembro ouvia-se no acampamento a alvorada.
Tocou e reuniu. Estavam na margem esquerda do Jaguarão. No campo do Joaquim Meneses. No Passo do Lajeado. 
A força formará uma linha. Netto, a galope, surgiu pela direita. Susteve o seu corcel bem no centro. Espada em punho lançou o brado:
“Viva a República e Independência do Rio Grande do Sul!”
O brado ecoou pelas coxilhas da campanha gaúcha.

A virtude e o patriotismo
Quando em 20 de Setembro de 1835 Bento Gonçalves lançou o manifesto revolucionário rompendo com a Regência pela maneira como tratava a província, teve o máximo cuidado em frisar que “a execração de nossos filhos cairá sobre nossas cinzas se por nossa desmoralização e incúria lhes transmitirmos esse sagrado depósito desfalcado e corrompido e suas bênçãos nos acompanharão ao sepulcro se deixarmos a virtude e o patriotismo.”

Continua...
Na próxima semana, continua um pouco da Revolução Farroupilha com a formação do gaúcho, Bagé na revolução e as bases para uma nova cidade, a partir de 1847.   

Registros
Os escritos sobre Os Farrapos foi extraído de Auguste de Saint Hilaire (Viagem ao Rio Grande do Sul/USP Itatiaia/SP), História Ilustrada do Rio Grande do Sul (RBS Publicações), Tarcísio Antônio Costa Taborda (Bagé de Ontem e de Hoje/Ediurcamp-2013, Bagé na Revolução Farroupilha/Funba).

À história
Registro aqui que houve uma troca de sigla na edição de Papo de Elevador do dia 11 de setembro. Maria Cristina Maurente foi candidata a prefeita de Bagé pelo PSB e não PPS como escrevi. PPS fez parte da coligação com PCdoB e PSB. 

 

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