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PAPO DE ELEVADOR - 10 DE OUTUBRO
Publicado em 11/10/2019

Papo de Elevador

Foto: Divulgação/FS

Jornalista Mário Lopes
No dia 15 de setembro de 2016, morreu o jornalista Mário Nogueira Lopes, às vésperas de completar 94 anos. Era para o Mário que recorria quando queria saber coisas do passado de Bagé. Aquelas que não colocamos nos livros. Tenho outros nomes da lista, mas o jornalista era o principal. E eu perguntava, muito. 
- Mário, como era a cidade antes do rádio, no tempo dos serviços de alto-falante nos postes?
E ele respondia como se fora ontem o ocorrido.

 

A história de Bagé
A memória de Bagé no século XX deve muito ao Mário Lopes, por isso tem até um espaço do jornalista no Museu Dom Diogo de Souza. Espaço, aliás, que ele conquistou antes de partir desta para melhor. Porque para ele a história da sua terra era a grande paixão de toda uma vida. Com seu jeito de homem sério, carrancudo, Mário se transformava em alguém sereno e bem-humorado quando o assunto era a história de Bagé. 

Pós-jornal  
Fui ser amigo de verdade do Mário só depois que ele saiu do Correio do Sul, aquele jornal que escrevi outro dia aqui que dentre todos foi o que mais recebeu apoio da prefeitura. Pois, esse era um dos assuntos que debatia com o velho editor do diário mais longevo de Bagé. E o Mário concordava comigo, acredito que o Carlos Sá Azambuja, que foi prefeito e proprietário do Correio, concorda também. 

Grandes acontecimentos
Alguns dos acontecimentos e personalidades de Bagé que foram motivos de conversas com Mário Lopes. Isso porque ou ele testemunhou o fato ou conheceu a pessoa em questão: 
- Guarany Bicampeão Gaúcho; o primeiro jornal esportivo e a primeira transmissão em rádio de uma partida de futebol; Pedro Wayne, monsenhor Costábile Hipólito, poeta Camilo Rocha, professora Mélanie Granier, presidentes João Goulart e Emílio Médici.   

Alma de um povo
Foi o Mário que me contou sobre Martim Silveira (jogador do Guarany que foi para o Botafogo e para a Seleção Brasileira), sobre grandes crimes de Bagé (alguns abalaram a cidade e o Estado), sobre fábricas que tínhamos, todos os cinemas e teatros, quando Pelé jogou no Pedra Moura e era chamado de Pili. Pois, esse Mário se foi há três anos. E ele faz falta para o coração da cidade. Para a alma de um povo sem memória.

A falta que faz
Nesta quinta-feira, acordei pensando na falta que faz pessoas como o Mário para uma comunidade como Bagé. Pessoas que amam seu chão, preservam sua memória e enaltecem o que a cidade tem de bom. Os elementos destrutivos são cansativos, os pessimistas criam feridas e os que torcem contra estancam qualquer perspectiva de futuro. Não confundir com liberdade de expressão e pensamento crítico, que são coisas diferentes. 

Resposta sobre o Correio do Sul
No dia 9 de outubro, Papo de Elevador fez referência ao jornal Correio do Sul. O seu último proprietário, João Batista R. Benfica, resolveu enviar respostas a alguns pontos abordados. Resolvi cortar referências ofensivas ao Folha do Sul e ao colunista. Diz a nota, em resumo:
1. O apoio que o então prefeito Mainardi deu ao Correio do Sul (CS) foi nenhum, e para isto basta alguém se dar ao trabalho de olhar os empenhos da prefeitura da época. São públicos, é só pesquisar. Mainardi sempre se recusou a favorecer o CS, por entender que a verba para os jornais deveria ser a mesma, justamente para não ser acusado de favorecimento. Tentei de todas as formas, com todos os argumentos, inclusive, o de que o CS estava falindo, quebrar esta regra e conseguir mais verba e nunca consegui.
2. Quanto a ter terminado o governo Mainardi (31/12/08) e o CS fechado no mesmo dia, os mesmos fatores se repetem. O Correio do Sul estava falido há pelo menos dois anos. No meio do ano de 2008, tomei a decisão de fechar em 31/12. Por quê? Porque teria terminado o ano, teríamos aproveitado o faturamento de Natal para amenizar algumas coisas, era um momento mais vazio e mais de 30 pessoas não perderiam o emprego antes do Natal (ao menos isto). 
O Correio do Sul faliu por ser uma empresa sem capital de giro, com uma situação fiscal incontornável, e por ter enfrentado um concorrente com práticas de mercado indecorosas, que tinha por trás uma instituição que lhe garantia a sobrevivência, afora os erros e limitações de sua última administração, que com certeza houveram. 

Contranota
Sobre o contraponto do publicitário e servidor público João Batista Benfica, levando em consideração uma máxima que ele próprio propagava no Correio do Sul, “não importa a nota, a última palavra sempre será do jornal”, escrevo:
- Sobre jornalismo subserviente praticado pelo Folha do Sul, escrito por Benfica em sua nota, essa é uma discussão de princípio ético, que pode ser feita a qualquer dia e hora. Afinal, o mesmo profissional, servidor do município e dono da agência de propaganda da prefeitura na gestão de Luiz Fernando Mainardi, era também proprietário do jornal CS. 

 

 

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