PAPO 21 DE FEVEREIRO
Publicado em 21/02/2020

Papo de Elevador

Foto: Divulgação/FS

Eleições 2020

Na volta desta coluna, na última terça, 18, destaquei que os partidos estão solitários nas eleições proporcionais desse ano. As coligações estão proibidas para eleger vereador. Aí, pergunto: e agora? Como se virarão partidos pequenos e médios que sempre elegeram porque coligaram?

 

Um vereador igual 4 mil votos

Pensemos juntos. O quoeficiente eleitoral para eleger um vereador na última eleição foi de 4.275 votos. Ou seja, uma coligação, normalmente com dois ou três partidos, necessitou de 4.275 votos para eleger um vereador.

O quociente eleitoral é a soma de eleitores que vão às urnas dividido pelo número de vagas. Em 2016, 72.868 pessoas votaram. Esse número é dividido por 17, que são as vagas na Câmara de Vereadores. O resultado é o número de votos necessários para eleger um vereador.

 

Nominata forte

Esse número não deve mudar muito para outubro próximo. Mas significa que um partido terá de se virar sozinho para eleger seus vereadores. Pelo que observo poucos partidos demonstram condições de apresentar uma nominata forte para conseguir dois, três, quatro e até cinco vereadores. Talvez, PTB, PT e PP. Mas e os outros? Está em jogo a articulação política e a capacidade de liderança. Não é fácil.

 

Sonia, Antenor e Chico juntos

Aliás, articulação não só dos partidos, mas dos próprios candidatos que terão de ajudar a legenda, convidando pessoas com potencial de votos para integrar a nominata. Por exemplo, em 2016 a coligação na proporcional entre PP, PSB e PV colocou três vereadores na Câmara, Sonia Leite, Antenor Teixeira e Chico. O PP fez 6.415, o PSB 4.272 e o PV apenas 96 votos.

 

 

O voto e a ilusão

No exemplo PP, PSB e PV, talvez o PP não conseguisse colocar o segundo vereador com sua sobra de votos. Porque no frigir dos ovos o PSB ajudou a si mesmo. O que já muda de figura este ano, visto o quanto perdeu da sua nominata de candidatos de 2016, incluindo aqueles que fizeram média de 600, 500 e 400 votos. O fenômeno do entusiasmo é que, segundo ouvi, o vereador Chico jura que será o mais votado da oposição.

Já vi muito disso nos últimos 40 anos. Não em votos, mas em ilusão.

 

Os 7 eleitos

Na última eleição, o PTB sozinho fez 19.187 votos. Já elegeria os cinco mais votados da sigla: Bocão, Grazziane, Esquerda, Papelão e Ronaldo Hoesel. Mas, o PTB coligou com a Rede e o PSC. A Rede fez 1.246 votos, apresentou apenas dois candidatos, e o PSC só com o Pastor Jéferson Dutra somou 946. No total da coligação: 21.376 votos. Elegeu 7 com votos de sobra, sorte para Beatriz Souza e o Pastor, que se deram bem na articulação.

 

A Rede no labirinto

Esses últimos números, por si só, fazem crer que a vereadora Bea trocará de partido. A Rede não se sustenta. Ou a articulação e o poder de liderança da vereadora junto aos amigos e ao pessoal do Núcleo de Proteção aos Animais mostrarão uma capacidade espetacular para chegar a mais de 4 mil votos. Difícil. Não quero fazer injustiça com a vereadora. Não conversei com ela sobre ficar ou sair, mas é o que se apresenta para o momento.

 

 

A informação e o filtro

É bom que tenha feito essa referência a “não falei com vereador tal” ou com “o possível candidato”. Nesses momentos pré e eleitorais o melhor é não ouvir o que “eles têm” a dizer e se ouvir “filtrar com superfiltro”, porque estarão sempre negando alguma coisa e afirmando outra. Isso tudo faz parte do fenômeno da informação política.

 

A eleição, a guerra e a caça

Gosto daquela máxima que diz: Nunca se mente tanto como antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma caçada.

O autor é o estadista alemão Otto Von Bismarck. Normalmente trocamos “caçada” por pescaria. Estejam à vontade.

 

Ou tudo ou nada

Voltarei nas próximas colunas a trocar opiniões e a analisar essa novidade das eleições municipais 2020, que é a proibição de coligações para eleger vereador. Isso estremecerá as bases e os alicérces de muitos partidos. Não tenhamos dúvidas disso. Ou regará um verdadeiro “laranjal” de candidatos.

 

Adriana e os 3 mil votos

Só para registro. Pode ocorrer algo espetacular nessas eleições. Candidatos com muitos votos, mas sem cadeira na Câmara de Vereadores. Por falta de legenda. Isso ocorreu em 2004. Adriana Lara fez naquela eleição 3.005 votos. A mais votada de todos. E, se não me engano, a mais votada para a vereança na história de Bagé por um bom tempo. Mas Adriana Lara não se elegeu, porque o PTB não alcançou o coeficiente eleitoral. Porém, Bob Machado, do PMDB, conseguiu ser eleito com apenas 1.141 votos. Eis o que pode ocorrer este ano!

 

Lembranças de folia

Eu sou do tempo em que hoje o carnaval já tinha começado em Bagé e só contassem com a maioria das pessoas na quarta-feira de cinzas. É preciso que se entenda o que é essa festa que nasceu da manifestação espontânea do povo e que isso – a manifestação espontânea que deixa raízes – define cultura popular.

Triste é aquele que confunde carnaval com “bagunça, baderna, bagaceirada”.  Algumas coisas precisam de uma mãozinha para se fazer entender.   

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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