Os riscos do campo
Publicado em 13/03/2013

Editorial

Ninguém afirma, mas a somatória de fatos e o altruísmo em torno dos últimos acontecimentos permite supor que a pressão por melhoria nos serviços de segurança no campo já demonstra seus efeitos. Durante a semana, o acúmulo de registros em torno de abigeato dá uma prova considerável de que as reivindicações dos produtores rurais pela retomada do ímpeto contra o roubo de rebanhos na região já apresenta frutos. Para resolver este problema, é bom lembrar que o próprio secretário estadual de Segurança Pública, Airton Michels, foi praticamente convocado a Bagé em 7 de janeiro.
A mobilização dos ruralistas não era sem motivos. O levantamento de ocorrências executado para o ano de 2012 indicou um claro aumento de 19,8% dos casos de roubo ao gado na região. Isso inclui Bagé, Aceguá e Dom Pedrito. O ápice das discussões aconteceu ainda em junho do ano passado quando 200 cabeças de gado sumiram de uma só vez de uma propriedade rural no município de Dom Pedrito. O episódio, se não bastasse como prova cabal do perigo que rondava as propriedades, também se apresentava quase como uma provocação às forças policiais. Assim, as prisões feitas nesta semana trazem um certo conforto, já que os resultados são aguardados há bom tempo pelos produtores que convivem com o risco constante.
O que há de diferente neste caso é que pelo menos um registro feito durante a semana sugere a possível existência de uma estrutura criminosa operando na lacuna ou na dificuldade de policiamento em propriedades rurais. A identificação de um grupo que de peculiar apresentava uma espécie de farda para operar o roubo de gado e a possível colaboração de funcionários dos próprios estabelecimentos aponta para um nível de organização que exige mais inteligência. Isso foi o que se pode notar da empreitada policial. Então, se o combate ao abigeato esbarra na lentidão burocrática, pelo menos a inteligência pode operar em favor da produção.

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