Os desafios da reportagem em tempos de isolamento
Publicado em 18/04/2020

Editorial

Foto: Márcia Sousa

Os jornalistas que têm como ofício máximo da profissão  interagir com o entrevistado -  como diz o ditado olho no olho, hoje enfrentam um desafio singular na profissão, que é o distanciamento em razão da pandemia. Trabalhar fora da redação era uma realidade até então inimaginável para quem vive da notícia. O vírus, que deixou o mundo inteiro de joelhos, impôs sérias restrições aos profissionais da informação. Enquanto uma minoria tem que sair às ruas, outros trabalham de casa, pois a informação é um dos remédios para cura, em se tratando de conscientização e de mostrar os fatos, nem que seja na mais crueza que for. Jornal jamais pode parar - primeiro, pelo fato de que informação é serviço essencial; depois por respeito aos assinantes e anunciantes e assim tem sido a postura do Folha do Sul desde que começou a pandemia do coronavírus e não poderia ser diferente.

Hoje, o trabalho dos repórteres se dá por meio de mensagens de WhastApp, telefonemas e e-mail. A reunião de pauta às 9h, na redação, foi substituída pela reunião virtual, no mesmo horário. A partir disso, a interação entre os jornalistas durante o dia ocorre dessa forma, por meio de mensagens, pois as demandas são muitas e o tempo urge. É um trabalho que integra a redação do jornal impresso e os que atuam no on-line, principalmente no Facebook. Mais do que nunca, devido à instantaneidade, as plataformas digitais deram outro ritmo ao trabalho do Folha do Sul. E a resposta dos internautas não poderia ser mais gratificante do que está sendo. Essa nova dinâmica que o coronavírus impôs à redação requer planejamento, sincronia e habilidade para interagirmos no distanciamento. Os desafios se tornam maiores, porque são produzidos conteúdos para plataformas diferentes e isso requer agilidade mais do que nunca. Fechar uma pauta em tempo hábil é o mais vilão para o jornalista, porque a gráfica tem horário. A sincronia de tudo isso passa pelo talento de cada um dos jornalistas e pela capacidade de ir muito além do que lhe é atribuído como pauta. Ou seja, auxiliar o outro colega nas diferentes frentes de trabalho e assim tem sido no Folha do Sul. Hoje, o jornal, que tem apenas 10 anos de existência, é referência na região, inclusive para colegas da capital gaúcha que buscam informações, já que Bagé, em razão da pandemia, atraiu os olhares da imprensa do Estado. Editora do conteúdo on-line, a jornalista Niela Bittencourt conta que 58 mil pessoas curtem a página do jornal Folha do Sul no Facebook; são quase 61 mil seguidores, isso para um jornal com apenas 10 anos de existência. Niela diz que só, nesta semana, a visualização de lives e vídeos produzidos pela equipe ultrapassou a marca de 100 mil. “Além disso, muito do que é publicado nas redes sociais e no site da Folha alcança veículos de outras regiões, cujos leitores também querem saber sobre os acontecimentos da Rainha da Fronteira”, acrescenta a jornalista. Uma das maiores apostas da direção do jornal foi o Studio F, que tem como objetivo levar a informação factual todos os dias, seja com horário fixo ou com boletins quando é necessário. A apresentação e a forma dinâmica de interação do jornalista Fernando Tólio, com os internautas, elevaram a audiência e os resultados são muito positivos. E aqui vai uma ressalva, mesmo em tempos sombrios e austeros, o gato Donatello, que tem aparecido no vídeo atrás do apresentador, tem chamado atenção dos internautas que não economizam elogios ao felino, o que torna o momento mais leve. No jornal impresso e também no on-line, um dos diferenciais tem sido a apresentação de gráficos, que são de autoria do jornalista João A.M Filho. Essa é uma forma mais didática para os leitores e internautas acompanhar a evolução dos casos em Bagé e demais dados relativos à doença. “Atualizações sobre o estado de saúde dos pacientes também estão entre as informações diárias do impresso, assim como é nas páginas da Folha em que muito do que é debatido nas redes sociais é avaliado por especialistas e outras fontes confiáveis de informação”, assevera Niela. O jornal, como qualquer outra empresa, conta com outros setores que são vitais para fazer essa roda girar. Um deles é o da circulação, onde se insere os entregadores, aqueles que saem de casa na calada da madrugada para fazer o jornal chegar às residências dos assinantes. Por mais que a pandemia tenha imposto restrições e desafios como distanciamento - uma redação jamais pode se calar.

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