Oportunidade de qualificação e melhoria nos salários são apontadas como essenciais para manter homem na zona rural
Publicado em 01/05/2013

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Coordenador da Regional Fronteira elenca demandas para atrair funcionários

Falar em trabalho e em Bagé nos remete, quase que automaticamente, ao meio rural. Até porque trata-se de um município bicentenário, cujo desenvolvimento brotou exatamente deste setor. A Rainha da Fronteira tem vocação para a pecuária, para o agronegócio, enfim, para uma variável, quase infindável, de possibilidades. Mas, atualmente, como é a situação do homem que garante a produção desenvolvida no campo?
Para o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bagé e coordenador da Regional Fronteira, Milton Brasil, a informalidade, a necessidade de capacitação e, principalmente, a concorrência de mercados mais atrativos, como o comércio, são os principais inimigos para a manutenção destes profissionais no meio rural.

As intempéries e a concorrência
De acordo com Brasil, a atual realidade do trabalhador rural aponta para dois pontos distintos: o primeiro é o funcionário que mora na propriedade onde atua, com sua família e toda uma estrutura; e o segundo – grande maioria – aquele que vive na zona urbana do município e se desloca, periodicamente, para o local de trabalho. “Este é um novo cenário, mas real”, garante.
Ele afirma que, nos dias atuais, o mercado do campo engloba um grupo aproximado de dois mil trabalhadores. Para um município com mais de 100 mil habitantes, que tem no campo fontes signicativas de geração de renda, é um número considerado baixo. “E isso está, gradativamente, sendo reduzido”, alerta.
Brasil aponta que o grande ponto em questão é a substituição do “campeiro nato”, que vai se aposentar, por novos trabalhadores. “Hoje vivemos em uma realidade onde o trabalhador busca qualificação para ampliar renda, mas, ao mesmo tempo, não encontra salários atraentes”, argumenta. “Assim, os novos (jovens) vão para outros setores”, comenta.
O vice-presidente do Sindicato justifica que a rotina do trabalhador rural não é fácil e contribui para a busca de novos mercados. “Ele atua no sol, na chuva, contra as intempéries do clima”, exemplifica. Assim, diz ele, a opção por um local mais tranquilo, aliado a um retorno financeiro condinzente, leva vantagem na hora da escolha.
O posicionamento é compartilhado pelo chefe do escritório municipal da Emater, Eloí Pozzer. Para ele, existe uma grande preocupação com o envelhecimento do trabalhador rural. "Corremos o risco de ficarmos apenas com 5% dos habitantes no campo. A região pode se transformar em algo parecido com a Europa, onde a produção primária é praticamente dominada por empresas industrializadas", avalia.
Pozzer ressalta que a questão envolve, em sua maioria, o pequeno produtor. "A renda de uma propriedade pode abastecer uma família conforme sua amplitude. Mas, em geral, o que garante o sustento, em muitos casos, é a aposentadoria rural. Com isto, o jovem, que não é contemplado busca outras fontes, como a cidade", complementa.

Conquistas trazem esperança
Ao FOLHA do SUL, o representante dos trabalhadores rurais salienta que, recentemente, as categorias de profissionais obtiveram um reajuste do piso considerado “positivo”. O salário base, que era de R$ 670, subiu para R$ 750. “Além disso, existe o valor de insalubridade de R$ 150 e um acréscimo de R$ 42 para a indumentária campeira, onde o trabalhador adquire os arreios para uso no serviço”, completa Brasil.
Ele é categórico ao estabelecer que o Sindicato exige o pagamento dos novos valores e “não admite que um centavo a menos deixe de ir para o bolso do trabalhador”.
Contudo, Brasil atenta que ainda há muita informalidade nestas profissões – o que dificulta o acompanhamento. “Não temos números”, informa, mesmo garantindo que reconhece a existência do fato.

Soluções
Para auxiliar em melhores condições de trabalho e consequente manutenção do homem no campo, o coordenador da Regional Fronteira elenca, além de salários, a defesa por melhorias amplas para as categorias. “Hoje, o Sindicato conta com mais de 60 médicos atuando nas unidades da região por meio de convênios, assim como odontólogos, e possibilitamos programa para o acesso à habitação rural para a construção de casas novas, ou mesmo de recursos para reformas”, detalha.
Além disto, segundo ele, a entidade defende o repasse do PIS ao trabalhador – caso atue com empregadores considerados Pessoa Física, não tem direito. “Achamos injusto e vamos defender essa causa”, adianta.
E, ainda, exalta a necessidade de mecanismos que facilitem o acesso à formação profissional dos jovens que atuam no meio rural. “Assim, ele consegue se qualificar e se mantém no seu ambiente”, conclui.
Já Pozzer aponta como uma solução a desburocratização dos subsídios governamentais existentes. "Muitos programas exigem avalista e isto, muitas vezes, complica o acesso. O Luz para Todos foi um ponto positivo. Agora, o Água para Todos, que prevê a construção de açudes, deve ser facilitado. A política de campo tem que ser revista", finaliza.

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