O santo que deixou os coirmãos sem pão no café para dar aos pobres
Publicado em 03/06/2020

Geral

Foto: Márcia Sousa

São distribuídos em torno de 400 paezinhos por dia

São muitas as qualidades atribuídas a Santo Antônio, figura mais popular da Igreja Católica. Desde o admirável dom como pregador, o fascínio que exercia nas multidões e a capacidade de atrair a reverência no mundo todo nos tempos atuais. Exemplo disso é a participação de fiéis na trezena em homenagem ao santo, que está acontecendo na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, até dia 12 de junho. A festa é dia 13.
Mesmo com número limitado de pessoas no templo em razão das orientações das autoridades da saúde, a presença é expressiva nas missas das 15h e das 18h30min. Todos os dias, nessas duas celebrações eucarísticas, são distribuídos cerca de 400 pãezinhos de Santo Antônio e dada a bênção da saúde.
Ao lado da imagem, no andor todo enfeitado com as pulseirinhas coloridas, está uma urna onde os fiéis depositam os pedidos.
A reportagem do jornal Folha do Sul conversou com o pároco da igreja, frei Álvaro Bordignon, para saber o que tornou Santo Antônio tão popular em todo o planeta, bem como sobre as crendices em torno dele, como a fama de casamenteiro.
Para começo de conversa, o frei pontua que são raros os lugares no mundo onde não tenha uma capela, rua ou santuário que não seja dedicado a Santo Antônio. Para o religioso, o que torna o santo tão popular é fato de ele ter falado as coisas da vida.
Uma limpa na padaria
“Um dos atributos do santo era a solidariedade”, conta o frei. Com base em relatos históricos, Bordignon lembra que Santo Antônio era porteiro do convento onde residia e costumava doar pães aos pobres. Ocorre que em uma ocasião era tanta gente pedindo pão de uma vez só, que ele não pensou duas vezes, foi até a padaria do convento e fez uma “limpa”. Doou tudo aos pedintes. Não sobrou nenhum pão para o café da manhã dos frades, que pensaram que tinha ocorrido um roubo no convento. Por isso, se mantém a tradição da distribuição dos pãezinhos durante a trezena e no dia da festa.
Menino de cabeça para baixo
Frei Álvaro recorda que um dos grandes atributos do santo foi o fato de ele ter sido um anunciador da palavra de Deus. Por isso, segundo o religioso, todas as imagens de Santo Antônio tem a Bíblia – porque ele era conhecido como a Arca do Testamento. “Conta-se que em todo o mundo se fossem perdidos todos os exemplares da Bíblia, ele saberia reescrevê-la”, pontua o frei.
Também nas imagens do santo tem o menino Jesus sentado em um dos braços. Isso porque Antônio teria tido um sonho e conversado com o menino Jesus.

A partir disso, Bordignon observa, nasceu a crendice que se a pessoa não é atendida em um pedido ao santo, ela coloca o menino de cabeça para baixo ou o esconde em uma gaveta até que a solicitação seja atendida. “É menino Jesus, mas o povo diz o menino, outros falam o filhinho”, frisa o frei.
O religioso relata que muita gente vai até a secretaria da paróquia comprar a imagem de Santo Antônio, mas pedem uma que possa remover o menino, para que possam dar um jeito nele, caso o pedido não seja atendido. “É uma crendice, numa falta de esclarecimento maior da fé, ela se constituiu no básico, no simples, no humano e na humildade”, reflete o frei.
Sem dinheiro para casar
Uma dos fatos que tornam o santo o mais popular é o título de casamenteiro. São muitas lendas em torno dele por causa disso. Frei Álvaro relata uma dessas lendas diz respeito a uma moça pobre que queria casar. Ocorre que, na época, para casar tinha que ter dote. Como essa mulher não tinha o dote, ela procurou ajuda com o Santo Antônio.
Reza a lenda que o santo escreveu um bilhete para um homem rico que ele conhecia. E pediu que o rico pegasse uma balança e colocasse o bilhete de um lado e moedas do outro. Foi aí que se deu o milagre, pois foram necessárias muitas moedas para equilibrar a balança. Contudo, foi dessa forma que a moça teve o dote para casar.
O frei lembra que o povo costuma invocá-lo quando perde alguma coisa – inclusive, é conhecido também como o santo das causas perdidas. “Hoje, ele deve ser invocado pela fé que se perdeu, pela  esperança perdida e pela confiança em Deus, que ele nos ajude a reencontrar o significado da vida”, diz.

BOX 1

Sem procissão este ano
Todos os anos, no dia da festa de Santo Antônio ocorre a procissão ao redor da praça Silveira Martins. Neste no, segundo o frei, a caminhada não vai acontecer em razão da pandemia do coronavírus.

BOX 2
Terços
Assim como no ano passado, durante a trezena de Santo Antônio, estão à venda terços que custam R$ 13. O dinheiro arrecadado vai servir para aplicar na construção de dois altares – um para a imagem do Sagrado Coração de Jesus – outro para Nossa Senhora de Fátima.

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